Após disco ‘intimista’, CeeLo Green promete que próximo álbum foca em sua ‘afinidade com o Brasil’


Em entrevista ao G1, cantor fala sobre sua ‘outra faceta’ presente em disco lançado em junho, escrito originalmente para outros artistas, mais diferente de seus grandes sucessos dançantes. CeeLo Green mal lançou um disco novo e já pensa no próximo. Sem poder realizar shows com seu projeto do final de junho, “CeeLo Green is Thomas Callaway”, o produtor e cantor pensa no futuro e diz que trabalha em um álbum focado em sua “afinidade com o Brasil”.
Para ele, o disco que leva seu nome verdadeiro no título, com uma mistura de soul e country, apresenta um outro lado de sua carreira ao público – um estilo mais intimista e pessoal do que grandes sucessos como “Crazy” e “Fuck you”.
Green esteve no Brasil em 2012, 2017 e 2019 – em três festivais com apresentações focadas nos gigantescos e dançantes hits, e em covers. Por isso, acredita que o trabalho mais recente pode não agradar tanto aos fãs do país, acostumados a grandes espetáculos.
“Sei que a cultura brasileira tem a ver com um ritmo mais acelerado, percussivo, funk. Então acho que não (vão gostar tanto), mas não quer dizer que não podem curtir na intimidade de seus lares, ou carros ou outros lugares”, diz o cantor em sua casa, no estado americano da Geórgia, em entrevista ao G1.
CeeLo Green canta no Rock in Rio 2017
Marcos Serra Lima/G1
“Eles podem curtir conforme ouvem mais uma outra faceta, a menos CeeLo Green. Pelo menos um fã meu vai gostar pela sua autenticidade e riqueza.”
Mas os fãs do artista no Brasil não precisam se preocupar. Isolado e sem a possibilidade de fazer shows enquanto a pandemia não passa, ele continua desenvolvendo os próximos trabalhos.
“Na verdade, estou fazendo um disco que é completamente centrado na minha afinidade com o Brasil e a cultura da música brasileira. Aliás, esse é um pequeno segredo estou contando pra você e que não posso falar mais. Então, é. Eu amo o Brasil, e o Brasil me ama.”
Apresentando o verdadeiro CeeLo
É curioso que o título do disco recente pareça uma apresentação do nome de batismo de Green.
Afinal, isso acontece depois de álbuns discos solo, quatro com seu grupo original, Goodie Mob, e dois com o projeto paralelo Gnarls Barkley.
A coisa fica ainda mais estranha ainda ao conhecer a origem do trabalho.
Todas as músicas de “CeeLo Green is Thomas Callaway” foram escritas em parceria com Dan Auerbach, vocalista e guitarrista da dupla Black Keys – com outros artistas em mente.
Leia abaixo a entrevista na íntegra:
Dan Auerbach e CeeLo Green conversam no estúdio
Divulgação
G1 – Dizem que o álbum teve origem como uma parceria de composições entre Dan e você, e então ele te perguntou se você não queria gravar. Foi isso mesmo?
Ceelo Green – Isso mesmo.
G1 – Se você escreveu para outras pessoas, por que decidiu usar seu nome verdadeiro no título do disco?
Ceelo Green – Bem, não escrevemos as músicas com ninguém em particular em mente. A verdade é aplicável a qualquer artista individual que busca e que quer ser um bastião de luz.
Para mim, por exemplo, as músicas são bem gerais. Basicamente, qualquer um poderia cantá-las. Qualquer um que realmente abrace seu significado.
Então, ao escrever eu tinha uma recepção emocional a elas. A ideia de Dan para que eu as cantasse era que elas significam algo para mim. Eu estou ligado a elas. Essa foi a ideia.
Foi uma sugestão simples. Eu poderia ter dito que não se não tivesse tão interessado. Mas, para ser honesto, eu não estaria tão interessado se não fosse a sugestão de alguém que eu respeito.
Então quando eu cheguei a Nashville, elas já estavam completamente produzidas. Foi quase como uma festa surpresa de aniversário. Eu entrei no estúdio e todos os artistas já estavam lá, com as partituras, prontos para tocar. Foi fantástico.
