Apesar de altas consecutivas na indústria, setor ainda vive situação pior do que a anterior à pandemia

Uma das empresas na região que demitiu 25% dos funcionários já repôs 16% do quadro de empregados. Indústria ainda está em situação pior que antes da pandemia
A indústria paulista vem registrando uma série consecutiva de altas, mas o setor ainda vive uma situação pior do que antes da pandemia no Alto Tietê.
A movimentação na fábrica é também o termômetro da produção: mais gente, mais vendas e o segundo turno, extinto por causa da pandemia, já voltou a funcionar. A empresa chegou a demitir 25% do quadro de funcionários na quarentena, mas desde julho já repôs 16%. O operador de máquinas Felipe Nascimento Silva está no período experiência.
“Eu fiquei surpreso né, porque estar contratando no meu de uma pandemia, tá dando bastante oportunidade”, diz.
A produção gira em torno de 10 mil peças por dia. Parece muito, mas a metalúrgica em Mogi das Cruzes que atende o setor automotivo já chegou a produzir 50 mil peças por dia, em 2008, na sua melhor fase.
De lá pra cá, o mercado foi ficando cada vez mais difícil. Com o isolamento social a empresa viveu a pior crise da história. Para recuperar os prejuízos ainda deve levar um bom tempo.
O proprietário da empresa, José Ramos de Carlo, diz que as montadoras alimentam a linha de montagem com produto importado. “Principalmente da China. Hoje, a grande dificuldade é que nós precisamos de R$ 6 para comprar um dólar, aí ficou muito difícil, porque nós não aguentamos nem mesmo fazer a manutenção, porque toda a tecnologia é baseada no dólar”, pontua.
A indústria paulista registrou alta de 4,8% em agosto. Foi a quarta taxa positiva consecutiva do estado, somando 39,8% no período. Mas a recuperação ainda está 0,6% abaixo do pré-pandemia.
Já o mercado de autopeças tem percebido uma recuperação bem mais rápida. De julho para cá uma loja registrou um aumento de 30% nas vendas. Para muita gente, em meio à crise, trocar de carro não está nos planos.
O diretor-executivo da loja, Allan Verga, diz as pessoas estão deixando de usar o transporte coletivo. “Estão utilizando o veículo próprio, e o que acontece é que eles vêm atrás da manutenção”, pontua.
Ao contrário das montadoras, que praticamente interromperam a produção, o varejo de peças seguiu funcionando na quarentena. Mesmo assim a loja no Mogilar passou a atender também pela internet e a oferecer serviços de entrega. Na contramão das indústrias, o dificil é repor o estoque.
“A demanda está muito grande, e a indústria, devido ao problema da pandemia, segurou um pouco a produção. Retraíram bastante e a gente está tendo dificuldade. A demanda do mercado não está sendo atendida pela indústria, como a gente precisa”, diz.
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