Conheça as propostas do candidato Valquirio Martins à Prefeitura de São Vicente, SP


G1 conversou com o candidato para conhecer suas propostas com relação a temas como saúde, educação e segurança. Conheça as propostas do candidato Valquirio Martins à Prefeitura de São Vicente
Equipar as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), implementar um fundo municipal de saúde, acabar com o processo de favelização, criar o Parque Ambiental Ecológico Rio Mariana e fomentar a criação de hotéis na Área Continental estão entre as propostas do candidato à Prefeitura de São Vicente, no litoral de São Paulo, Valquirio Martins (Solidariedade).
Valquirio é empresário e tem 50 anos; seu número nas urnas é o 77. Em entrevista ao G1, ele destaca alguns pontos de seu plano de governo. “A gente tem um projeto que é acabar com esse processo de favelização que se encontra nos quatro pontos da nossa cidade. As pessoas precisam ter moradias dignas”, afirma o candidato.
O G1 Santos está produzindo uma série de entrevistas com os candidatos a prefeito das cidades da Baixada Santista. Os prefeituráveis de São Vicente responderam a dez questões sobre temas diversos e todos tiveram o mesmo tempo de resposta. Para acompanhar toda a cobertura basta acessar a página especial.
Valquirio Martins (Solidariedade) é empresário e tem 50 anos. Ele está entre os oito candidatos ao Executivo vicentino
Divulgação
Confira a entrevista completa:
Qual sua principal proposta no que diz respeito à área da saúde? Como planeja executá-la?
Nossa principal proposta é investir maciçamente na saúde primária, equipando as UBSs [Unidades Básicas de Saúde], qualificando os profissionais e contratando mais profissionais para os atendimentos, tanto os atendentes como os profissionais da área da saúde, como médicos e enfermeiros. E a forma de a gente buscar recurso além do que já tem é criando um fundo municipal de saúde, através de recursos vindos de leilões dos veículos que se encontram lotando os pátios, dando despesas para o município. Das multas municipais advindas dos radares, a gente também vai estar tirando um percentual para destinar para esse fundo.
Quais serão suas prioridades na área da educação, caso seja eleito (a)?
A gente vai fazer um investimento forte na educação, dirigido a padronizar toda a educação no município de São Vicente. Também iremos criar as escolas de período integral, montando parcerias com a Polícia Militar para a chamada escola cívico-militar. Só assim a gente vai conseguir ter um ensino de qualidade, padronizado, onde nossas crianças que estiverem no 9º ano não estarão mais no período pré-silábico como hoje se encontra. Eu tenho a educação como pilar de base do nosso governo.
Quais medidas devem ser implementadas para contribuir com a diminuição dos índices de criminalidade?
Essas medidas a gente precisa enfrentar na base. 75% de nossa cidade está em área periférica. A maioria dos nossos jovens, que são os principais infratores hoje, está na periferia. Só que não adianta você ir lá e fazer a repreensão. A gente precisa ir lá para ver onde que está o problema social e levar soluções para esse problema. Parcerias com as igrejas, não só as evangélicas, mas, de todos os segmentos religiosos, para a gente abrir essas casas com atividades esportivas, culturais, socioeducativas e atividades na área de cursos técnicos. Aprofundar programas assistenciais para essas crianças. Sou contra a mão opressora do estado, só ir dentro das comunidades para oprimir, fazer com que os jovens não saiam de dentro de suas casas.
A falta de saneamento básico em determinadas áreas da cidade está entre os fatores que contribuem para a poluição marinha. O que deve ser feito em relação a isso?
