Consumo aumenta e sobram empregos em São Bento do Sul

“Contrata-se”. A frase está estampada em jornais, outdoors, internet, em frente às fábricas e também é falada em anúncios no rádio. A indústria de São Bento do Sul vive mais um dos seus momentos históricos. Em pleno ano de coronavírus, com todos os seus reflexos, empresas estão contratando – às vezes sem conseguir preencher as vagas – devido ao aumento da produção e expansão das atividades, fruto de uma alteração dos hábitos dos consumidores, apesar da propalada crise em nível nacional.

Uma das fábricas locais, a Móveis Katzer, tem 70 vagas em aberto no momento. Em breve, outras 30 devem ser criadas, já que a empresa está construindo uma nova ala devido à expansão. Assim, o quadro atual, de 460 funcionários, poderia estar em 530, e poderá chegar a 560 em breve.

Mas, se a questão da mão de obra não for resolvida ou minimizada, as máquinas da produção podem simplesmente ficar paradas, por não ser possível atender à demanda. Caso a nova ala já estivesse concluída e o quadro de funcionários estivesse completo, a empresa teria produção garantida até fevereiro do ano que vem. “É algo inédito em 20 anos”, registra.

Empresas que não são da área moveleiro, mas que produzem bens de consumo para uso doméstico, também estão passando por um momento incomum. A Condor, por exemplo, está trabalhando a todo o vapor para atender a demanda de mercado, que inclui limpeza, higiene bucal, beleza e pintura. As atividades seguem em três turnos, inclusive com horas extras.

Devido ao aquecimento, entre junho e agosto, a companhia fez a admissão de 230 funcionários. O processo de contratação está um pouco mais demorado, mas a empresa tem conseguido preencher as vagas. No total, a Condor possui hoje 1.547 funcionários, incluindo os que atuam em outras regiões do País.

Horário de trabalho

O superintendente da Oxford Porcelanas, Irineu Weihermann, conta que neste momento a empresa tem na carteira pedidos para serem atendidos até março de 2021. O aquecimento do mercado proporciona as possibilidades de admissões de funcionários. “Mas, neste processo de seleção, encontramos algumas dificuldades, entre elas a contratação de mão de obra masculina, a falta de preparação dos candidatos em apresentar a relação de documentos necessária para a admissão e a preferência por determinados turnos”, conta.

No caso da preferência por determinados turnos, a questão impede a empresa de contratar algumas pessoas, pois a empresa trabalha com diferentes horários na área produtiva, na embalagem e na expedição. Mesmo assim, a unidade de São Bento do Sul aumentou o número de horas extras e contratou mais de 250 pessoas. “E ainda temos 60 vagas em aberto”, informa o superintendente.

Em São Bento, trabalham 1.821 dos 2.473 funcionários do grupo, que vende 10% de sua produção para o exterior. “A estabilidade nos empregos anteriores tem um papel fundamental para a aprovação de um candidato, quanto mais experiências de curto prazo mais difícil de buscar uma aprovação. E por fim o preenchimento correto de uma ficha de emprego e a confecção de um bom currículo são características que fazem a diferença para os recrutadores da empresa”, diz.

Qualificação e estabilidade

Na principal agência de emprego da região, a RHBrasil, foi registrado um aquecimento das contratações. O diretor Geraldo Weihermann faz uma ressalva, contudo. “As dificuldades das famílias tendo que atender os filhos sem escola e creches têm sido um dos grandes dificultadores para muitas empresas poderem retornar ao mercado de trabalho”, aponta.

Segundo ele, outro fator de não empregabilidade é a falta de estudo e a rotatividade de empregos anteriores. “Os empregadores buscam qualificação e estabilidade. Por isso, muitas vezes temos pessoas procurando emprego e não encontrando, e empresas com dificuldade em fechar as vagas no perfil que desejam”, relata.

O presidente do Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário de São Bento do Sul (Sindusmobil), Fernando Hilgenstieler, atesta que indústrias de diferentes setores realmente estão contratando. “E contratando muito”, afirma. “As empresas estão ampliando suas plantas e procurando novos clientes, e mesmo para a produção para o mercado interno, apesar das dificuldades, também há contratações, embora de forma mais tranquila”, relata.

O piso da categoria moveleira atualmente está em R$ 1.311,20. Há oferta de diversas vagas de emprego também para outros setores, através do Sistema Nacional de Emprego (Sine) em São Bento do Sul. “Porém, nem sempre há profissionais disponíveis, pela falta de qualificação para a função, ou, ainda, não se deseja trabalhar, em função de estar no Seguro Desemprego ou em outro benefício”, verifica o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de São Bento, Adelino Denk, mestre em Economia Industrial.

POR:

Elvis Lozeiko (elvis@gazetasbs.com.br)

São Bento do Sul

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