“Ao me reinventar na crise, dobrei meu faturamento”, conta empresária de Itajaí que durante a pandemia aumentou as vendas


Apaixonada pela profissão, dona de loja bem sucedida precisou fazer mudanças na gestão de seu negócio para não fechar as portas nos primeiros meses de pandemia A história da empresa Vanessa Sapatos e Acessórios Femininos começou há nove anos, quando a proprietária, até então gerente de uma lotérica, decidiu deixar de ser funcionária para ser empreendedora.
Com uma boa experiência da prática de administração e a vontade de ter seu próprio negócio, Vanessa foi atrás dos seus sonhos. Como sempre gostou da área comercial, especialmente do relacionamento com o cliente, Vanessa decidiu apostar em vendas.
Consciente do seu potencial, ela decidiu pegar todo o dinheiro da sua rescisão e investir em sapatos. Comprava a mercadoria na cidade de São João Batista para revender em Itajaí.
Vanessa conta que começou vendendo de porta em porta em empresas, escolas, mercado público e na própria casa de clientes.
— Eu não tinha horário para atender, ficava à disposição da cliente e fazia um atendimento bem personalizado. Às vezes, ia até 11 horas da noite e acordava no dia seguinte cedo — lembra a empresária.
Vanessa ficou dois anos trabalhando desta forma, até decidir usar as redes sociais a seu favor e começar a vender online.
Entretanto, Vanessa sabia que seu diferencial era o atendimento, afinal, ela agia como mais do que uma vendedora, mas como uma consultora. O foco não era vender calçados, mas conquistar a clientela.
Ela sabia que fidelizar aquele público era o mais importante para ser bem sucedida nos negócios. Foi quando surgiu o desejo de montar uma loja física.
Realização de um sonho
Vanessa e o marido abriram a loja física, mantiveram as vendas pelos canais digitais e, em paralelo, trabalhavam com entregas a domicílio.
A empresa estava crescendo e a empresária começou a contratar outras pessoas para trabalharem com ela. Um ano depois, ela decidiu abrir outra loja, em outro bairro e dessa vez era um espaço bem grande, de 400 metros quadrados.
Superando crises – Parte I
Alguns meses depois de inaugurar a segunda loja, veio a crise dos caminhoneiros, de 2018, que afetou muito os negócios de Vanessa. Os desafios aumentaram e, nesse momento, Vanessa decidiu procurar ajuda profissional.
Indicada para uma consultoria do Sebrae, a empresária ouviu a consultora dizer que a empresa dela tinha um potencial muito grande de vendas, porém tinha problemas de administração dos custos.
Foi aí que Vanessa passou a colocar em prática as sugestões da consultora do Sebrae/SC, Bárbara Santana de Oliveira.
— Logo no início da consultoria, na época a Vanessa participou do Programa Coopera Empreendedor, já conseguimos calcular qual era o furo que estava dando no caixa e os problemas que ela precisava resolver. A partir dali, começamos a trabalhar com indicadores e limites de gastos, já prevendo uma produtividade dentro do orçamento e isso fez toda a diferença para a empreendedora — revela Bárbara.
Vanessa confirma que a consultoria do Sebrae foi um divisor de água para a empresa, porque a partir desse conhecimento ela passaria a trabalhar de outra maneira. Em março de 2020, ao concluir os relatórios de análises da empresa, o próximo passo era colocar em prática o plano de ação traçado.
Superando crises – Parte II
Em meados de abril, a pandemia do novo Coronavirus que já abalava o mundo inteiro, se intensificou no Brasil. Com a exigência do distanciamento social, veio o isolamento e a paralisação do comércio, assim como da indústria e outros setores da economia.
— Decidi dar férias para todas as minhas funcionárias e, com o auxílio do Sebrae no acesso ao crédito, consegui pagar todas elas. Ficou somente eu e a gerente de vendas, que tinha acabado de retornar de férias, refletindo sobre o que poderíamos fazer diante daquela situação. A primeira coisa que fiz foi entrar em contato com todos os meus fornecedores e cancelar os pedidos por prazo indeterminado — relembra a empresária.
A ideia de fazer um bazar para eliminar o estoque que estava muito alto não saiu da cabeça de Vanessa e ela decidiu fazer um bazar online. Ela e a gerente de vendas postavam os produtos nas redes sociais e vendiam de forma virtual. O pagamento era realizado via depósito, transferência ou cartão de crédito e a entrega era agendada e programada.
Vanessa diz que ela mesma chegou a fazer entregas e foi uma experiência lembrada por ela com carinho, já que ela pôde rever várias clientes antigas. Ela conta que as vendas online foram um sucesso e que vendeu muito mais durante a pandemia com as portas da loja fechadas do que quando estava com a loja aberta.
— Em uma crise a gente se reinventa e acaba encontrando saídas inteligentes para não fechar o negócio. Foram cerca de 30 dias trabalhando dessa forma e vendendo muito. Consegui retomar o trabalho com os meus fornecedores, funcionários e ainda fiz novas contratações, porque a demanda aumentou — conta animada.
Uma experiência enriquecedora
Depois dessa experiência e com o auxílio da consultoria do Sebrae/SC, Vanessa decidiu que investiria em marketing digital, fecharia uma das lojas e mudaria o ponto para um lugar menor, no centro da cidade.
A pandemia, nesse momento, já estava mais estabilizada em Santa Catarina e o comércio em Itajaí reabriu.
— O meu projeto profissional agora cresceu e faz parte dos meus planos ter um e-commerce, porque vi que é tendência de mercado e no meu setor funciona bem. Vejo a loja física hoje como um ponto de encontro, onde as clientes vêm para conversar, tomar um café e no máximo retirar o produto — explica Vanessa.
A empresária conta que mesmo com a venda à distância, conseguiu retomar o atendimento humanizado e acredita que isso continua sendo seu diferencial. Ela costuma dizer que a venda é somente a consequência de todo carinho que entrega para as clientes.
Hoje com a modalidade de crediário somente para clientes antigas, Vanessa seguiu a orientação da consultora do Sebrae para ter uma empresa mais saudável financeiramente e prioriza o pagamento a vista ou via cartão de crédito.
— Amo o que eu faço e tenho orgulho de como eu comecei, de onde eu cheguei e o que conquistei. Tenho consciência de que me capacitar é o caminho porque nas decisões mais difíceis que tomei durante minha carreira o Sebrae esteve ali para me auxiliar. E como eu ainda quero crescer, pretendo retomar os cursos e as consultorias que me ajudam desde o planejamento estratégico até o contas a pagar. Afinal, não quero ficar para trás e desejo continuar com o amor que tenho pelo meu trabalho — finaliza a empresária.
Para conhecer mais sobre as possibilidades de consultoria do Sebrae/SC, acesse o site.
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