Decisão do Ibama de recolher brigadas de incêndios desmobiliza equipe de Goiás que atuava no Pantanal, diz associação


Segundo Ascema, supervisor e onze brigadistas do estado atuavam em combate no MT, mas já estão voltando para suas brigadas de origem. Ibama alegou dificuldade financeira para interromper trabalhos. Equipe de brigadistas que atuou no último incêndio na Chapada dos Veadeiros, em Goiás: Ibama manda desmobilizar grupos
Divulgação/Corpo de Bombeiros
A determinação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para que as brigadas de incêndios florestais interrompam os trabalhos desmobilizou ao menos uma equipe de Goiás. A justificativa do órgão federal para a medida foi a escassez de recursos.
Segundo a Associação Nacional dos Servidores de Meio Ambiente (Ascema), um grupo do estado composto por 11 brigadistas e um supervisor de brigadas, que estava em combate na região do Pantanal (MT), foi desarticulado após a decisão. Todos eles já estão voltando para suas brigadas de origem.
A Ascema informou ainda que os brigadistas de Goiás atuam, prioritariamente, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (como no incêndio no local no início do mês, que destruiu 75 mil hectares de vegetação), no território quilombola Kalunga e na Terra Índigena Avá-Canoeiros – todos no nordeste do estado.
Porém, como no estado não há, atualmente, nenhum incêndio que demande um combate ampliado, os brigadistas estavam atuando em frentes de outros estados, onde havia a demanda.
Mais cedo, a Ascema havia divulgado uma nota criticando a decisão e afirmou que “se o governo não repassa recursos, os servidores e os brigadistas não podem estar em campo, arriscando suas vidas sem o mínimo de suporte e garantias nem condições apropriadas de trabalho”.
Para justificar a decisão, o Ibama emitiu uma nota no início da tarde informando que a “exaustão de recursos” do órgão levou ao recolhimento das brigadas que atuam no combate a incêndios florestais.
Na mesma nota, o Ibama afirmou que passa por “dificuldades” desde setembro “quanto à liberação financeira por parte da Secretaria do Tesouro Nacional”. Segundo o órgão, os pagamentos atrasados somam R$ 19 milhões (leia a íntegra abaixo).
Nota do Ibama:
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) informa que a determinação para o retorno dos brigadistas que atuam no Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) acontece em virtude da exaustão de recursos. Desde setembro, a autarquia passa por dificuldades quanto à liberação financeira por parte da Secretaria do Tesouro Nacional.
Para a manutenção de suas atividades, o Ibama tem recorrido a créditos especiais, fundos e emendas. Mesmo assim, já contabiliza R$ 19 milhões de pagamentos atrasados, o que afeta todas as diretorias e ações do instituto, inclusive, as do Prevfogo.
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