Chile terá nova Constituição, indica contagem preliminar dos votos do plebiscito


Com um terço das urnas apuradas, votos a favor de novo texto constitucional representavam 77% do total. Manifestantes voltaram à Praça Itália, em Santiago, após o término da votação. Sebástian Piñera, presidente do Chile, vota em plebiscito sobre a nova Constituição do país neste domingo (25)
Marcelo Segura/Cortesia da Presidência Chilena/Handout via Reuters
O Chile terá uma nova Constituição, indicam resultados preliminares do plebiscito organizado no país neste domingo (25). Além disso, os eleitores decidiram que uma nova comissão deverá ser eleita para debater o texto constitucional.
Logo após o fechamento das urnas, centenas de manifestantes voltaram à Praça Itália, em Santiago. O local se tornou um símbolo dos protestos que tomaram o Chile em 2019 e que levaram à proposta de uma nova Constituição (leia mais sobre as manifestações no Chile no fim da reportagem).
Protesto na Praça Itália, em Santiago, neste domingo (25) de plebiscito sobre nova Constituição para o Chile
Ivan Alvarado/Reuters
No plebiscito, os eleitores responderam a duas perguntas:
“Você quer uma nova Constituição?”
“Que tipo de órgão deve redigir a nova Constituição?”
Pesquisas apontam que os chilenos querem, sim, uma nova Constituição para o país, e que o texto deve ser decidido por uma nova assembleia constitucional. O próprio presidente Sebástian Piñera admitiu que a vitória do “sim”.
“Eu acredito que a imensa maioria dos chilenos querem mudar, modificar nossa Constituição”, disse Piñera.
A atual Constituição data da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), mas sofreu emendas e modificações que a tornam bem diferente do texto formatado pelos militares décadas atrás.
Protestos no Chile
Manifestantes lotam a Praça Itália, em Santiago, neste domingo (25) de plebiscito sobre nova Constituição para o Chile
Ivan Alvarado/Reuters
A proposta de uma nova Constituição surgiu depois que protestos se espalharam por todo o Chile em outubro de 2019. Manifestações que começaram como um descontentamento pelo aumento no preço da passagem de metrô logo se transformaram em uma revolta generalizada com a classe política chilena.
Com os protestos e a violência policial, a popularidade de Piñera despencou. O presidente, então, propôs medidas paliativas para lidar com os manifestantes, até que os pedidos por uma nova Constituição tomaram corpo. Assim, com apoio do Parlamento, o Chile decidiu fazer um plebiscito para decidir se muda a Carta Magna.
A votação estava prevista para o primeiro semestre, mas a pandemia do novo coronavírus levou ao adiamento do pleito. Eleitores tiveram de usar máscaras e levar as próprias canetas para votar, como medidas de prevenção.
Mesmo com a pandemia e com a decisão de se fazer um plebiscito, os movimentos sociais no Chile não retrocederam — inclusive com cenas de violência e depredação. Na semana passada, o incêndio de uma igreja em Santiago causou revolta no país, mesmo entre apoiadores dos protestos e de uma nova Constituição. Veja no VÍDEO abaixo.
Entenda os novos protestos no Chile em 5 pontos
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