Ao invés da marmita, água gelada é o que moradores de rua buscam para aguentar ‘calorão’ de Campo Grande

Geladeira solidária na região central da cidade é abastecida, diariamente, três vezes e o interesse maior é pela água mineral, além de sucos, refrigerantes e iogurte. São 120 garrafinhas por semana que, quando colocadas em uma geladeira solidária localizada na rua 14 de julho, região central de Campo Grande, não duram nem 20 minutos, segundo o empresário Phablo Barbosa Rodrigues, de 34 anos.
Há quatro meses, diante ao “calorão” de Campo Grande, ele conta que quis fazer algo para ajudar as pessoas, principalmente moradores de rua e então, juntamente com o tio, instalou a geladeira na frente do seu comércio. No entanto, com as temperaturas “batendo na casa dos 40°C”, ele diz que a intenção não era doar comida, mas, sim água gelada e alimentos mais leves.
“Eu pesquisei bastante, vi umas histórias de comida envenenada e fiquei receoso disso acontecer e também, diante as fortes temperaturas, pensamos em colocar água mineral gelada, frutas, bolacha, iogurte às vezes e, no máximo, um pão com presunto e queijo. Mas é só abastecer que, em poucos minutos, já acaba tudo”, afirmou ao G1 o empresário.
Conforme Rodrigues, a geladeira é abastecida, diariamente, às 8h, 11h e 18h (de MS). “Com o passar do tempo, nós fomos atrás de doações e os vizinhos estão nos ajudando bastante. Os amigos também, pois, sempre passam nos levando fardinhos de água. A carência é de comida também, claro, mas em muitos casos eles precisam muito mais de água”, comentou.
Geladeira solidária faz estoque de água mineral por conta das altas temperaturas
No caso das frutas, ele diz que deixa as laranjas já cortadas e também outras frutas como banana e mamão. “O que me deixou muito feliz esses dias foi uma senhora falar: moço, muito obrigada, porque eu antigamente não sabia se ia comer e hoje tomo água gelada e faço três refeições por dia”, relembrou.
Recentemente, o empresário diz que usou as redes sociais para falar do projeto. “Foi muito bacana porque eu falei do projeto e um amigo, que mora lá no Mato Grosso, viu e fez o depósito de R$ 200. Nós compramos vários fardos de água, naqueles dias de calor fervoroso mesmo. Foi tudo rapidão. Se tivesse mais água, ia embora também. E o mais legal é que foi uma inspiração e ele disse que pretende fazer lá na cidade dele também”, comemorou.
O analista de sistema Ivaldo Protásio Barbosa, de 49 anos, que montou a geladeira com o sobrinho, diz que a “questão da água é muito curiosa”. “Nós estamos vivenciando isso mesmo. Eu tenho por obrigação abastecer lá pela manhã, almoço e a noite. E vejo que os líquidos saem rapidamente, seja água, suco ou refrigerante. E no caso das frutas, a laranja também. Eu achava que seria o contrário, mas, eles querem mais coisas líquidas do que sólidas”, finalizou.
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