Coral infantojuvenil de São Carlos canta e grava músicas em idiomas africanos


Grupo “Eu Canto Minha África” realizou homenagem por causa do dia da Consciência Negra. Crianças e adolescentes cantam e gravam músicas em idiomas africanos em São Carlos
Um coral infantojuvenil de São Carlos (SP) cantou e gravou músicas em idiomas africanos. O grupo “Eu Canto Minha África” realizou a homenagem por causa do dia da Consciência Negra.
Foram gravados cinco músicas em português e em idiomas africanos. Os vídeos estão disponíveis na página do projeto no Youtube.
A integrante do projeto e regente vocal Nara Dom contou que a ideia do projeto é passar para as crianças e adolescentes o que é o racismo estrutural existe.
“A gente precisa mudar isso e quanto mais a gente falar disso, mais força a comunidade negra vai ganhar. É ficar a nossa marca no mundo através dessas crianças, isso me deixa muito mais feliz”, disse.
Coral infantojuvenil de São Carlos (SP) cantou e gravou músicas em idiomas africanos
Paulo Chiari/EPTV
Gravações
Partes das gravações foram feitas em uma escola de música com o coral do projeto formado por crianças e adolescentes negros e afrodescendentes. Eles cantaram as música para comemorar a data da Consciência Negra.
Uma das canções que está no repertório, em idioma africano, é chamada de “Shosholoza”, de autor desconhecido. Ela significa “siga em frente” e foi adaptada.
“É importante a gente seguir adiante, seguir em frente. E essa música, ela passa isso em uma época tão dura, tão triste. E hoje em dia, ela é tão enaltecida, independente do que a gente esteja passando, siga em frente, vá em frente”, explicou Dom.
Projeto
Corral é formado por crianças e adolescentes negros e afrodescendentes de São Carlos
Paulo Chiari/EPTV
Mesmo com a pandemia, o grupo deu continuidade ao projeto, porém precisou se reinventar. As aulas e os ensaios não foram interrompidos, mas ocorreram on-line.
O produtor musical e percussionista Felipe Côrtes disse que precisou se desdobrar durante as gravações. Objetos domésticos foram improvisados como batuque, porém a tarefa foi mais prazerosa do que árdua.
“A gente ficou muito feliz porque a gente viu que estava dando muito certo. Os ritmos estavam gostosos de cantar, a gente sabia que as crianças iam gostar e a gente fez as primeiras bases e começou a enviar paras crianças pelo WhatsApp”, contou Côrtes.
O trabalho idealizado pela produtora cultural Dnize Castro começou no Centro Municipal de Cultura Afro-brasileira. Ela teve como objetivo sair um pouco do convencional.
“Ele tem a ideia de resgatar valores. Para que a criança, o adolescente que estão participando do coral, eles poderem ter contato com as suas raízes, com a sua identidade negra e poder valorizar essa identidade”, explicou a produtora.
Participantes gravam as músicas em comemoração ao dia da Consciência Negra
Paulo Chiari/EPTV
A música Olhos Coloridos não demorou a ser escolhida e fazer parte do projeto. A estudante Yasmin Santos é uma das crianças que gravou a música e contou que fica muito grata em participar do projeto.
“Me sinto lisonjeados, porque saber que em um passado os negros sofreram tanto, foram escravizados e tudo mais. Nós, independentemente da cor, do jeito que é, devemos ter essa consciência também”, disse.
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