Candidatos a prefeito do Recife se enfrentam em primeiro debate do segundo turno


Marília Arraes (PT) e João Campos (PSB) participaram de debate nesta quinta (19) na Rádio Jornal, no bairro de Santo Amaro. Primos de segundo grau disputam cargo de prefeito do Recife. Marília Arraes (PT) e João Campos (PSB) participaram de debate em emissora de rádio
Reprodução/WhatsApp
Os candidatos à prefeitura do Recife participaram, nesta quinta-feira (19), do primeiro debate realizado no segundo turno das eleições 2020. Marília Arraes (PT) e João Campos (PSB) estiveram lado a lado no estúdio da Rádio Jornal, localizada no bairro de Santo Amaro, área central da cidade.
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Saiba o que eles propõem para a educação
O debate foi dividido em cinco blocos, mediado pelo radialista Geraldo Freire e transmitido pela internet. O programa também contou com a participação de jornalistas escolhidos pela emissora.
O debate foi dividido em cinco blocos:
Primeiro bloco: os postulantes se apresentaram
Segundo bloco: candidatos perguntaram entre eles, com tema livre
Terceiro bloco: candidatos perguntaram entre eles, com tema sorteado
Quarto bloco: candidatos responderam perguntas de jornalistas
Quinto bloco: considerações finais
Primeiro bloco
No primeiro bloco, os candidatos se apresentaram brevemente e disseram o que pretendem fazer, caso eleitos.
Segundo bloco
Saúde
Após as apresentações iniciais da primeira etapa, o bloco começou com Marília Arraes perguntando a João Campos sobre saúde. Ela afirmou que a atenção básica do município foi sucateada e perguntou como ele vai lidar com a falta de estrutura.
Na resposta, João Campos afirmou que a atenção básica será priorizada sem deixar de lado a média complexidade. “Vamos ampliar a rede de atenção básica, focando principalmente em territórios que ainda têm uma deficiência de infraestrutura ou de equipe”, disse.
“Não vamos ficar restritos à atenção básica, que é a porta de entrada. Vamos fazer o Hospital da Criança, uma [Unidade de Pronto Atendimento] UPA Especialidades em Casa Amarela [na Zona Norte] e convênios com a iniciativa privada para garantir que o tempo ocioso da rede privada possa ser utilizado pela iniciativa pública. Com isso, cirurgias eletivas, consultas, vão ser potencializados, dando acesso para as pessoas do Recife. A média complexidade ainda é um problema no Brasil inteiro e a gente precisa enfrentar entregando a solução”, afirmou.
Na réplica, Marília Arraes disse que pretende colocar em funcionamento estruturas que já existem, mas estão desativadas, citando a proposta de criação do Hospital da Criança.
“Existe a Casa da Criança de Afogados [Zona Oeste], que está fechada há muitos anos. Existe a estrutura lá. A gente tem que cuidar do que já tem na cidade e não está funcionando, que está sucateado. Até o final do ano passado, 28 equipes não tinham médico. Nós vamos ampliar as equipes e colocar para funcionar”, declarou.
Na tréplica, João Campos afirmou que a adversária é contra a construção da obra. “Não me causa estranheza ver a candidata criticando o Hospital da Criança, afinal, o partido dela foi contra a construção do Miguel Arraes, do Dom Helder, do Pelópidas e do Hospital da Mulher”, disse Campos.
Educação
João Campos perguntou a Marília Arraes por que ela assinou uma carta se comprometendo a acabar com o Prouni Recife. Na resposta, Marília Arraes disse que assinou cartas compromisso com ressalvas, inclusive essa, e que pretende melhorar o programa de pagamento de bolsas em cursos superiores.
“A gente vai direcionar esse recurso, que já está sendo utilizado para cursos com empregabilidade, como por exemplo na área de tecnologia, que o jovem saia dele direto para o mercado de trabalho. Nós vamos otimizar o Prouni Recife. Os alunos estão tendo oportunidade, vão fazer cursos que gerem empregabilidade, que entreguem esse jovem para o mercado de trabalho e mudem a vida de uma família”, disse.
Na réplica, João Campos afirmo que o programa já formou mais de 1.500 jovens. “Nós temos o compromisso de fortalecer o Prouni Recife e ir além. Lançamos o Embarque Digital, serão 500 vagas por ano para a área de tecnologia, para garantir a empregabilidade no Porto Digital”, declarou.
