Coordenador de clínica terapêutica é denunciado à Justiça por torturar paciente idoso em Sales Oliveira, SP


Ygor Valério teve a prisão preventiva decretada. Ele e outros três pacientes foram acusados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de agredir homem de 61 anos após sumiço de roupas. Idoso internado em clínica de reabilitação em Sales Oliveira (SP) apresenta sinais de violência no corpo
Polícia Civil/Divulgação
O coordenador da clínica terapêutica Life is Family, em Sales Oliveira (SP), teve a prisão preventiva decretada pela Justiça de Nuporanga (SP) a pedido da Polícia Civil e do Ministério Público.
Ygor Vinisqui Valério foi denunciado por suspeita de torturar um idoso de 61 anos, em agosto deste ano. Ele está preso desde que a vítima o denunciou após fugir do estabelecimento e ser encontrada com marcas de violência pelo corpo.
Outros três pacientes que teriam participado das agressões foram indiciados e denunciados à Justiça. O juiz Iuri Sverzut Bellesini não decretou a prisão deles, mas impôs medidas cautelares, como a proibição de contato com testemunhas e apresentação periódica ao Fórum.
À polícia, Valério negou que tenha torturado o idoso, e disse que o homem fugiu da clínica após confessar um furto nas dependências do estabelecimento. A defesa dele não foi localizada neste sábado (24) para comentar o assunto.
Interditada em agosto pela Vigilância Sanitária por irregularidades na documentação, a clínica Life is Family encerrou as atividades, segundo a polícia.
Polícia Civil prende coordenador de clínica de reabilitação em Sales de Oliveira (SP)
Divulgação / Polícia Civil
Denúncia
A vítima, que estava internada desde março para tratar o alcoolismo, foi encontrada em uma fazenda, nas imediações da clínica, após ficar dois dias desaparecida. O proprietário achou o idoso desidratado e com ferimentos pelo corpo, e chamou a família dele.
Após ser medicado, o idoso prestou depoimento à Polícia Civil e contou que havia sido torturado por dois dias porque o coordenador o acusava de ter furtado roupas e um par de tênis dele.
Como não admitiu o furto, foi levado duas vezes para fora da clínica e agredido por Valério e outros três pacientes. Na última vez, o idoso contou que teve os dedos apertados com um alicate, a cabeça mergulhada em um barril com água e apanhou com pedaços de cana-de-açúcar, para obrigá-lo a confessar.
Ainda segundo o depoimento do idoso à polícia, ele só decidiu fugir porque foi ameaçado de morte pelo grupo.
Hematoma no braço de idoso que fugiu de clínica de reabilitação em Sales Oliveira, SP
Polícia Civil/Divulgação
Investigação
O delegado André Luiz Jardini Barbosa, da Delegacia de Sales Oliveira, instaurou inquérito para apurar a denúncia. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou lesões no corpo do idoso causadas por uso de objeto contundente.
Ao longo da investigação, testemunhas disseram que ameaças por parte de Valério eram constantes.
De acordo com a Polícia Civil, os moradores, entre eles muitos idosos, eram torturados psicologicamente. Eles eram obrigados a trabalhar dia e noite em diversos setores, desde a limpeza até o corte de grama sob sol forte. Quem recusasse o trabalho era castigado.
Outros relatos de testemunhas apontam que os pacientes chegavam a ficar trancados nos quartos por até 15 dias, sem assistência médica. Os castigos passavam a ser físicos dependendo da postura do internado.
Acusações
Em outubro, a Polícia Civil concluiu o inquérito e denunciou Valério e os três pacientes por lesão corporal, cárcere privado e tortura. O Ministério Público, porém, afastou a acusação de cárcere privado, por considerar que não existem informações seguras sobre ato de privação de liberdade.
Segundo o delegado, dois deles chegaram a admitir as agressões contra outros colegas, mas negaram envolvimento nos crimes contra o idoso.
À polícia, Valério negou que tivesse torturado a vítima. Em depoimento, disse que questionou o idoso sobre os objetos desaparecidos após um interno apontar que ele era o responsável. Segundo o coordenador, o homem negou por duas vezes, mas foi advertido de que se fosse descoberta a mentira, levaria um corretivo.
De acordo com Valério, o corretivo não eram castigos físicos, mas a mudança de função na clínica, já que o idoso gostava de cuidar da horta. Ainda segundo o coordenador, o idoso fugiu após admitir o furto e dizer que iria a um canavial próximo para buscar os objetos desaparecidos.
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