Cabeleireiro é condenado a 16 anos por espancar e matar companheira no DF


Maria dos Santos Gaudêncio foi morta a facadas por Antonio Alves Pereira, em março de 2019. Depois de cometer o crime, o homem pediu demissão dizendo que iria embora porque ‘ganhou na loteria’. Maria dos Santos Gaudêncio, vítima de feminicídio no DF e namorado acusado pelo crime, em imagem de arquivo
Polícia Civil do DF/ Divulgação
O Tribunal de Júri do Paranoá condenou, nesta quinta-feira (29), o cabeleireiro Antônio Alves Pereira, por matar a ex-companheira em março do ano passado, no Itapoã. Ele vai responder por homicídio triplamente qualificado, com pena de 16 anos de reclusão, em regime fechado.
Suspeito de feminicídio no DF disse que ganhou na loteria e pediu demissão após crime
De acordo com a denúncia, apresentada pelo Ministério Público do Distrito Federal, Maria dos Santos Gaudêncio, aos 52 anos, foi espancada e esfaqueada dentro de casa. Depois do assassinato, Antônio pediu demissão do salão onde trabalhava.
Pelo WhatsApp, ele disse ao patrão que iria embora porque havia ganhado um prêmio na loteria (veja mais abaixo). Até a publicação desta reportagem, o G1 não conseguiu localizar a defesa do cabeleireiro.
O MP informou que já entrou com recurso para tentar aumentar a pena. O homicídio triplamente qualificado da denúncia considera os seguintes fatores:
Motivação fútil
Crueldade
Feminicídio
Pedido de demissão pelo WhatsApp
Suspeito de feminicídio no DF mandou mensagem para patrão dizendo que havia ganhado na loteria
Polícia Civil/ Divulgação
Vizinhos contaram que Antônio pediu demissão do emprego porque disse ter “ganhado na loteria”. Uma mensagem de WhatsApp, enviada para o dono do salão, foi uma das pistas seguidas pela Polícia Civil do DF para chegar até ele (veja acima).
Na segunda-feira, 18 de março, o acusado escreveu para o patrão. Disse que havia deixado a chave de casa, doado as roupas e a máquina de cortar cabelo – e que iria embora.
De acordo com depoimentos dados à polícia, no sábado, 16 de março, Alves pediu para “acertar o salário”. Ele teria dito que iria para a casa de um primo que havia morrido, em Goiás. Mas uma frase do cabeleireiro chamou a atenção.
“Ele disse que estava com vontade matar alguém, sem dizer a quem se referia”, contou uma testemunha.
Mensagem de WhatsApp enviada por suspeito de feminicídio para o patrão, no DF, antes de desaparecer
Polícia Civil/ Divulgação
Em outra mensagem, enviada para o patrão, na segunda-feira – depois da morte de Maria – o cabeleireiro mostrou parte do suposto bilhete de loteria premiado. Ele explicou que ainda não tinha conferido o resultado do jogo feito na semana anterior (veja imagem acima).
O assassinato
De acordo com as investigações, durante uma discussão, em março de 2019, na casa de Maria, Antônio empurrou a namorada contra a parede. “Ela bateu a cabeça e caiu”, aponta o inquérito.
“Ele então se armou com um segmento de madeira e passou a espancá-la. Não bastasse isso, ainda buscou uma faca e passou a esfaqueá-la. Em seguida, o homem cobriu a vítima com uma manta e fugiu”, diz o Ministério Público.
Segundo parentes de Maria dos Santos Gaudêncio, no domingo, 17 de março, o casal visitou uma das filhas da vítima, em Ceilândia. Depois disso, Antônio Alves Pereira não foi mais visto.
O casal namorava há cerca de um ano e os parentes disseram que eles mantinham um “um relacionamento aparentemente tranquilo”. As filhas contaram que a mãe guardava as economias em casa, mas a polícia não encontrou o dinheiro.
Filha encontrou corpo da mãe
Polícia fechou a rua onde Maria morava, após filha achar corpo da mãe
TV Globo / Reprodução
Maria dos Santos Gaudêncio morava com uma das filhas. Foi a jovem quem descobriu o corpo.
A estudante não havia dormido em casa, no domingo. Na segunda-feira, viu que a porta do quarto da mãe estava trancada, mas disse que não tentou abrir.
Ela contou ao policiais que na terça-feira foi para a aula e só voltou a noite. A casa estava do mesmo jeito, segundo relato à polícia, mas a jovem teria sentido um forte cheiro vindo do quarto e decidiu arrombar a porta. Foi quando encontrou o corpo da mãe.
VÍDEOS: Monitor da Violência
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