Consumidores apontam aumento de mais de 100% no preço do quilo do tucumã em Manaus


Fruto vendido por R$ 40, há dois meses, agora é encontrado de até R$ 100. Federação diz que meses de setembro e outubro registram queda no fornecimento do tucumã. Tucumã é um dos frutos mais típicos do Amazonas.
Ive Rylo/G1 AM
Consumidores apontam que o preço do quilo do tucumã sofreu um aumento de mais de 100% em Manaus. Vendido por R$ 40 há cerca de dois meses, agora o fruto é encontrado por até R$ 100.
O presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea-AM), Muni Lourenço, informou à Rede Amazônica que a queda na oferta e fornecimento do tucumã para a capital tem afetado os preços. A previsão é que os preços voltem ao normal a partir do final de outubro.
Lourenço explicou que mais de 20 municípios do estado fornecem o tucumã para a capital. No primeiro semestre do ano, o fruto é encontrado em abundância, mas acaba caindo no segundo semestre.
“É importante ressaltar que, já há algum tempo, se verifica uma tendência de demanda maior do que a oferta do tucumã para o mercado consumidor. Historicamente, setembro e outubro são meses em que há redução da oferta e fornecimento de tucumã”, disse.
De acordo com o presidente da Faea, o período de seca também contribui para o problema, já que grande parte do tucumã é transportado pelos rios.
“No segundo semestre, esse fornecimento tem preponderância de município localizados na calha do Rio Solimões, e, nesse momento de águas baixas, tem problema de navegabilidade”, conta.
Pelo acompanhamento do que ocorreu em anos anteriores, segundo Lourenço, é considerado que o preço do tucumã volte ao normal a partir do final de outubro, com normalização do fornecimento, oferta e preços para consumidores.
Conheça o X-Caboquinho
Falta de tecnologia
A produção do tucumã no Amazonas é originária do extrativismo, ou seja, ele é apenas coletado dos pontos onde já existem as árvores. Conforme o presidente da Faea, o estado ainda não trabalha com cultivo racional do fruto por falta de tecnologia.
“Ainda há uma carência de informações tecnológicas que possam dar segurança para o produtor rural, em termos de tecnologia, de informações sobre adubação, espaçamento, entre outros, para que haja esse plantio. Basicamente, esse fornecimento vem da coleta, do extrativismo”, contou.
Os consumidores finais
Tucumã é o principal ingrediente do tradicional “X-Caboquinho”.
Reprodução/Rede Amazônica
O presidente da Associação da Feira Municipal de Artesanato, Trabalhos Manuais e Produtos do Amazonas dos Artesãos Expositores da Avenida Eduardo Ribeiro de Manaus (AFMAPAAER), Wigson Azevedo, sentiu com o aumento do preço.
“Teve um aumento em praticamente 110%, porque há dois meses eu tava comprando tucumã de R$ 40, e hoje eu paguei R$ 100 no tucumã”, disse.
Proprietários de barracas de café da manhã são alguns dos principais afetados pela alta. Isso porque uma das principais iguarias da região tem, como ingrediente principal, o tucumã: o x-caboquinho.
“O cliente gosta de tucumã, quando não tem, ele levanta e vai embora. Não só o povo amazonense, mas os turistas também, eles gostam de experimentar e a gente sempre tem que estar com esse tucumã aqui, pra fazer com que o cliente se sinta à vontade e satisfeito”, disse Márcia Leal, dona de uma banca de café regional.
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