G1 – Seria possível gravar então esse disco sem a contribuição do Dan?
Ceelo Green – Não. Eu…. (pensa) Bom, eu acho que nunca dá para dizer nunca, mas não conseguiria pensar na alternativa. Quero dizer, essa foi a visão pessoal dele, que foi tão sincera e genuína da parte dele. E a execução foi impecável. E é incomparável. Não acho que eu conseguiria nem pensar em como seria. Só conseguiria fazer esse disco com ele.
CeeLo Green cantou com Iza no Rock in Rio 2017
Marcos Serra Lima/G1
G1 – Você acha que pode surpreender as pessoas que te conhecem principalmente pelos seus maiores sucessos, como “Crazy” ou “Fuck you”?
Ceelo Green – Sempre é para ser uma grande surpresa e um salto de fé contínuo. Uma evolução, um crescimento, uma explosão, uma aventura, uma exploração. Todas essas coisas. Tudo isso tem que ser levado em conta.
Música é um lugar para o qual você viaja, é algo tangível. A verdadeira propriedade intelectual é terra, é território, é um espaço. Você tem que se perder no cosmos, no universo, para se encontrar ao mesmo tempo.
G1 – Ninguém sabe exatamente, e nem eu, como classificar o gênero do disco. É soul? É country? Como você vê isso?
Ceelo Green – Brincando, eu inventei o termo “afro-americana” (brincadeira com o gênero de música raiz conhecido como “americana”). Se é que isso faz algum sentido (risos).
Mas eu não acho que temos de ser classificados por qualquer estilo. Fizemos um esforço colaborativo para desafiar categorias e limitações e apenas ser uma contribuição e um presente. Uma carta de amor a todos que estejam interessados.
Não há público-alvo por assim dizer. É apenas um grupo de pessoas que curte música boa.
G1 – O disco foi lançado há um tempo. Normalmente você estaria fazendo shows, turnês ao vivo. Mas não podemos agora. O que tem feito desde então?
Ceelo Green – Gravando, dando muitas entrevistas. Também estou trabalhando em inúmeros outros projetos, participações, um disco novo do Goodie Mob, que é meu grupo original, no qual eu comecei há quase 30 anos. Vamos fazer um disco de reunião de aniversário, por assim dizer. Estou me esforçando, mas me cuidando.
G1 – Você veio ao Brasil há pouco tempo. Você acha que o público brasileiro curtiria esse disco, já que as últimas vezes em que veio, fez grandes shows? Esse disco é mais intimista.
Ceelo Green – Não sei. Só sei que a cultura brasileira tem a ver com um ritmo mais acelerado, percussivo, funk. Então acho que não, mas não quer dizer que não podem curtir na intimidade de seus lares, ou carros ou outros lugares.
Eles podem curtir conforme ouvem mais uma outra faceta, a menos CeeLo Green. Pelo menos um fã meu vai gostar pela sua autenticidade e riqueza.
Mas é de boa. Eles podem também me curtir em um próximo disco, e eu os atendo no próximo. Porque eu ainda estou trabalhando.
E, na verdade, estou fazendo um disco que é completamente centrado na minha afinidade com o Brasil e a cultura da música brasileira. Aliás, esse é um pequeno segredo estou contando pra você e que não posso falar mais. Então, é. Eu amo o Brasil, e o Brasil me ama.
G1 – Esse ano tem sido tão bom para a música, com discos incríveis. Taylor Swift, Fiona Apple, Megan Thee Stalion, Run the Jewels. Pra você, por que esse ano foi tão incrível para a música?
Ceelo Green – Porque vivemos em uma época no qual as fundações estão sendo sacudidas, sua sanidade é ameaçada, seu estado emocional é questionado.
Para um artista, poder pensar e criar decorrente de uma causa e efeito é impressionante, neste contexto de uma pandemia e quarentena.
É muita coisa para atravessar e sobreviver. E você faz tudo isso para agradar e animar as outras pessoas, sabe. É muito honroso pelo menos tentar.
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“As pessoas sempre escolherão uma história que as ajude a sobreviver e prosperar.”