Com 49% dos postos de trabalho no setor público, AP tem 2ª maior média salarial do país


Mesmo com o número alto, especialista alerta para a grande concentração de renda no setor público, em detrimento de baixos salários entre quem trabalha com carteira assinada. Amapá registrou em 2019 a 2ª maior remuneração média dos trabalhadores do país
O Amapá fechou 2019 com a segunda maior remuneração média real do país entre os trabalhadores formais, segundo o Ministério da Economia. O valor foi de R$ 4.063,64, ficando só atrás do Distrito Federal, que supera os R$ 5 mil. Os dados são da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), divulgados nesta semana e referentes ao ano passado.
Apesar da alta média, o Amapá está entre os estados mais pobres do país, o que mostra a desigualdade entre cargos e trabalhadores.
O estado também tem a maior proporção de servidores estatutários do país, são 49% dos empregos formais vinculados à iniciativa pública.
Até 31 de dezembro de 2019, eram 128.736 vínculos ativos no Amapá, sendo 65.169 no regime celetista (com carteira assinada), equivalente a 50,62%; e 63.567 trabalhadores do setor público (municipal, estadual ou federal), totalizando 49,37%.
Trabalhadores celetistas (com carteira assinada) tem menor remuneração que os estatutários
TV Globo
Com a quase igualdade entre os dois regimes de trabalho, a média salarial alta no estado é motivada pelos empregos no serviço público, desequilibrando a distribuição de renda e mantendo a economia do Amapá na dependência da remuneração do funcionalismo público.
A desigualdade se mostra nos números quando comparadas a remuneração média real em cada área: na administração pública, o salário, em média, era de R$ 5.966 em dezembro de 2019. No comércio, ocupado quase totalmente por trabalhadores com carteira assinada, o vencimento médio ficou em R$ 1.611.
“Quando a gente vai além dos números e pensa nas pessoas, percebe que esse número comprova a imensa desigualdade social que convivemos no estado. Quando a gente analisa o cenário econômico, tem acesso aos altos salários pagos pelo setor público, então, com certeza essa média é alta nesse nível puxada pelos grandes salários do setor público”, pontuou Jacks Andrade, consultor e mestre em desenvolvimento regional.
Jacks Andrade, consultor e mestre em desenvolvimento regional
John Pacheco/G1
A Rais foi criada pelo Governo Federal para monitorar a situação do mercado de trabalho através da coleta de dados dos setores público e privado que ajudam na tomada de decisões para a implementação de políticas de crescimento econômico e cálculo de benefícios.
O total de vínculos empregatícios em 2019 foi 2,65% menor que em 2018. Apenas 4 estados tiveram queda no ano passado na comparação com o ano anterior. O Amapá foi um deles, o único do Norte.
A Rais mostra ainda que o setor de serviços é o maior empregador do estado, com 93,6 mil dos 128,7 mil postos de trabalho. Seguido pelo comércio (24,6 mil), construção civil (4,8 mil) e indústria (4,7 mil).
Desde 2015, o número de trabalhadores no regime de carteira assinada caiu 6%, enquanto o número de estatuários no mesmo período subiu 20%.
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