A gente tem um projeto no nosso programa de governo que é acabar com esse processo de favelização que se encontra nos quatro pontos da nossa cidade. As pessoas precisam ter moradias dignas. Os nossos rios foram aterrados, construíram moradias. Hoje, a gente tem um problema muito sério na cidade, que são as enchentes, que estão a cada dia aumentando mais. Temos fatores internos e externos, mas a gente precisa acabar com esse processo de favelização e utilizar grandes áreas na própria Ilha de São Vicente, que deixaram de exercer a função social, para a gente construir moradias dignas, verticalizando e tirando esses núcleos habitacionais que se encontram a toda margem do Canal dos Barreiros e em alguns rios. Dique das Caxetas, Piçarro, Pompeba, ali tem 5 mil famílias que estão residindo, vivendo à margem de tudo. E, ao lado, tem uma área de 800 mil metros quadrados ociosa, devendo, tendo sua dívida incluída na dívida ativa do município, de mais de R$ 60 milhões, que é a área do Jockey Clube, e ninguém faz nada. Está na hora de ter atitude. Remover aquelas pessoas dali. Dar novamente a característica natural do rio e urbanizar ali, com boa vegetação, uma boa área de lazer, uma área recreativa para a nossa juventude. Tenho certeza de que isso vai contribuir muito para a qualidade de vida do vicentino.
Quais iniciativas estão previstas para estimular a geração de emprego?
Vamos interromper o processo de favelização na cidade. Iremos gerar 5 mil empregos, construindo 6 mil moradias na nossa cidade. Tenha certeza de que, no dia seguinte que a gente se sentar na prefeitura, a gente vai chamar o pessoal do Jockey para uma conversa. E aí, iremos negociar aquela área, seja na desapropriação, seja montando parceria público-privada, e o Jockey recebendo um valor justo. A construção civil será a base. Cada emprego direto que a construção civil gera, geramos mais de três empregos indiretos nos segmentos de logística, lojas, enfim. Outra ação será 500 empregos diretos através da criação do Parque Ambiental Ecológico Rio Mariana. É uma importante área que temos que foi degradada pela Rhodia do Brasil, no início da década de 1980, e até hoje eles não pagaram a conta. Essa região é um berçário de reprodução da vida marinha. Precisamos proteger. De uma forma inteligente, sábia, trazendo desenvolvimento sustentável através do turismo ecológico e da pesca esportiva.
O que os moradores da Área Continental podem esperar de seu governo?
Eu moro aqui há 34 anos, mas eu enxergo São Vicente como uma só. No passado, até pensei em separar. Eu faço parte da Comissão Permanente de Emancipação Política da Área Continental, mas hoje eu já não comungo dessa ideia. Hoje eu enxergo a cidade como um todo. E a Área Continental eu não tenho dúvida de que ela vai trazer o desenvolvimento e a prosperidade para a cidade de São Vicente. Com muito planejamento, pois não basta dizer que iremos levar indústria. A gente também não aceita mais que venham aqui criar conjuntos habitacionais só elevando a nossa densidade demográfica e sem trazer um pacote de serviços públicos que atendam à população. O que nós temos aqui já é insuficiente para atender à nossa demanda. Trazendo mais 10, 15 mil famílias para cá, como vem acontecendo paulatinamente. Isso será interrompido. Nós iremos, com um planejamento decente, com metas, fazer a criação do Parque Ambiental Ecológico Rio Mariana.
O que está previsto, em termos de política habitacional, para moradores de São Vicente que vivem em palafitas?
A gente vai interromper o processo de favelização pegando essas áreas que estão no Centro da cidade, na ilha, margeando grande parte do Canal dos Barreiros. A gente tem o Golfe Clube, que está encostado na comunidade Catarina de Moraes. É uma área gigantesca, de mais de um milhão de metros quadrados. A gente pode fazer uma permuta e trazer o Golfe Clube para a Área Continental. Aí, é questão de negociar. A gente mata dois coelhos numa cajadada só. Ou melhor, três. A gente vai ajudar muito no combate às enchentes, porque você vai conseguir desassorear os rios que foram assoreados; você vai conseguir, também, dar seguimento a algumas ruas que atravancam o trânsito; e você vai conseguir dar moradia digna para o povo, e também vai dar uma repaginada arquitetônica na cidade. Isso é muito interessante. A gente precisa acabar com as palafitas da nossa cidade.
