Cidades da Região Serrana estão entre as que mais registraram crimes raciais fora da capital do RJ, segundo ISP

Dados obtidos através do Dossiê de Crimes Raciais mostra que delegacias de Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo tiveram números significativos de vítimas em 2019. Araruama, na Região dos Lagos, também aparece no ranking. Um levantamento elaborado pelo Instituto de Segurança Pública do Rio (ISP-RJ) apontou que o estado do Rio de Janeiro registra em média pelo menos dois crimes de racismo todos os dias. Os dados foram obtidos através do Dossiê de Crimes Raciais.
De acordo com o levantamento, mais de 1,7 mil pessoas passaram por ataques raciais nos últimos dois anos. Os dados foram obtidos após pesquisadores do instituto analisarem mais de três mil ocorrências policiais relacionadas a racismo nos anos de 2018 e 2019.
Três cidades da Região Serrana aparecem entre os municípios onde mais foram registradas ocorrências de vítimas deste tipo de crime fora da capital fluminense, em 2019. As cidades são Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo. Outro município que teve número significativo de registros é Araruama, na Região dos Lagos.
A delegacia de Teresópolis foi a que apresentou o maior número de vítimas, com 22 registros de crimes raciais. Dentre as outras delegacias que apresentaram números significativos, destacam-se as de Petrópolis, com 17 vítimas na delegacia do Centro e 14 vítimas no distrito de Itaipava, totalizando 31 casos na cidade; a delegacia de Nova Friburgo, também com 14 vítimas; e a de Araruama, com 13 vítimas.
Apesar dos índices altos, a presidente do Instituto de Segurança Pública do Rio (ISP-RJ), Marcela Ortiz, afirmou que há subnotificação nesse tipo de crime.
“Nós acreditamos que há sim uma grande subnotificação a respeito desse crime justamente por conta do racismo ser algo tão estrutural na nossa sociedade”, disse Ortiz.
Ainda no interior do Rio, a cidade de Campos dos Goytacazes registrou 10 casos de crimes raciais em 2019 – uma redução de 5 casos em relação ao ano anterior. Já Cabo Frio, registrou 2 casos em 2019 – redução considerável em relação a 2018, quando a delegacia registrou 11 vítimas.
Perfil das ofensas
Durante a análise dos dados, os analistas do ISP realizaram a leitura de cerca de 3 mil registros de ocorrência e constaram as ofensas verbais proferidas com mais frequência contra as vítimas de racismo no estado.
Palavras como “macaca”, “macaco”, “negra”, “preto”, “preta” e “cabelo duro” foram as mais usadas pelos agressores. O que se observa nas palavras em destaque é que os aspectos que constroem o fenótipo negro (cor da pele, formato do nariz, textura do cabelo), as religiões de matriz africana e a própria herança histórica da escravização foram os elementos utilizados para a depreciação das vítimas.
O dossiê montou uma nuvem de palavras com as ofensas verbais. A nuvem pode ser consultada pela internet.
O ISP disponibilizou o Dossiê de Crimes Raciais completo na internet.
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