Câncer de mama: 62% esperam fim da pandemia para consultas e exames

Uma pesquisa com 1.400 brasileiras a partir dos 18 anos mostra que 62% das mulheres estão esperando a pandemia acabar para retomar consultas médicas e exames de rotina para detecção de câncer de mama. Para especialistas, esse atraso pode ter impacto na doença, atrasando diagnósticos, que têm mais chance de cura quando detectados em estágio inicial.

Segundo o levantamento do Ibope, em conjunto com a farmacêutica Pfizer, o percentual é ainda mais alto a partir dos 60 anos: chegando a 73% das mulheres.

O câncer de mama é responsável por 29,7% dos novos diagnósticos de tumores malignos no Brasil e é maior do que a soma das outras neoplasias mais comuns, como tumores colorretais, de colo do útero, pulmão e tireoide. Apesar de tratável, provocou a morte de 17 mil pessoas em 2018, e a melhor forma de evitar isso é o diagnóstico precoce.

— Há um número de casos represados e deve haver aumento nos diagnósticos de casos já em estágio avançado. Por isso, esse é um outubro precioso para fazer as pessoas procurarem os serviços de saúde. É possível ir com segurança — afirma a médica Maria Del Pilar Estevez Diz, coordenadora da Oncologia Clínica do Instituto do Câncer do estado de São Paulo.

Embora médicos e especialistas compreendam o temor da população e aprovem a intenção de fazer o distanciamento social, passados sete meses, é importante cuidar de outros aspectos da saúde.

— É compreensível que tenham medo, mas é preocupante porque isso pode ter impacto sério. Não será uma segunda onda de Covid-19, mas de doenças que deixaram de ser detectadas. O câncer não faz quarentena — afirma Márjori Dulcine, diretora médica da Pfizer.

O câncer não deu trégua na pandemia mesmo. A gestora de Recursos Humanos Roberta Colodette, 42 anos, descobriu isso na última semana de março, bem no momento em que surgiu a recomendação de ficar em casa o máximo possível. Foi durante o banho, quando passava sabonete, que encontrou um nódulo.

— Faço mamografia anualmente. Se não tivesse achado nada, eu ia adiar uns meses, esperar a pandemia passar. Como eu já atrasei outras vezes — conta ela, que sofre com um agressivo câncer de mama, o triplo negativo, e desde maio vem encarando as sessões de quimioterapia para, em outubro, fazer a cirurgia de mastectomia. — Não bebo, faço esporte, tive filhos, mas ninguém está blindado. É uma doença traiçoeira que, se você demora muito tempo para descobrir, pode te levar à morte.

Para ajudar a lidar com a doença e compartilhar sua história com amigos, família e outras pessoas que precisassem de ajuda, ela criou uma página no Instagram.

— Fiquei muito assustada, no meio da pandemia, um câncer, foi muita coisa nova. Sofri muito com os efeitos da químio, mas não queria que ninguém me olhasse com pena, decidi eu mesma contar para todo mundo. Conversei com meus filhos, abri o Insta… Tudo me ensinou a viver a vida melhor que antes, tenho que aprender a viver o hoje, porque antes passava pela vida contando com a felicidade no futuro — conta Roberta.

Falta pedido de mamografia

Um quarto das mulheres com mais de 50 anos não recebe indicação para fazer mamografia e ultrassom. O dado, obtido em pesquisa do Ibope com a Pfizer, é preocupante porque é nessa fase, justamente, que o risco para câncer de mama aumenta: cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem após essa faixa etária.

No total, 25% das mulheres não recebem orientação adequada para prevenção do câncer de mama. O problema é maior nas faixas mais jovens, onde incidem 5% do total de casos.

Muitas mulheres ainda desconhecem os fatores que podem influenciar no desenvolvimento de um câncer de mama. Embora 75% acreditem que a doença esteja relacionada à herança genética, os tumores de caráter genético/hereditário correspondem a apenas 5% a 10% do total de casos.

Há coisas que não podem ser mudadas como a idade da primeira menstruação (antes dos 12 anos é considerado fator de risco) ou menopausa após os 55. Por outro lado, o estilo de vida também pode afetar o surgimento da doença.

Saiba mais sobre a doença que representa quase 30% dos tumores das mulheres

Sintomas

Alterações na pele

Mudanças no mamilo

Nódulos na mama ou axila

Saída de líquido dos mamilos

Fatores que aumentam os riscos

Excesso de peso e sedentarismo

Consumo frequente de bebida alcoólica

Tabagismo

Não ter filhos

Consumo de alimentos ultraprocessados

Hereditariedade

Fatores atenuantes

Amamentação prolongada

Gravidez antes dos 35 anos

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