Na tréplica, Marília Arraes afirmou que também vai investir na educação básica. “A gente vai acabar com essa questão da mãe ficar na fila para creche. Eu sou mãe e sei o que é ter que sair para trabalhar e deixar seu filho em segurança. Esse problema vai acabar”, afirmou.
Infraestrutura nas escolas
Marília Arraes afirmou que 70% das escolas do Recife têm problemas estruturais, como rachaduras e infiltrações, e perguntou o que João Campos acha sobre as crianças terem aulas nessas condições.
Na resposta, João Campos afirmou que a “infraestrutura educacional do Recife e do Brasil sempre vão ter o que avançar”.
“Nós temos, hoje, multiplicado por dez o número de matrículas na educação integral do ensino fundamental. Hoje, 99% das salas são climatizadas. Vamos trabalhar, sim, para melhorar sempre a infraestrutura escolar, vamos duplicar vagas de creche, fazer um robusto programa de foco na alfabetização e outro de qualificação profissional e nós vamos fazer isso junto com os professores e com os alunos”, disse Campos.
Na réplica, Marília Arraes insinuou que o adversário “não conhece a realidade do Recife”.
“Quando a gente conversa com as mães, com as comunidades, a gente vê o quanto as escolas estão sucateadas. No governo do PT, o aluno recebia material, fardamento e merenda de qualidade. Sequer estão entregando as cestas básicas para as crianças que não estão indo para a escola. […] faltam professores”, disse.
Na tréplica, João Campos disse que “vários indicadores foram alcançados”. “A gente tem o ensino integral, a escola do futuro”, afirmou.
Compaz
João Campos perguntou a Marília por que ela discorda da proposta de transformar o Centro Social Urbano Bido Krause, na Zona Oeste, em Compaz.
Marília Arraes respondeu que defende a revitalização desses locais.
“No Bido Krause, a piscina está verde, acabada. O equipamento abandonado. O Bido Krause vai ser o centro que tem que ser, vai ser revitalizado e colocado a serviço da população, com todos os equipamentos que já existem, e vai ser melhorado”, declarou.
Na réplica, João Campos voltou a defender o Compaz.
“O Compaz foi reconhecido pela Oxfam [entidade que atua em vários países para amenizar as desigualdades sociais] como o equipamento brasileiro que mais reduz desigualdade em nosso país. Nós vamos fazer do Bido Krause um Compaz, porque essa é uma ação efetiva de cidadania”.
Na tréplica, Marília Arraes disse que vai transformar o funcionamento local. “Vamos colocar cursos para os jovens saírem de lá com emprego garantido, com orientação para montar o próprio negócio, para abrir seu MEI [microempreendedor individual]”, disse.
Terceiro Bloco
No terceiro bloco, os candidatos perguntaram entre si, com temas sorteados.
Déficit habitacional
João Campos perguntou para Marília como e com que recursos ela vai cumprir a promessa de zerar as palafitas do Recife. Na reposta, Marília Arraes afirmou que pretende entregar os habitacionais que não foram finalizados.
“Durante as gestões do nosso partido, foram removidas cerca de 2 mil palafitas. Nós entregamos cerca de 8 mil unidades habitacionais, apartamentos. Nós vamos, sim, zerar as palafitas, priorizar as obras dos morros. Vamos buscar recursos no governo federal, parcerias com a iniciativa privada”, afirmou.
Na réplica, João Campos disse que “a conta não fecha” e que não é possível cumprir a promessa feita pela adversária.
“Se você pegar as 26 mil palafitas, multiplicar por R$ 81 milhões, que é o custo da faixa 1 do Minha Casa Minha Vida, dá R$ 2,1 bilhões. Em seis anos, o Minha Casa, Minha Vida colocou R$ 1,5 bilhão em Pernambuco. Você está pegando um problema que é real e dando uma solução que não é verdadeira”, afirmou.
Na tréplica, Marília Arraes voltou a afirmar que é possível acabar com as palafitas na cidade. “É possível, sim, envolvendo a iniciativa privada. Nós vamos bater com pires na mão na porta de ministro, na porta de quem for, não importa corrente política”, declarou.
Gestão Metropolitana
Marília Arraes perguntou a João Campos como unir o interesse de todas as cidades da Região Metropolitana do Recife, levando desenvolvimento para todas elas. Há, nessa área, 14 municípios, incluindo a capital.
Na resposta, João Campos afirmou que pretende liderar o debate metropolitano.
