Conheça as propostas do candidato Tanah Correa à Prefeitura de Santos, SP


G1 conversou com o candidato para conhecer suas propostas com relação a temas como saúde, educação e segurança. Conheça as propostas do candidato Tanah Corrêa à Prefeitura de Santos
Incentivar o teatro de rua, valorizar os artistas santistas, intensificar o transporte aquaviário, instalar bicicletários no Centro, priorizar a saúde preventiva, investir na Guarda Municipal e promover a integração entre pais, alunos e escolas estão entre as propostas do candidato à Prefeitura de Santos, no litoral de São Paulo, Tanah Correa (Cidadania).
Tanah é diretor de teatro e tem 80 anos; seu número nas urnas é o 23. Em entrevista ao G1, ele destaca alguns pontos de seu plano de governo. “A segurança, no meu ponto de vista, não pode ser só repressiva, ela tem que ser orientativa. E para ser orientativa, ela tem que ter uma formação muito importante, que pertence à Guarda Municipal”, afirma o candidato.
O G1 Santos está produzindo uma série de entrevistas com os candidatos a prefeito das cidades da Baixada Santista. Os prefeituráveis de Santos responderam a dez questões sobre temas diversos e todos tiveram o mesmo tempo de resposta. Para acompanhar toda a cobertura, basta acessar a página especial.
Tanah Correa (Cidadania) é diretor de teatro e tem 80 anos. Ele está entre os 16 candidatos ao Executivo santista
Divulgação
Confira a entrevista completa:
Qual sua principal proposta no que diz respeito à área da saúde? Como planeja executá-la?
A minha proposta para a área da saúde é fazer, principalmente, a medicina preventiva para as pessoas mais vulneráveis, com prioridade para pessoas com mais idade e crianças. Não fazendo isso pontualmente, mas, constantemente, marcando, agendando nos bairros, conversando com os familiares, com as pessoas que residem naquela região. E procurando fazer uma prevenção à saúde, para que você não precise recorrer tanto a uma medicina curativa. Evitar que a pessoa precise fazer algum processo curativo, e para isso, intensificar constantemente a saúde preventiva. Procurando atender idosos a domicílio, fazer com que as coisas realmente sejam eficientes nesse sentido, e sejam constantes, não apenas pontual. A gente vai dividir a cidade em regiões de bairros e fazer esse tipo de agendamento junto com os moradores. Procurando fazer uma reunião para antecipar isso, para ficar uma data disponível em cada região, em cada bairro, e em cada rua, para que você possa, então, fazer essa medicina preventiva. É uma das minhas posturas. Procurar, realmente, escutar a população, escutar cada pessoa e suas necessidades.
Quais serão suas prioridades na área da educação, caso seja eleito?
Na educação, primeiro temos que resolver esse problema que está no mundo inteiro, que é a pandemia. E, também, a nossa intenção não é fazer uma coisa generalizada na cidade de Santos. É ir de escola em escola, ver exatamente a situação dos alunos, ver a situação dos professores, dos familiares desses alunos, para fazer uma programação de atividades de acordo com a decisão de cada escola. Porque os bairros têm situações diferenciadas. Uma escola na Ponta da Praia não é igual a uma escola, por exemplo, na Zona Noroeste. São coisas diferentes. A da Zona Noroeste não é igual às dos morros. Então, nós vamos procurar conversar com a população, com alunos matriculados, com os pais e responsáveis, para dimensionar exatamente o tipo de tratamento que nós vamos dar em cada escola. É lógico que essa é uma condição imediata, dessa necessidade que nós estamos tendo com relação à pandemia. Na continuidade, a valorização do professorado, conversar com os alunos, participar, realmente, de uma integração aluno e professor com o município. Ir a cada escola, conversar com professores e alunos, para direcionar uma educação participativa, para que realmente a gente possa ter uma colaboração de toda a família, de todas as pessoas, de cada escola do município.
Quais medidas devem ser implementadas para diminuir os índices de criminalidade em Santos, principalmente na região da Zona Noroeste?
A gente não pode falar que as coisas serão resolvidas de imediato, mas, o primeiro passo é sempre importante ser dado. Nós achamos que todos os problemas da população, do ser humano, a gente não pode ter uma atitude de cima para baixo. Nós temos que ter uma atitude de baixo para cima, escutando cada habitante da cidade, no seu bairro, na sua região, ver quais são os problemas maiores que se apresentam para quem mora ali. Saber exatamente quais os principais problemas da segurança. Agora, a segurança, no meu ponto de vista, não pode ser só repressiva, ela tem que ser orientativa. E para ser orientativa, ela tem que ter uma formação muito importante, que pertence à Guarda Municipal, do diálogo, da conversa, da orientação. E, também, é lógico, nós temos uma necessidade muito grande de ter conversas tanto com o governo estadual, que faz a segurança pública, como o Governo Federal, que faz a segurança, por exemplo, nos portos. Nós temos que manter diálogo com essas pessoas, para estabelecer um plano de trabalho.
