Bebê surpreende médicos ao superar problema cardíaco no Rio de Janeiro

Arthur nasceu com transposição dos grandes vasos de base, um problema cardíaco que pode matar nas primeiras horas de vida e exige uma cirurgia urgente no bebê. Mas Arthur sobreviveu. No dia mundial do coração, a história emocionante de um bebê
Esta terça-feira (29) é o Dia Mundial do Coração. O dia ideal para você conhecer um bebê chamado Arthur.
Quais são os superpoderes do menino do capacete? O tchauzinho quebra-gelo? O beijinho catalisador de emoções? Ou o olhar paralisante de ternura? Mais do que tudo isso, no momento em que nasceu, Arthur já enfrentou a primeira missão: sobreviver. Um desafio que a mãe percebeu ainda na sala de parto.
“Ele estava totalmente molengo, já meio roxinho e não interagia. Não é o que você sonha na hora de pegar seu filho. Eu comecei a gritar, achei que tinha uma coisa errada”, conta Melina Guelman, mãe de Arthur.
Os médicos confirmaram. Transposição dos grandes vasos de base, um problema cardíaco que pode matar nas primeiras horas de vida e exige uma cirurgia urgente no bebê.
“Nessa doença, os vasos nascem invertidos. Então a aorta sai do lado direito do coração, e a artéria pulmonar do lado esquerdo. Isso acarreta uma grande dificuldade de oxigenação do sangue”, explica a médica neonatologista Daniela Peyneau.
Na UTI, Arthur dava sinais de que não ia resistir.
“Eles autorizaram a família entrar para se despedir. E eu falei: ‘vocês vão entrar, mas eu não quero que ninguém se despeça do Arthur. Se for para se despedir, não entra, porque ele está lá lutando e eu não consigo sentir isso’”, conta a mãe.
Nos primeiros dias, o organismo do Arthur precisava reagir sozinho e ficar pronto para a cirurgia. Os pais e os parentes não podiam fazer nada além de manter a fé.
Juntando forças para não deixar de acreditar, a família de origem japonesa buscou inspiração numa tradição do oriente: o tsuru, a ave sagrada da saúde e da felicidade. Foi assim que, desde os primeiros dias de vida, Arthur ficou conhecido como o “menino do pássaro”. E foi cercado por uma revoada de esperança.
Cem, quinhentos, mil, dois mil e muito mais.
“A gente foi fazendo, a gente acabou fazendo mais de três mil pássaros, tinha tsuru espalhado pelo hospital inteiro, em quartos de gente que a gente nem conhecia”, conta a mãe.
A família inteira se juntou e o hospital, em Niterói, foi tomado por pequenos pássaros da sorte. A tradição japonesa diz que algo de bom acontece para quem faz milhares de vezes o origami, a arte da dobradura no papel. Dez dias depois de entrar no hospital, a lenda se cumpriu. Arthur resistiu. E foi liberado para a cirurgia.
“Meu coração de mãe dizia que eu não ia perder meu filho. Eu falava para ele todos os dias: ‘eu vou levar você para casa’”, diz a mãe.
Da sala de cirurgia, de volta para a UTI até o dia da recuperação total, dois meses depois.
“A gente fazendo nosso trabalho, se apoiando nessa fé e nessa crença da família, e isso motivou e renovava a cada dia a energia de toda a equipe, para que a gente continuasse insistindo e deu tudo certo”, se emociona a médica.
Tudo isso foi logo antes da pandemia. Essa vilã que ainda nos impede de apertar as super bochechas do menino herói.
Hoje, ele leva vida normal. Vai carregar o capacete só por mais alguns meses, consequência de ter ficado muito tempo deitado na mesma posição. Nada de mais para o super Arthur, que em dez meses conseguiu dar vida a pedacinhos de papel e em um sorriso revigorar todos os corações do mundo.
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“As pessoas sempre escolherão uma história que as ajude a sobreviver e prosperar.”