Dois candidatos a prefeito do Rio declararam ter dinheiro vivo ao TSE

Dois dos 14 candidatos a prefeito do Rio de Janeiro declararam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) terem dinheiro vivo guardado no “colchão” entre os bens registrados oficialmente. Luiz Lima, deputado federal, ex-nadador profissional e candidato do PSL, possui R$ 205.835,21 em espécie, segundo ele informou no sistema do TSE. No total, o patrimônio do parlamentar é de R$ 1,537 milhão, entre um apartamento, um casa, fundos de investimento e poupança. O outro é Fred Luz, ex-CEO do Flamengo e que concorre pelo Partido Novo. Empresário no ramo do varejo, ele disse ter, em mãos, R$ 250 mil entre os R$ 4,7 milhões divulgados, incluindo dois imóveis e um carro.

“Tenho, sim, dinheiro em espécie para as situações que eu ou minha família venham a precisar. Sempre tive esse cuidado e registrei isso ao Imposto de Renda, via declaração anual. A lei não me impede de ter dinheiro em espécie, se esclarecida a origem e a origem de todo meu patrimônio é o meu trabalho no setor privado, já que nunca exerci função pública”, afirmou Fred Luz. Luiz Lima ainda não comentou o assunto. Procurada por VEJA, a Receita Federal não informou se fará algum tipo de fiscalização nas contas eleitorais de candidatos em todo o país. Em nota, disse apenas que “não comentará atos ou normas que não estejam publicados” pelo órgão.

O candidato a prefeito mais rico, no entanto, é o ex-presidente do clube rubro-negro Eduardo Bandeira de Mello, da Rede Sustentabilidade. Ele tem uma fortuna de cerca de R$ 6,1 milhões. Bandeira é dono, por exemplo, de casa, apartamento e muitas ações na Petrobras, Eletrobras e Vale. Há dois anos, quando disputou uma vaga para a Câmara Federal, em Brasília, e perdeu, Bandeira disse ter um patrimônio de apenas R$ 495,2 mil. Ou seja: ele multiplicou os bens em pelo menos 12,3 vezes. Dos candidatos que disputaram eleições passadas (2016 e 2018), todos – exceto Bandeira e Cyro Garcia (PSTU) – afirmaram ter ficado mais pobres. Cyro mais que dobrou os bens. Foi de R$ 216 mil, quando concorreu à Prefeitura, em 2016, para R$ 565 mil, com apartamentos e carro.

Bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, cantor e compositor, o prefeito Marcelo Crivella, que tentará a reeleição pelo Republicanos, afirmou à Justiça Eleitoral o encolhimento do seu patrimônio: de R$ 701,6 mil, na eleição municipal de 2016, para R$ 665,6 mil este ano. O ex-prefeito Eduardo Paes, candidato do DEM, também declarou ter menos bens em relação à disputa pelo governo do estado, em 2018: de R$ 325,6 mil para R$ 268,2 mil. Antes de registrar a candidatura, Paes trabalhava como executivo de uma multinacional. Os dois aparecem como os favoritos nas pesquisas de intenção de voto.

Embora tenha dinheiro vivo em seu poder, Luiz Lima disse ao TSE que seu patrimônio está menor. Se neste ano o deputado declarou R$ 1,537 milhão, em 2018, foi R$ 1,7 milhão. A deputada estadual Delegada Martha Rocha, postulante à prefeitura pelo PDT, divulgou R$ 1,308 milhão, com aplicação em renda fixa, imóvel e carro. Em 2018, Martha registrou R$ 1 milhão. Benedita da Silva, deputada federal que briga pela vaga no Executivo carioca pelo PT, conta com R$ 941,7 mil, entre apartamento, casa, sala comercial, dois automóveis e outros investimentos. Na última eleição que disputou, os bens da petista chegaram a R$ 1,1 milhão.

Enquanto isso, o vereador Paulo Messina, do MDB, passou de R$ 379,3 mil para R$ 319,3 mil. E a deputada federal Clarissa Garotinho, PROS, de R$ 190,9 mil para R$ 151,4 mil. Já o patrimônio da deputada estadual Renata Souza, do PSOL, caiu de R$ 73,8 mil para R$ 42 mil. A ex-juíza federal Glória Eloiza, candidata do PSC pela primeira, afirmou ter bens de R$ 1,518 milhão. Ela declarou ter uma casa financiada e dois veículos. Henrique Simonard, PCO, e Suêd Haidar, do PMB, afirmaram não ter bens.

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