Constantino: ‘A reforma tributária é o maior vespeiro que existe’

O governo federal desistiu de encaminhar a segunda etapa da reforma tributária ao Congresso ainda neste ano, diante da falta de consenso sobre a criação de um novo imposto nos moldes da antiga CPMF. O texto, que deveria ser apresentado nesta semana, ficará engavetado até o próximo ano para que a equipe do governo concentre os esforços na aprovação das PECs do Pacto Federativo e Emergencial, responsáveis pela criação do Renda Cidadã, o programa idealizado pelo governo Jair Bolsonaro (sem partido) para substituir o Bolsa Família. O tema foi discutido pelos comentaristas do programa 3 em 1, da Jovem Pan. Para Rodrigo Constantino, não existe uma alternativa boa em relação ao novo imposto. “A reforma tributária é o maior vespeiro que existe, faz a reforma previdenciária parecer fichinha, porque mexe com interesses de diversos setores da economia e mexe com os interesses do pacto federativo”, pontuou.

“A questão da CMPF, é óbvio que tem uma imagem popular muito negativa. Foi uma conquista enterrá-la e é muito duro pensar em revivê-la. Só que quando se fala de reforma tributária, para quem é realista, é sempre a escolha do menos pior. Não há uma alternativa boa. O que o governo quer é reduzir os encargos trabalhistas e precisa compensar isso com a CPMF, que seria uma carga muito baixa de 0,2% para arrecadar R$ 100, 120 bilhões, e com isso poder incorporar na formalidade do trabalho milhões de pessoas que estão invisíveis. Cada vez mais empresários com quem conversei acham que esse é o caminho menos pior, porque da forma que está, todos estão temendo um aumento. A CPMF você consegue calibrar, se arrecadou demais reduz alíquota, agora tem que combinar com o Congresso“, disse. Segundo ele, nada deve se resolver em 2020. “Alguém imaginar que vai sair um consenso viável do ponto de vista político num ano eleitoral, pós pandemia, não tem chance, mas é melhor que não mexam em nada do que mexer e piorar. Não tem essa história de que pior do que está, não fica. Sempre pode piorar. A pressa é inimiga da perfeição, tem de ter debate. Não vai sair nada nesse ano, vamos ver se em 2021 chegam a um denominador comum”, finalizou.

Para Thais Oyama, a CPMF subiu no telhado e pode ter consequências para o ministro da Economia, Paulo Guedes. “Sinaliza um enfraquecimento do Guedes. Ele é um homem obsessivo, sempre defendeu esse imposto que ele chama de ‘imposto digital’. É uma ideia da equipe dele, que já custou cabeças. Essa ideia começou a ressuscitar, ele convenceu várias pessoas para defender o projeto, mas agora parece que a CPMF subiu no telhado de novo”, disse.

Assista o programa na íntegra:

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