Aumento dos preços dos alimentos tem impactado no bolso dos brasileiros

Mas a inflação oficial apresentada pelo IBGE, que reúne outros itens do dia a dia, não reflete essa alta digna de tempos de hiperinflação. Aumento dos preços dos alimentos impacta no bolso dos brasileiros
Os brasileiros têm sentido o aumento dos preços, principalmente dos alimentos. Mas a inflação oficial apresentada pelo IBGE, que reúne outros itens do dia a dia, não reflete essa alta digna de tempos de hiperinflação.
Na feira, produtos cheios de cores e perfumes chamam a atenção. Mas os preços oscilam diariamente e podem mudar o humor de feirantes e consumidores.
“Limão que a gente estava acostumado a pagar aí, um mês atrás, R$ 60, R$ 50, a gente pagou R$ 100 hoje”, conta o feirante Roberto Saiquel.
“Não tem nada barato. Nada, nada, nada, nada”, diz uma senhora.
Cada região do país tem suas peculiaridades, o que pode resultar em preços muito diferentes. Em Curitiba, por exemplo, a cebola subiu mais de 70%. Em Vitória, o tomate mais que dobrou de preço. Já em São Paulo, foi o limão que encareceu a feira. No Rio, a manga subiu 69%, cinco vezes mais que em Porto Alegre.
“Eu que tenho neném pequeno, então tenho que dar fruta todo dia, então, assim, às vezes uma comprinha já você se assusta com o valor final da compra”, diz a analista Franciele de Paula Bueno.
Quando o preço de uma fruta ou verdura dispara, a gente logo leva um susto. Como pode a inflação de janeiro a setembro ser de apenas 1,34%? É que o IPCA, o índice oficial de inflação, analisa uma imensa cesta de produtos e serviços consumidos pela população. Todo mês são pesquisados mais de 430 mil preços em 13 regiões urbanas do país.
André Braz, economista do IBRE/FGV, lembra que a inflação dos alimentos no domicílio, que inclui os produtos comprados na feira e nos supermercados, foi de 9,17% até setembro.
Em todo o Brasil, alguns itens básicos aumentaram em média mais de 30%, como foi o caso do leite longa vida, do arroz e do óleo de soja.
“Nossa! O arroz está um absurdo, o óleo, gente, o óleo está muito caro”, diz Clebiana Xavier, cuidadora de idosos.
O óleo e o arroz ficaram mais caros por causa do dólar alto. Para o produtor, é mais vantajoso exportar, e o preço do produto no mercado interno acaba aumentando.
“Os alimentos ficaram muito mais caros em função da desvalorização do real frente ao dólar, em função de problemas sazonais – aquele produto que falta e tem uma oferta menor em determinada época do ano, como o leite, por exemplo. Então foram vários os desafios em torno da alimentação, e de fato eles ficaram muito mais caros”, diz o economista André Braz.
O economista explica que para famílias de baixa renda, os alimentos têm peso maior no orçamento. E a percepção de que os preços estão subindo preocupa mais.
“Para as famílias mais humildes, que têm uma cesta de consumo pouco diversificada e muito concentrada em alimentos, aí falar de uma inflação média de 1,3 não retrata a realidade desse grupo. Então, para eles, a inflação foi muito mais alta e tem mais a ver com o desafio imposto com a alimentação”, explica André Braz.
“Tudo realmente subiu, só o salário que não, infelizmente”, diz um homem.
“Com o mesmo dinheiro não dá, a gente tem que mudar algumas coisas, porque senão o dinheiro acaba antes do mês”, afirma uma senhora.
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