O que deve ser feito para maior valorização dos trabalhadores da cultura em Santos?
Primeiro, usar intensamente todas as realizações culturais e artísticas da nossa cidade. Normalmente, quando se fala na cultura, se fala muito na área artística, por isso que eu me direcionei primeiro para a área artística. Porque a cultura é o seu comportamento em geral. É como você come, como você trata a sua saúde, é como você se veste, é como você tem as relações com as pessoas no dia a dia. Tudo isso é cultura. Na área artística, é exatamente você valorizar o que é feito na nossa cidade. Porque nós temos muita coisa boa. Não fazendo isso pontual, mas constantemente, dia a dia, de segunda a domingo, de terça a domingo, porque normalmente, para a área artística, segunda-feira seria o dia de descanso. Porque o artista trabalha na folga dos outros. Mas, nós também vamos trabalhar no momento em que as pessoas estão trabalhando. Fazer eventos em todas as áreas, por exemplo, dança, esporte, jogos de capoeira nas praças, para fazer com que o povo reconheça o valor daquele produtor artístico, daquele realizador artístico. E nós vamos ocupar os espaços vazios. Vamos falar com as quadras das escolas de samba, fazer com que ali seja intensificado o teatro. Vamos intensificar o teatro de rua. Fazer com que haja a integração da comunidade nas escolas, também. Esse objetivo da área artística é muito amplo, mas vamos procurar intensificar e valorizar o artista santista.
A falta de saneamento básico em determinadas áreas da cidade está entre os fatores que contribuem para a poluição marinha. O que deve ser feito em relação a isso?
A parte de saneamento é prioridade. Nós temos que pensar que apenas o saneamento numa região, como, por exemplo, o Dique da Vila Gilda, não vai adiantar. Nós temos que dar, também, condições de saúde para quem está na Vila Gilda. Procurar orientar corretamente tudo aquilo que vai ser feito, para que essas pessoas realmente possam ter um resultado dentro do meio ambiente. Melhorar a sua saúde, fazer esgotos, fazer com que haja limpeza de rua, tratar as pessoas que são moradores de rua de uma forma, também, com assistência social constante. Infelizmente, em Santos, hoje, prolifera o morador de rua. Que não é culpa dele. A pessoa que mora no lugar popular, não é culpa dele que mora numa favela, que mora lá no dique. Não é culpa dele. Ele está ali porque precisa, ele tem família, precisa sustentar sua família. O morador de rua deve ter tido algum problema psicológico, algum problema que precisa ser tratado, para que ele possa, realmente, voltar a corresponder como um cidadão da cidade, e nós vamos dar uma atenção especial às crianças de rua, também. Procurar aproveitar até esse pessoal que fica muitas vezes nas esquinas, fazendo demonstrações artísticas com malabares, fazer com que isso se transforme realmente numa atividade artística para contribuir com a cidade. Eles fazem isso porque realmente eles têm esse mérito artístico, querem mostrar e querem realmente receber alguma contribuição com relação ao seu trabalho.
O que a população da cidade que vive em palafitas e em cortiços pode esperar de seu governo?
Nós temos, aqui em Santos, um exemplo de um imóvel que foi construído para pegar o pessoal que mora nessas habitações coletivas. Isso não é um plano fácil de ser feito, mas, nós temos que estudar profundamente toda essa situação. Ver exatamente o encaminhamento. É lógico que nós sabemos que hoje, dentro da ilha, as condições são muito difíceis de serem resolvidas, e muitas pessoas objetivam a Área Continental. Mas, não adianta nada você fazer habitações populares na Área Continental e não dar uma infraestrutura, principalmente na área do transporte, na área de atendimento médico. Então, nós temos que pensar em tudo isso. E procurar, sim, revitalizar o Centro de Santos, procurar ver exatamente a situação de cada imóvel. Tem alguns imóveis que estão abandonados, que devem muito IPTU, então, procurar fazer uma transformação desses locais, para que você possa, justamente, transformá-las em moradias. Nos imóveis que têm dois andares, você podia fazer, por exemplo, na parte de cima, uma residência, e na parte de baixo, um pequeno comércio, um artesanato, alguma coisa que você possa até desenvolver como comércio naquele mesmo local. É um estudo profundo, para que você realmente cumpra as necessidades que a cidade tem com relação à habitação, principalmente a habitação popular. E é nisso que nós vamos nos concentrar.
Quais iniciativas estão previstas para estimular a geração de emprego na cidade?
Tudo isso que nós falamos agora vai fazer com que o emprego apareça com mais eficiência. Mas, principalmente, se houver projetos em termos já contratados, terceirizados, nós vamos procurar fazer com que haja a contratação e estimular a contratação da população santista. Por exemplo, você pode colocar por percentual. Se você tiver 100% dos trabalhadores residentes da cidade naquela obra, você vai dar 10% de desconto, por exemplo, nos impostos municipais. E com isso você estimula essas obras a terem pessoas da própria cidade trabalhando. Se houver necessidade de aperfeiçoamento com relação à necessidade daquela obra, também vamos dar cursos, oficinas e fazer palestras.
