Cerrado começa a se regenerar após o fim da temporada de fogo e início do período chuvoso no Tocantins


Bioma tem a característica de resistir aos incêndios se recuperar rapidamente, mas especialistas alertam que mesmo assim as queimadas precisam ser controladas. Cerrado começa a se recuperar após sofrer com queimadas
Com o início do período chuvoso e o fim da temporada de queimadas o cerrado tocantinense volta a ganhar vida. Uma área verde em Palmas que estava em cinzas há três meses voltou a ficar verde com a vegetação se reerguendo após o início das chuvas. A rápida regeneração é uma das características do segundo maior bioma do país, mas especialistas alertam que mesmo assim o fogo precisa ser controlado.
“As espécies vegetais que estão presentes estão adaptadas ao fogo. Elas evoluíram com o fogo e têm uma capacidade de regenerar, dependendo da frequência, em que ocorre esse distúrbio”, comentou o biólogo do Naturatins, Marcelo Barbos.
Em setembro quando o estado chegava aos sete mil focos, a mata nativa na região sul da capital queimou praticamente durante dois dias. Durante a queimada um filhote de veado fugiu desesperado na região do Aureny III.
A imagem foi registrada pelo morador Stepheson Sousa, que agora comemora a mudança na paisagem. “Já vejo a transformação. A gente se sente até melhor. A vegetação voltou a crescer, já está bem mais verde, já vê os pássaros cantando por aqui”, comemorou.
Vegetação brotando em solo queimado por incêndio
Reprodução/TV Anhanguera
Foram mais de 11 mil focos ao longo de 2020. Incêndios que vão provocar reflexos por mais algum tempo. Um ano depois da queimada, por exemplo, a vegetação ainda fica marcada pelo fogo. Os troncos das árvores ficam escuros, mas a casca grossa consegue proteger o interior para que a planta sobreviver.
Só que essas característica não podem salvar o cerrado se os incêndios forem frequentes. “Pode levar muitas delas à extinção, por exemplo. Se a gente continuar intensificando o fogo e esse processo pode levar até à criação de áreas de desertificação”, comentou o Jair da Costa Oliveira, doutor em recursos hídricos.
O fogo ajuda a manter o cerrado vivo, mas a queimada tem que ser controlada. “Tem muitas plantas do cerrado que necessitam do fogo para quebrar a dormência das suas sementes, para que possa perpetuar a espécie no seu habitat, mas claro que a gente deve evitar as queimadas que danificam o meio ambiente e causam o aquecimento global”, comentou o estudioso.
Os animais também sofrem com as queimadas. No Parque Estadual do Cantão foram muitos os registros de bichos fugindo assustados. A bióloga Samara Almeida acompanhou o combate às queimadas e ajudou no resgate dos animais na região.
“Eu, pela primeira vez, vi muitos cervos atravessando os rios, antas, muitas antas. Muitas capivaras. Não tem árvores para se refugiar, então eles acabam tendo que ficar mudando de um lugar para outro”, lembrou. Segundo ela, depois de extinção do fogo, ainda tem o risco das cinzas que vão parar nas águas acabando como oxigênio dos peixes.
Para manter o cerrado vivo e prosperando é preciso um trabalho conjunto com participação de cada um. “Tem que ter consciência que não deve colocar fogo aqui próximo do mato de forma alguma, nem bituca cigarro. Uma pequena faísca acontece o que aconteceu, pega fogo nessa mata em geral”, comentou o morador de Palmas.
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