Criadouro de animais silvestres no Sul de SC poderá continuar atividades

O TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) decidiu negar um recurso do Ibama (do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e manteve sentença que anulou um auto de infração e permite a manutenção das atividades de um criadouro comercial de animais, em Balneário Arroio do Silva.

Criadouro de animais silvestres em SC poderá continuar suas atividades – Foto: Divulgação/ND

A decisão foi proferida pela 3ª Turma da Corte, por unanimidade, em sessão tele presencial de julgamento ocorrida no dia 6 de outubro.

O caso

Um idoso de 70 anos, morador do município catarinense, obteve em 2003 licença para seu criadouro ser destinatário de animais resgatados pelo Ibama, especificamente pássaros de fauna silvestre nativa.

No entanto, em 2007, quando a autorização do criadouro expirou, o homem procurou o instituto para realizar a renovação da licença. A nova licença, no entanto, só seria emitida após o SisFauna estar completo.

Em comunicação constante via relatórios, ele entrou em contato novamente em 2011 para agendar nova vistoria dos agentes do Ibama no criadouro. Esta ainda não havia sido agendada por dificuldades de razão orçamentária do instituto.

Assim, ao telefone, o orientaram a suspender as atividades e seguir novas normas que exigiam a presença de um profissional veterinário no local, o qual foi contratado pelo proprietário do criadouro.

Porém, o estabelecimento continuou funcionando como abrigo para novos animais, bem como para os que já estavam presentes, enquanto aguardava data para vistoria e obtenção de nova licença.

Em outubro de 2013, o criadouro recebeu um auto de infração, no valor de R$ 70,5 mil, e teve as suas atividades suspensas pelo Ibama por comercializar pássaros de fauna silvestre sem a devida licença expedida pela autoridade ambiental competente. As punições foram baseadas nos relatórios de atividades enviados pelo dono do criadouro.

Julgamento em primeiro grau

Em março de 2018 o homem ingressou com a ação na Justiça Federal catarinense. O autor requisitou a anulação do auto de infração e o afastamento das sanções impostas, inclusive o impedimento de prosseguir com a atividade comercial de criadouro de animais.

O juízo da 6ª Vara Federal de Florianópolis, em fevereiro deste ano, considerando a boa fé do criador ao aguardar a vistoria do Ibama, entendeu que a não renovação da licença se deu por conta da falta de atuação da própria autarquia.

Recurso ao TRF4

O órgão ambiental recorreu da sentença ao Tribunal.

Justiça levou em consideração a boa fé do criador – Foto: Floram/PMF/Divulgação/ND

No recurso de apelação, o Ibama afirmou que o criatório autuado foi objeto de processo administrativo porque não detinha licenciamento para qualquer forma de atividade e estaria em pleno funcionamento, sendo hígido o procedimento adotado e as penas impostas.

Acórdão

A relatora do caso na Corte, desembargadora federal Vânia Hack de Almeida, após analisar o recurso, posicionou-se em favor do autor do processo e citou a sentença de primeira instância.

“Ao invés de informar, o Ibama autuou o autor, determinando sumariamente a suspensão de todas as atividades do criatório comercial que já se encontravam paralisadas. Em que pese as tentativas frustradas de regularização, foi lavrado auto de infração, tendo o autor sido comparado a um criadouro clandestino”, afirmou.

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