CARA DE PAISAGEM

Aquele ar de não é comigo, não sei do que estão falando.

Está aí uma expressão que não faz mais sentido, pois a paisagem nunca silenciou, nunca cruzou os braços. Ou os galhos. Ao contrário, tem quebrado os nossos galhos, assistido nossas barbaridades. Na linguagem dela, sempre se posicionou, sempre acusou as nossas patacoadas.

Só não fala a língua humanóide. Aí seria demais, assumiria o controle desta nave.

Mas tem berrado, urrado, gemido, chorado. Não precisa ser adivinho e nem telepata, nem fazer experiência com sensores e medir stress. Basta olhar com atenção, observar e comparar, ouvir os antigos, tentar entender as mudanças, e admitir que sim, muitas das nossas ações interferem negativamente no ambiente.

De bom é que também podem fazer o oposto, fazer o bem, fazê-la sorrir.

Assim como a natureza, temos a diversidade humana: temos os que fazem o bem e os que fazem o mal. E estes se dividem entre os que têm consciência ou não, os que tem ou não alternativa, os que agem ou não, os que denunciam ou não, enfim, muitas tribos. Neste colocar somente os extremos, estabelecemos o impasse, o travamento à mudança.

Serão os representantes intermediários desta massa, os silenciosos, que terão o condão de alterar este quadro. Estes, tocados e instruídos, respeitados e ouvidos, nos tirarão deste brete.

Esta energia toda, mal canalizada pela polarização, passa a ser o elemento da superação. Ao entrarem novas forças positivas, evoluiremos.

E serão as silenciosas caras de paisagem que nos salvarão, aí então fazendo jus a esta expressão tão mal formulada.

Bem, eram outros tempos, a paisagem não corria tanto risco, e nem nós.

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