Bebê com AME é sorteado no Paraná para receber medicamento que custa mais de R$ 11 milhões


Por causa da Atrofia Muscular Espinhal, Valentim não engole, não se movimenta e não respira sozinho; estudos apontam que uma dose do Zolgensma pode melhorar a sobrevivência e o desenvolvimento motor dos pacientes. Bebê Valentim foi sorteado para receber a dose do medicamento mais caro do mundo, o Zolgensma
Dilson Rodrigues/RPC
O bebê Valentim De Santi Maciel, de quase um ano, tem Atrofia Muscular Espinhal (AME), uma doença neurodegenerativa rara. A família, que mora em Marmeleiro, no sudoeste do Paraná, divulgou na terça-feira (14) que ele foi sorteado para receber gratuitamente o Zolgensma, medicamento conhecido como o mais caro do mundo, que custa mais de R$ 11 milhões.
O remédio foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em agosto de 2020, mas não é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Quem tem a doença não consegue produzir uma proteína essencial para a sobrevivência dos neurônios motores, por isso, o medicamento é essencial para o tratamento de pacientes com AME.
“Eu sempre falei para a minha esposa que tudo tem um significado, tudo tem um sentido, como Deus ter nos dado o Valentim dessa maneira, que isso que aconteceu é tudo a seu tempo. Isso é um milagre. O sorteio é um milagre”, disse o pai Marcos Maciel.
O sorteio foi realizado por um laboratório, por meio de um programa global, que oferta 100 doses do medicamento para bebês de todo o mundo, que tenham até dois anos, conforme o Instituto Nacional de Atrofia Muscular Espinhal. Essa seleção é realizada quinzenalmente.
Valentim foi diagnosticado com AME aos 6 meses de vida, em Marmeleiro
Dilson Rodrigues/RPC
Tratamento
Segundo a família, o diagnóstico de Valentim para AME do tipo 1 ocorreu em abril de 2020, quando ele tinha 6 meses. Por causa da doença, Valentim não engole, não se movimenta e não respira sozinho.
Estudos indicam que uma única aplicação do Zolgensma, até os dois anos de idade, é capaz de melhorar a sobrevivência dos pacientes e o desenvolvimento motor, além de ser possível reduzir o uso de respiradores.
“O medicamento faz com que faça uma mutação no gene defeituoso e o organismo começa a produzir essa proteína. É uma terapia nova que estão usando na hematologia”, disse o oncologista pediátrico Cassiano Goulart.
Segundo o pai, apesar do filho ser sorteado, a campanha online de arrecadação de fundos para o tratamento do Valentim continuará até que a dose do medicamento seja aplicada.
A família ainda receberá orientação de como e quando será realizada a aplicação. O laboratório será responsável pelos custos dos exames necessários.
De acordo com o Instituto Nacional de Atrofia Muscular Espinhal, ainda não há nenhum centro de referência no Brasil que possa dar a medicação aos pacientes com AME. Por isso, no caso de deslocamentos para outros países, a família da criança deverá pagar as despesas.
Spinraza
Conforme especialistas, até 2017, a AME era uma doença sem tratamento, que causava a morte.
Um dos primeiros medicamentos, o Spinraza, começou a ser produzido nos Estados Unidos. Ele ajuda a repor a proteína por um determinado tempo, e começou a ser fornecido pelo SUS em outubro de 2019.
Uma dose do Spinraza custa mais de R$ 300 mil reais e a aplicação deve ocorrer a cada quatro meses por toda vida do paciente.
O Valentim foi o primeiro paciente do sudoeste a tomar as doses no Hospital Regional, em Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná. Segundo os médicos, o Spinraza paralisa a evolução da doença, não cura o paciente.
Medicamento mais caro do mundo
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