“Vamos fazer uma discussão do plano de desenvolvimento integrado, de serviços que não cabem apenas a um município. Nós temos que fazer o debate metropolitano para garantir que as cidades vizinhas também fortaleçam as suas redes. Faremos isso com diálogo, com a capacidade de unir e construir soluções”, disse o candidato.
Na réplica, Marília respondeu que “gestão metropolitana é muito importante e o Recife precisa de uma liderança para esse processo”.
“Quando fui vereadora, fui autora, propositora e presidente da Frente Parlamentar de Acompanhamento das Áreas Conurbadas, fazia articulação com municípios limítrofes, ia atrás de vereadores para a gente fazer uma mobilização conjunto. Cada cidade empurra com a barriga e as pessoas ficam jogadas”, afirmou.
Na tréplica, João Campos afirmou que pretende fazer diálogo com outras cidades. “Nós vamos dar foco na gestão metropolitana e exercer o papel político de saber unir”, declarou.
Mobilidade
João Campos perguntou o que Marília Arraes achava das faixas azuis, exclusivas para ônibus. Na resposta, Marília Arraes afirmou que “em relação à mobilidade, não há uma política voltada para quem anda de ônibus”.
“A faixa azul existe, mas não contempla quem realmente precisa ir trabalhar. Além da ampliação das faixas exclusivas, as ciclovias e ciclofaixas não vão ser um caminho de rato, que ninguém sabe para onde vai, vão contemplar aquele trabalhador que precisa da bicicleta para ir ao trabalho”, declarou a petista.
Na réplica, João Campos afirmou que também é contra a dupla função exercida por motoristas e citou uma lei que proíbe a prática. “Sobre a dupla função, foi aprovada com os votos do PSB na Câmara e o prefeito sancionou”, disse.
Na tréplica, Marília respondeu à afirmação do candidato sobre coerência na sua campanha. “O que eu tenho são apoios. Minha coligação é a mesma, meus compromissos são os mesmos”, disse.
Saneamento básico
Marília perguntou a João Campos sobre como enfrentar os desafios do saneamento. Na resposta, o candidato afirmou que vai ampliar os investimentos.
“Nós apresentamos um conjunto de propostas bem calculadas para o saneamento. Vamos aumentar em 50% a cobertura, priorizando as áreas mais pobres do Recife, as áreas de interesse social. Além do saneamento, vamos fazer a urbanização. A prefeitura vai fazer a ligação hidrossanitária, que é fazer a ligação da casa à rede coletora, que normalmente dá cerca de R$ 1 mil e é muito cara para uma família fazer. Saneamento não pode ser um privilégio”, disse.
Na réplica, Marília Arraes afirmou que vai cobrar da Companhia Pernambucana de Saneamento Compesa o cumprimento da Parceria Público-Privada firmada para o saneamento. “Vamos cobrar da Compesa o cumprimento. Vamos ampliar para 100% dos bairros a coleta de lixo, que é muito deficitária”, disse.
Na tréplica, João Campos disse que a coleta de lixo é feita em todos os bairros, mas que pretende melhorar. “Nós vamos combinar com os moradores o melhor horário para o caminhão passar”, declarou.
Quarto bloco
Neste bloco, jornalistas escolhidos pela emissora perguntaram aos candidatos. Em seguida, os candidatos puderam comentar as respostas dos adversários. O primeiro a perguntar foi o jornalista Jamildo Melo, que escolheu o tema a desigualdade social.
Na resposta, João Campos afirmou que desigualdade não se resolve rapidamente. “A gente tem elementos importantes para reduzir a desigualdade e o mais importante é a educação, que é meu eixo prioritário de vida. Nós vamos fazer a duplicação do número de vagas de creche, focar na alfabetização, na qualificação profissional, no Compaz, na assistência social, na saúde e fazer um debate em torno da geração de renda”, disse.
Em seguida, o jornalista Igor Maciel perguntou a Marília Arraes como ela vai fazer para conquistar votos de apoiadores do governo de Jair Bolsonaro.
Na resposta, Marília Arraes afirmou que “o que está em jogo é a continuidade do PSB” e que está recebendo apoios que também querem transformação na cidade. Ela disse que não pretende mudar de ideologia política para conquistar votos. “Não vou flexibilizar meus compromissos. A gente não faz de tudo para ganhar eleitor”, afirmou.
Último bloco
O quinto bloco foi dedicado às considerações finais. Cada candidato apresentou motivos para votar nele e não escolher o adversário.
VÍDEOS: João Campos e Marília Arraes apresentam propostas para o Recife
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