Desde que a Suprema Corte dos Estados Unidos foi estabelecida em 1789, 114 juízes já serviram no tribunal. Desses, 108 foram ou são homens brancos

Edifício da Suprema Corte

Foto: Supreme Court

O próximo juiz ou juíza pode alterar a diversidade do tribunal. O presidente Donald Trump deve nomear uma mulher para suceder a juíza da Suprema Corte Ruth Bader Ginsburg, que morreu na semana passada, e disse que vai anunciar a escolha no final da tarde de sábado (26).

Veja como os dados demográficos da mais alta Corte dos EUA se acumularam desde o início.

As estatísticas da Suprema Corte desde seu início

Foto: CNN Brasil

Quatro foram mulheres

Sandra Day O’Connor, Ruth Bader Ginsburg, Sonia Sotomayor e Elena Kagan

Foto: CNN

Dos 114 juízes, 110 (ou 96,5%) eram homens.

Até 1981, a Suprema Corte só havia registrado juízes do sexo masculino. Mas Ronald Reagan prometeu que colocaria uma mulher no tribunal e, em 1981, no primeiro ano na presidência, cumpriu a promessa indicando Sandra Day O’Connor.

Antes disso, os presidentes haviam indicado mulheres para os tribunais inferiores, mas ninguém pensou seriamente em colocar uma na Suprema Corte.

O presidente Harry Truman, presidente entre 1945 e 1953, pensou em indicar uma mulher, mas os juízes da época disseram que isso “inibiria as deliberações da corte”.

Bill Clinton fez a segunda nomeação feminina ao indicar Ginsburg em 1993.

E Barack Obama nomeou Sonia Sotomayor em 2009, seguida por Elena Kagan um ano depois.

Sotomayor e Kagan permanecem na corte atual, que tem apenas oito juízes após a morte de Ginsburg na semana passada.

Três são pessoas não brancas

Da esquerda para a direita, Thurgood Marshall, Sonia Sotomayor e Clarence Thomas

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Apenas dois juízes afro-americanos, Thurgood Marshall e Clarence Thomas, serviram na corte até hoje.

A primeira nomeação (quando Lyndon B. Johnson indicou Marshall) foi apenas em 1967. Quando Johnson anunciou o nome do juiz, ele disse que achava que era a coisa certa a fazer e na hora certa para fazer.

Mas a confirmação de Thomas na corte só aconteceu décadas depois, em 1991, sob George HW Bush (Bush pai).

Sotomayor, uma das quatro juízas, é também a primeira e única ministra hispânica da história. (Alguns consideram o ministro Benjamin Cardozo,  que era português, como primeiro membro hispânico, mas ele, que na atuou na corte entre 1932 a 1938, não se qualifica de acordo com os padrões atuais do censo.)

Nenhum juiz até agora foi identificado como asiático, nativo americano ou ilhéu do Pacífico.

7% são judeus

Os EUA nunca tiveram um presidente judeu, mas oito juízes judeus já se representaram a Corte, incluindo Ginsburg e os atuais juízes Kagan e Stephen Breyer.

Em sua fundação, o tribunal era composto quase inteiramente de membros protestantes, e a maioria dos 114 juízes ao longo da história foram protestantes.

Hoje, com cinco católicos, o tribunal é mais diversificado. Neil Gorsuch, nomeado por Trump em 2017, foi criado como católico, mas agora frequenta uma igreja episcopal.

A maior parte da população dos Estados Unidos não é católica ou judia. Daqueles que são religiosos nos Estados Unidos, cerca de 23% se identificam com um desses dois conjuntos de crenças, de acordo com o Pew Research Center.

Nunca houve um juiz muçulmano na Suprema Corte.

Nenhum foi identificado como outra coisa senão heterossexual

Nenhum juiz do passado ou do presente se identificou publicamente como outra coisa senão heterossexual.

Tem havido especulações sobre alguns ex-juízes que foram solteiros ao longo da vida, mas não há evidências de que qualquer um deles fosse homossexual.

Por que diversidade na corte importa

A Suprema Corte decide sobre um conjunto diversificado de tópicos e analisa uma ampla gama de casos.

Ela dispõe sobre decisões que afetam muitos segmentos da população dos EUA, como se as escolas devem ser segregadas, se as mulheres podem fazer abortos e se as instalações públicas podem recusar serviços com base em crenças religiosas.

O tribunal ouviu casos com os quais nenhum de seus membros pode se identificar diretamente. O caso Obergefell versus Hodges, que legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, foi decidido por nove juízes, nenhum deles identificado como homossexual.

Em 2016, Sotomayor disse que o tribunal poderia ter mais diversidade.

“Uma perspectiva diferente pode permitir que se entenda mais plenamente os argumentos e ajudá-lo a articular sua posição de uma forma que todos entendam”, afirmou a juíza.

A Suprema Corte Hoje

Brett Kavanaugh
Nomeado por: Donald Trump
Chegou à Corte: 2018
Confirmação: 89 dias
Idade: 55 anos
Naturalidade: DC
Formação em Direito: Yale
Formação inicial: Yale
Religião: Católico

Neil Gorsuch
Nomeado por: Donald Trump
Chegou à Corte: 2017
Confirmação: 65 dias
Idade: 53 anos
Naturalidade: CO
Formação em Direito: Harvard
Formação inicial: Columbia
Religião: Criado na Igreja Católica, hoje frequenta a Igreja Episcopal

Elena Kagan
Nomeado por: Barack Obama
Chegou à Corte: 2010
Confirmação: 87 dias
Idade: 60 anos
Naturalidade: NY
Formação em Direito: Harvard
Formação inicial: Princeton
Religião: Judia

Sonia Sotomayor
Nomeado por: Barack Obama
Chegou à Corte: 2009
Confirmação: 66 dias
Idade: 66 anos
Naturalidade: NY
Formação em Direito: Yale
Formação inicial: Princeton
Religião: Católica

Samuel Alito
Nomeado por: George W. Bush
Chegou à Corte: 2006
Confirmação: 82 dias
Idade: 70 anos
Naturalidade: NJ
Formação em Direito: Yale
Formação inicial: Princeton
Religião: Católico

John Roberts (Presidente da Corte)
Nomeado por: George W. Bush
Chegou à Corte: 2005
Confirmação: 62 dias
Idade: 65 anos
Naturalidade: NY
Formação em Direito: Harvard
Formação inicial: Harvard
Religião: Católico

Stephen Breyer
Nomeado por: Bill Clinton
Chegou à Corte: 1994
Confirmação: 73 dias
Idade: 82 anos
Naturalidade: CA
Formação em Direito: Harvard
Formação inicial: Stanford
Religião: Judeu

Clarence Thomas
Nomeado por: George H.W. Bush
Chegou à Corte: 1991
Confirmação: 99 dias
Idade: 72 anos
Naturalidade: GA
Formação em Direito: Yale
Formação inicial: Holy Cross
Religião: Católico

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“As pessoas sempre escolherão uma história que as ajude a sobreviver e prosperar.”