O que deve ser feito para maior valorização dos trabalhadores da cultura?
Eu fico pensando nas aberrações que os governos anteriores fizeram com a cultura em São Vicente. A história do Brasil passa por aqui. É o berço de tudo. Nós tínhamos um teatro que virou rodoviária. Não sei qual foi a mágica que um projeto de criação de um teatro, do dia para a noite, virou um terminal rodoviário completamente improvisado. Esse tipo de coisa, essa falta de planejamento, precisa acabar. Tem que ter planejamento para as futuras gerações receberem uma cidade boa, habitável, que respire cultura. Precisamos criar um centro cultural e histórico da nossa cidade. A arte e a cultura são a identidade do povo. A maioria dos vicentinos não sabe onde fica o Porto das Naus. Um porto de um valor histórico imensurável. O primeiro porto mercantil da história da América Latina, e a grande maioria não sabe. Hoje, está lá, jogado. Seria um baita ponto turístico e cultural que todo mundo estaria visitando. Tenha a certeza de que criaremos o centro cultural e histórico de nossa cidade, ramificando para os bairros através de parcerias com a iniciativa privada.
Qual sua principal proposta para a mobilidade urbana e como planeja executá-la?
A gente está no meio de Santos e Praia Grande, e tem um grande fluxo de pessoas dessas cidades se deslocando de uma para a outra. Já está na hora de a Agem [Agência Metropolitana da Baixada Santista] funcionar, e os prefeitos trabalharem pensando nisso. A gente teve um avanço agora no Rádio Clube, numa ligação no São Manoel, mas a gente precisa estar criando pontes. A gente precisa interligar. Com aquela primeira ação da habitação, onde tem grandes áreas, a gente começa a aliviar bastante o fluxo na hora do rush, porque teremos vias secundárias de ligação entre bairros. Isso aí já vai ajudar bastante, mas isso só não basta. Tem uma proposta de projeto de um túnel para interligar Santos e a gente deixar desafogar a avenida da praia e a Avenida Nossa Senhora de Fátima. Essa proposta já se encontra há mais de duas décadas nas gavetas das cidades irmãs. Está na hora de a gente discutir isso. E eu irei tirar isso da gaveta, e vou me sentar com o Governo do Estado, com os prefeitos dos municípios da nossa região, porque nós aqui somos todos interligados. O nosso problema de mobilidade é um problema de Santos, é um problema da Praia Grande. Está na hora de a gente pensar republicano, pensar no coletivo. E uma de nossas propostas vai ser fazer essa interligação via túnel.
Quais ações devem ser priorizadas para estimular o aquecimento do setor do turismo?
Nós temos na Área Continental uma região muito promissora para o turismo ecológico. Temos cinco cachoeiras totalmente visitáveis que não são exploradas, e três grandes rios totalmente navegáveis. A criação do Parque Ambiental Ecológico Rio Mariana vai fomentar muito o turismo ecológico. É um rio de uma beleza ímpar. Nós temos uma lagoa chamada Prainha do Humaitá, que é muito linda, hoje é muito usada pelas pessoas de São Paulo que vêm fazer pesca esportiva. E ali, naquele lugar, não tem rede de hotelaria, não tem nada. A gente vai pensar em criar esses hotéis na região da Área Continental, para absorver esse turista que vem fazer o turismo ecológico e a pesca esportiva. Na ilha, nós temos uma questão histórica de São Vicente que não é retratada. Temos a baía linda e maravilhosa, o Porto das Naus, o Morro do Itararé. Nós precisamos criar um museu. A primeira cidade do Brasil não tem um museu para contar essa rica história que temos. E precisamos incrementar o setor hoteleiro. Mas, como se faz isso? Tudo isso se faz com as parcerias público-privadas. Nós iremos fomentar muito e dar segurança para o empresário firmar parceria público-privada com a cidade de São Vicente.
Outras informações sobre as propostas do candidato podem ser consultadas em seu plano de governo, disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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