‘Cansamos e nos acomodamos’, diz Casagrande sobre o avanço da pandemia no ES


Para o governador, o aumento do número de casos é reflexo do comportamento da população, que relaxou com as medidas de prevenção ao coronavírus. Renato Casagrande, governador do Espírito Santo
Reprodução/ Youtube
Em pronunciamento nesta sexta-feira (20), o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), chamou a atenção dos capixabas para a pressão que o aumento de casos de Covid-19, associado à demanda causada por outras doenças, está exercendo sobre o sistema de saúde do Estado. Para o governador, o avanço da pandemia é reflexo do comportamento da população, que se acomodou e relaxou com as medidas de prevenção ao coronavírus.
“Tivemos um auge, assistimos ao mapa [de risco] ficar verde, nos cansamos de tantos protocolos e acabamos nos acomodando. Essa acomodação levou à interação, à aglomeração e ao contágio. Agora, estamos correndo o risco de ter uma maior pressão no sistema de saúde”, disse.
Durante o pronunciamento, Casagrande fez um apanhado sobre a evolução da doença no Espírito Santo, explicando que vivemos uma alta de casos nos meses de maio, junho e julho. A partir de agosto, houve uma desaceleração. Entretanto, nos últimos dois meses, os números voltaram a subir.
Na última semana, de segunda a sexta-feira, 67 pessoas morreram com a doença. Nesta semana, foram confirmados 92 óbitos.
“Os dados que a gente analisa semanalmente apontam que temos mais casos ativos nos últimos 28 dias. Há um mês e meio, estava em torno de quatro mil casos, e agora está em torno de cinco mil casos. Contagiados por dia, tínhamos chegado a 500 ou 600, e hoje estamos identificando mil por dia. A média móvel de óbitos de 14 dias, já chegamos a nove e agora estamos entre 12 e 13. A ocupação dos leitos de UTI, chegamos a 45% e estamos hoje perto de 50%”, enumerou.
Paciente é reanimado dentro da UTI para Covid-19 do Hospital Jayme Santos Neves, no ES
Reprodução/TV Gazeta
O governador reforçou que a preocupação neste momento é o fato de o Estado ter que lidar com uma carga maior de doenças e problemas de saúde – o que não aconteceu durante a primeira fase crítica da pandemia – e, consequentemente, com um aumento da demanda por leitos.
“No auge da pandemia, suspendemos cirurgias eletivas, o trânsito era reduzido, então tínhamos poucos acidentes e as crianças não iam para as escolas. Agora não, nós temos a Covid-19 e todas as outras enfermidades e problemas de acidente ou violência. A pressão sob o sistema de saúde é muito forte nesse momento”, falou.
O governador destacou que, no último mês, a maioria dos infectados eram jovem, reforçando a ideia de que esse público precisa se conscientizar. Segundo ele, mais de 60% dos positivados em outubro tinha, em média 29,5 anos. Entretanto, mais de 60% das pessoas internadas em UTI tinham mais de 45.
“Então, os jovens são mais resistentes, às vezes por isso saem mais e interagem mais. Mas, muitas vezes, os jovens acabam levando a doença para dentro de casa ou contagiando alguém de mais idade. É importante a gente ter empatia e contribua. Essa doença exige essa corresponsabilidade”, ressaltou.
No mesmo pronunciamento, Casagrande anunciou o novo mapa de risco e mudanças nas regras para o funcionamento de comércios, bares e restaurantes nos municípios classificados como risco moderado.
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