Capitão do Corpo de Bombeiros que matou motociclista em Florianópolis é investigado

Uma sindicância foi instaurada no Corpo de Bombeiros de Santa Catarina, e tramita na Casa Militar, para investigar o acidente envolvendo o Capitão Bruno Golin Sprovieri, que no dia 11 de outubro avançou o sinal vermelho e atingiu o motociclista Douglas Mafioletti Pereira, de 28 anos, que não resistiu aos ferimentos e morreu.

O acidente aconteceu próximo ao Shopping Iguatemi, em Florianópolis, e foi registrado pelas câmeras da PMSC (Polícia Militar de Santa Catarina).

Em acidente, o capitão Bruno Golin Sprovieri avançou o sinal vermelho e atingiu o motociclista Douglas Mafioletti Pereira, de 28 anos – Foto: Lê Noticias/Divulgação

Em nota, a Polícia Militar informa que “a ocorrência foi atendida de maneira técnica, seguindo todos os protocolos e procedimentos legais pertinentes ao fato”. Ainda diz que “o condutor não reagiu, tampouco fugiu do local, mas se negou a realizar o teste de embriaguez”.

Bruno Golin está afastado da corporação enquanto aguarda o fim da sindicância. Ele é ajudante de ordens na Casa Militar do governo catarinense.

Douglas Mafioletti Pereira era natural de Vacaria, no norte do Rio Grande do Sul, e estava na Capital catarinense há seis meses. De acordo com sua irmã, Dara Mafioletti, ele sempre teve o sonho de morar perto da praia. “Largou tudo e foi viver em Santa Catarina, queria novas oportunidades de emprego e sempre sonhou em ter um negócio próprio”, diz.

Dara soube do acidente através do pai de Verônica Santos, esposa de Douglas. Em seguida, o motoboy Sandro Daniel Rosa, amigo da vítima, informou mais detalhes sobre o ocorrido.

“Ele me explicou o que tinha acontecido. Recebi a informação de que meu irmão morreu por negligência de um bêbado”, afirma a irmã de Douglas. 

Na tarde desta terça-feira (27), três testemunhas, um motoboy, um coronel da Polícia Militar que estava atrás do motociclista e um motorista, foram ouvidas no inquérito, de acordo com o delegado da 5ª Delegacia de Polícia de Florianópolis, Attilio Guaspari Filho.

Guaspari conta que, segundo as testemunhas, “o capitão teria avançado o sinal vermelho e colidido com a motocicleta”.  Os depoimentos alegam ainda que Bruno teria consumido bebida alcoólica em um restaurante antes de pegar o volante e se recusado a fazer o teste do bafômetro, motivo pelo qual não foi preso em flagrante. 


O que diz a defesa

Segundo o advogado de defesa, Victor Malheiros, “o grave acidente não tem relação com embriaguez ao volante e o condutor estava em plena capacidade de conduzir o seu veículo”, disse por meio de nota.

Ele também reforçou que Golin prestou atendimento ao motociclista, acionou os órgãos públicos e permaneceu no local.

Segundo Sandro, amigo do motociclista, ao chegar no local, cerca de meia hora após o acidente, nem o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), nem a PM e nem o Corpo de Bombeiros estavam no local. O atendimento só ocorreu cerca de 4o minutos após a colisão.

Sandro também questiona o atendimento prestado à vítima. “Estavam dando mais atenção ao capitão, vendo se ele estava bem, do que a pessoa que estava acidentada”, destaca. 

O delegado Guaspari Filho afirma que “segundo registros telefônicos, o capitão Bruno ligou para a PM assim que ocorreu o acidente”, e que “outras testemunhas acionaram a PM e o Corpo de Bombeiros, mas que realmente ocorreu essa demora até chegar ao local”.

Ele não soube informar o motivo da demora do socorro e disse que deve concluir o inquérito até a próxima semana.

Casa Militar

A sindicância foi instaurada para verificar se houve indício de crime militar e de transgressão disciplinar. De acordo com o coordenador de Transporte Terrestre da Casa Militar, tenente-coronel George Ferreira, a investigação está em curso e não há como adiantar detalhes.

Em relação ao atraso no atendimento relatado por Sandro Daniel Rosa, o tenente-coronel Ferreira diz que ainda está apurando os fatos.

“Não tenho esse dado, mas tenho certeza de que o quartel fica a minutos do local da ocorrência, tenho convicção de que foi um um socorro rápido, não foi demorado”, afirma Ferreira.

Confira a nota da defesa do capitão Bruno Golin Sprovieri na íntegra:

Ao passo em que sente muito pela passagem de Douglas, a defesa de Bruno ressalta que o grave acidente não tem relação com embriaguez ao volante. O condutor estava em plena capacidade de conduzir o seu veículo, prestou atendimento ao motociclista, acionou os órgãos públicos e permaneceu no local. Em relação ao amparo, este procurador, a pedido de Bruno, desde o dia seguinte ao acidente, contatou a família e o advogado da família, se colocando à disposição para prestar todo o apoio necessário.

 

 

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