Baiana perde 29 kg e conta que médica afirmou que ela sempre seria obesa: ‘Emagreci na força do ódio’


O percentual de pessoas com obesidade aumentou em todo Brasil, de acordo com o IBGE. No entanto, há quem consiga enfrentar o desafio e perder peso de forma saudável. Confira dicas. Arlene Nascimento perdeu 29 quilos e com exercícios e uma alimentação saudável
Arquivo pessoal
O número de pessoas com obesidade no Brasil cresceu, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em Salvador, cerca de 18% da população está obesa, segundo a Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde.
No entanto, há exemplos de pessoas que conseguiram superar o desafio de perder peso. Foi o caso da professora Arlene Nascimento, 42 anos. Ela conta que sempre teve uma rotina de exercícios e pesava 67 Kg. Mas, após várias mudanças na vida, começou a engordar.
“Eu me casei e acabei ficando um pouco mais sedentária. Para piorar, sofri uma lesão no nervo ciático e tive que parar completamente os treinos, o que me fez chegar a 96 quilos. O médico falou que para ficar curada da lesão eu precisaria fazer o caminho inverso e emagrecer novamente”.
Ela também percebeu que estava com vergonha do próprio corpo e que outras complicações estavam se desenvolvendo por causa da rotina sedentária. Arlene resolveu consultar uma endocrinologista para ajudá-la a emagrecer novamente. No entanto, a conversa não foi agradável.
“A primeira endocrinologista que procurei me disse que uma vez obesa, eu seria obesa para sempre. Ouvir isso me deixou revoltada. Sentei na calçada e literalmente chorei. Então, decidi que iria voltar ao meu antigo corpo. Por isso, digo que emagreci na força do ódio”.
Arlene Nascimento perdeu quase vinte quilos
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A professora ressalta que o percurso para voltar ao antigo peso não foi nem um pouco fácil. A começar por ter que lidar com a vergonha de voltar para a academia onde treinava antes de engordar. Além disso, o corpo não estava mais habituado com a rotina de exercícios.
“Para conseguir voltar a treinar, eu tive que me matricular em outra academia, porque não queria que ninguém que eu conhecia me visse daquele jeito. A treinadora me usava como exemplo. Às vezes treinava chorando”, conta.
Já a psicóloga Mayesse Parisi, 38 anos, está em processo de mudança para uma rotina mais saudável. Até o momento, ela conseguiu perder 17 quilos, mas ainda quer emagrecer um pouco mais. Ela chegou a pesar 102 Kg e atualmente está com 85 Kg.
Mayesse Parisi perdeu 17 Kg após aderir a exercícios físicos e dieta com pouco carboidrato
Arquivo pessoal
Mayesse conta que a necessidade de perder peso surgiu quando pegou coronavírus, em maio deste ano. Os médicos disseram que a doença pode ter se agravado por causa do sobrepeso.
“O meu quadro [de Covid-19] se agravou muito, provavelmente em função do meu sobrepeso. Comecei a ter formação de trombos no sangue”, explica.
Além disso, a questão do peso têm sido constante na vida da psicóloga. Mas foi com a aproximação dos 40 anos que ela resolveu mudar o modo de vida para uma rotina mais saudável. “Percebi que eu precisava mudar minha alimentação e o modo de lidar com meu corpo”.
Segundo especialistas, as principais dicas para emagrecer é praticar de exercícios físicos e manter a alimentação saudável. A nutricionista Fernanda Macuco explica que, normalmente quando o paciente constata alguma limitação com o próprio corpo, ele decide emagrecer.
“Geralmente a motivação para perder peso vem de uma frustração. A pessoa usa como um gatilho positivo alguma experiência negativa pela qual tenha passado. Por exemplo, sair para comprar uma roupa e nada servir. Receber um convite para uma casa de praia e se sentir mal com o próprio corpo”, explica.
Alimentação saudável
Nutricionista criou um canal no youtube, onde ensina receitas práticas e saudáveis
Reprodução / Youtube
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a ingestão diária de pelo menos 400 gramas de frutas e hortaliças (WHO, 2003), o que equivale, aproximadamente, ao consumo diário de cinco porções desses alimentos.
Em Salvador, o percentual de adultos que consomem esta meta é de somente 19,3%, segundo a Vigitel. De acordo com a nutricionista Juliane Moura, para emagrecer, o mais importante é manter uma dieta saudável e praticar exercícios físicos. A perda de peso pode vir como consequência disso.
“Normalmente, as pessoas têm dificuldades para emagrecer porque se restringem demais em dietas e não conseguem manter isso. Então, em algum momento elas acabam comendo muito mais que antes porque estavam passando por privações”, explica.
Nutricionista Juliane Moura
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Outra dica valiosa para perder peso é enfrentar o desafio de cozinhar a própria comida. “Para se alimentar melhor, as pessoas precisam perder o medo da cozinha e tentar fazer suas próprias refeições”, diz Fernanda.
Para ajudar, a nutricionista criou um canal no youtube, ‘Cozinha de Verdade’, onde ensina receitas práticas para o dia a dia, e saudáveis. Ela também produz conteúdo sobre nutrição no perfil do Instagram.
“É possível cozinhar com poucos ingredientes e agilidade, pratos com alto valor nutritivo. E, principalmente, é possível fazer também coisas gostosas”, ressalta.
A psicóloga Mayesse conta que o desafio de cozinhar tudo que come está sendo essencial para o emagrecimento.
“Eu tenho que me organizar para preparar minha própria comida. Estou seguindo uma dieta com baixo percentual de carboidratos (low carb). Mas tenho visto tudo como uma oportunidade para fazer comidas variadas e saborosas”.
Para Arlene, a questão é incorporar a dieta ao estilo de vida. “Manter uma dieta saudável é um estilo de vida. A gente tem que incorporar isso para conseguir mudar os hábitos. Mas não adianta seguir dietas para emagrecimento se isso não te faz bem. A gente tem que perceber o que funciona para o nosso corpo”, ressalta.
Peso ideal x gordura corporal
O peso por si só não revela se alguém é saudável ou não, explica Fernanda Macuco. Uma pessoa pode ter uma musculatura pesada porque pratica exercícios. Ou ser leve, mas ter índice de gordura alto no corpo.
“É possível ser uma pessoa pesada mas ser um praticante de atividade física, por exemplo. Pode ter outra pessoa que é muito mais leve, porém tem um índice de gordura muito alto. A questão é que a gordura ocupa mais volume, mas pesa menos que músculo”, explica.
O importante é não ficar se comparando com outras pessoas, reforça Juliane. “Eu indico para as minhas pacientes que não fiquem seguindo perfis de pessoas super magras. Porque, por mais que essas pessoas possam querer ajudar, muitas vezes elas vivem para isso. Coisa que não representa a realidade de todos. O ideal é se comparar consigo mesma”, ressalta.
Outra dica é tentar não dar atenção para comentários de pessoas que ficam falando sobre o peso das outras. “Essas pessoas que comentam muito normalmente é porque não estão bem consigo mesmas e acabam tentando atingir as outras”, explica.
“O peso ideal, na minha concepção como especialista, quem determina é o próprio paciente. Contanto que esteja nos limites da saúde. Para menos ou para mais, o importante é que o paciente tenha autonomia para definir onde ele quer chegar. Às vezes queremos ter um corpo que não condiz com a realidade”, reforça Fernanda.
A nutricionista Fernanda Macuco criou um canal para ensinar receitas práticas
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