Quais seus principais planos para o setor portuário?
O setor portuário tem uma relação com o Governo Federal. Então, nós vamos ter uma necessidade muito grande de conversa com o Governo Federal, principalmente com relação àquilo que você pode contribuir na relação também de mão de obra, de trabalho, de uma situação bastante efetiva nesse sentido. Acredito eu que essa conversa será feita de imediato, também. Nós precisamos revitalizar, também, uma área do Porto. O Porto, você pega do Valongo até a João Pessoa, o começo da João Pessoa, você vê, está tudo abandonado, aqueles armazéns abandonados, tudo aquilo abandonado. E do início da João Pessoa até a Ponta da Praia, já é outra fisionomia. Então, isso tudo é muito importante que seja muito bem desenvolvido e muito bem conversado. Uma tecnologia que nós temos agora, da modernização dos portos, nós precisamos também estar atentos para isso, e nada mais pode ser feito sem ser através do diálogo com todas as áreas. E é isso o que nós pretendemos fazer. Conversar com o Governo Federal exatamente para que a gente possa ter a contribuição da zona portuária, maior contribuição da zona portuária com a cidade, não transformando apenas numa posição de expectativa ou de apenas você ficar olhando o que acontece. Intensificar, realmente, essas tratativas junto ao Governo Federal, para aperfeiçoar tudo aquilo que é necessário no Porto, que já está bastante recuperado, e darmos uma decisão, encaminhamento para essa área que está abandonada, desses armazéns, utilizando eles, por exemplo, para quadras de escolas de samba, apresentações culturais, espaços culturais, é o que nós pretendemos fazer.
Qual sua principal proposta para a mobilidade urbana e como planeja executá-la?
Eu quero primeiro ressaltar que você tem uma estratégia com relação a essa colocação de mobilidade que infelizmente a Zona Noroeste não foi contemplada até esse momento. Ou seja, o VLT [Veículo Leve sobre Trilhos], um veículo moderno de locomoção, mas que você não tem a passagem do VLT pela Zona Noroeste. Por exemplo, uma linha entre São Vicente, pela Avenida Nossa Senhora de Fátima, até o Centro de Santos, até o Valongo. Dentro da mobilidade urbana, nós pensamos muito com relação a esta parte do VLT na Zona Noroeste. Pensamos, também, em intensificar o transporte aquaviário. Santos tem tanto mar, que pode aproveitar isso. Por exemplo, onde nós temos o Dique da Vila Gilda, ali a gente podia fazer o porto do dique, com uma locomoção aquaviária até o Centro da cidade. Esse é um exemplo só que estou dando, uma das possibilidades. Com relação à Área Continental, nós temos Monte Cabrão, Caruara, Ilha Diana, intensificar, também, o transporte aquaviário para o residente desses locais, fazer com que seja realmente bastante efetivo esse transporte. E, principalmente, uma coisa que acho muito interessante, que fica uma interrogação na minha cabeça, porque até hoje isso não foi feito, fazer no Centro da cidade diversos pontos onde você vai ter bicicletários. É tão importante para o trabalhador a utilização da sua bicicleta. É só você ver, durante o fim da tarde, início do dia, aquele volume de ciclistas que vão para o seu trabalho com bicicleta. E não pode ir para o Centro da cidade. Então, fazer com que esta área central tenha bicicletários patrocinados pelo poder público. Santos é uma cidade plana. A bicicleta é o ideal de locomoção na nossa cidade. Então, bicicletários na área central da cidade para o trabalhador.
Quais ações devem ser priorizadas para estimular o aquecimento do setor do turismo?
O turismo tem que ter um aproveitamento geral de tudo o que nós temos de condição natural, que é a praia, que é o que mais é aproveitado atualmente. Mas, a população que vem para Santos para ir à praia fica até, vamos dizer assim, das 7h da manhã até as 7h da noite, no máximo, que é a hora que costuma escurecer. Então, ele precisa de uma coisa depois. E eu tenho uma intenção bastante grande de, por exemplo, fazer turismo para a pessoa conhecer a área portuária, conhecer o Porto de Santos, porque a pessoa sabe que existe o Porto, mas não sabe o que tem lá de interessante. Fazer convênio com a cidade de Cubatão, e fazer turismo no parque industrial de Cubatão. Eu acho interessantíssimo, também, e fazer realizações artísticas. Por que não voltar a Santos um local para o teatro de revista, como nós tínhamos anteriormente? Onde as pessoas chegavam nas bocas do Porto, cheias de turistas, para assistir aquelas apresentações maravilhosas do teatro de revista. Então, fazer, também, atrações artísticas no período depois do horário da praia, e fazer esses passeios para o conhecimento da parte técnica e tecnológica da nossa cidade.
Outras informações sobre as propostas do candidato podem ser consultadas em seu plano de governo, disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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