Doria diz que força-tarefa para tentar recapturar André do Rap custa R$ 2 milhões a SP


Operação tenta encontrar o traficante desde a tarde do último sábado (10). Preso em setembro de 2019, ele foi solto após ter habeas corpus concedido pelo ministro do STF Marco Aurélio Mello. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse nesta sexta-feira (16), que a força-tarefa para tentar recapturar o traficante André do Rap custa cerca de R$ 2 milhões ao estado.
“A despesa para recuperar o fugitivo André do Rap, que foi liberado por um habeas corpus do ministro Marco Aurélio de Mello, representa para os cofres públicos de São Paulo cerca de R$ 2 milhões. Me dá vontade, inclusive, de mandar a conta para o ministro”, afirmou Doria durante coletiva de imprensa na tarde desta sexta-feira (16).
Quem é André do Rap, traficante que está foragido
André do Rap: veja perguntas e respostas sobre as decisões do STF
Desde o último sábado (10), mais de 600 policiais civis dos três principais departamentos de segurança de São Paulo se mobilizam para localizar André Oliveira Macedo, conhecido como André do Rap.
O traficante é considerado um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção que atua de dentro e fora dos presídios paulistas.
Ele deixou a prisão na manhã de sábado (10), após ter um habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello.
Horas depois, no mesmo dia, o presidente do STF, revogou a decisão liminar (provisória) e determinou o retorno de André à prisão. A decisão foi mantida pelo plenário da Corte nesta quinta (10).
Além de São Paulo, agentes da Polícia Federal (PF), e as polícias civis do Paraná e Santa Catarina procuram o traficante desde que ele voltou a ser considerado foragido da Justiça.
Listas de procurados
André do Rap entra na lista de mais procurados da polícia de SP
Reprodução/Polícia Civil de SP
Devido à periculosidade do traficante, que pode ter fugido do Brasil e buscado refúgio em outro país, o nome, foto e dados dele foram incluídos na lista restrita da Interpol, espécie de polícia internacional, onde estão os criminosos mais procurados do mundo. Existe a possibilidade de ele ter ido em seu jato particular até o Paraguai, a Bolívia ou a Colômbia, por exemplo.
O criminoso também passou a figurar nas listas dos bandidos procurados pelo Ministério da Justiça e pela Polícia Civil de São Paulo.
Apesar da repercussão do caso, até quarta-feira (14) a polícia ainda não havia recebido nenhuma denúncia, mesmo anônima, sobre o possível paradeiro de André do Rap. Quem tiver informações a respeito do traficante pode ligar para o número (11) 3311-3148 e o Disque-Denúncia, pelo 181. Não é preciso se identificar.
O G1 não conseguiu localizar a defesa do procurado para comentar o assunto. Ele estava preso desde setembro de 2019, quando foi encontrado num condomínio de luxo em Angra dos Reis, litoral fluminense, numa operação da Polícia Civil de São Paulo. Naquela ocasião, foi detido por tráfico internacional de drogas após ficar quase seis anos foragido da Justiça.
Soltura do traficante
Interpol vai ajudar polícias brasileiros que tentam capturar André do Rap
O ministro do STF Marco Aurélio Mello soltou André do Rap após atender pedido da defesa do traficante, que alegava que seu cliente estava preso desde o final do ano passado sem uma sentença condenatória definitiva por causa da prisão preventiva no estado do Rio de Janeiro. E que isso, segundo a defesa, excedia o limite de tempo previsto pela legislação brasileira.
A legislação processual brasileira mudou em 2020, com o pacote anticrime, determinando que prisões provisórias sejam revistas a cada 90 dias para verificar se há necessidade de manutenção da prisão, o que, segundo Mello, não ocorreu no caso de André do Rap.
Ele estava preso por duas condenações em segunda instância por tráfico internacional de drogas, com penas que totalizam 25 anos, nove meses e cinco dias de reclusão em regime fechado.
Mas Mello também já havia dado habeas corpus em favor de André do Rap nesses dois processos. Sendo que em um deles ainda não havia trânsito em julgado. Diante disso, o ministro entendeu que ele deveria ser solto imediatamente.
Levantamento feito pelo G1 mostra que o ministro já mandou soltar quase 80 presos usando o mesmo critério de André do Rap.
Mas com a decisão de Mello, ele deixou a Penitenciária de Presidente Venceslau, no interior paulista, pela porta da frente no sábado passado. À noite, ele já era procurado pela polícia paulista, após Fux reverter a decisão e determinar sua prisão, mas não foi localizado nos endereços que forneceu à Justiça para ser solto.
Fuga para o exterior
Polícia Civil apreende lancha de luxo ligada ao traficante André do Rap em Ilhabela, SP
Divulgação/SSP
Para o Ministério Público (MP) de São Paulo, o traficante pode ter deixado a prisão, viajado até Maringá (PR) e embarcado para algum país da América do Sul que faz fronteira com o Brasil.
Promotores e procuradores disseram que já tinham pedido à Justiça a manutenção da prisão de André do Rap. Mas após a decisão de Mello soltá-lo, a polícia não pôde seguir os passos do traficante porque, ao sair da prisão, ele era um homem livre.
Mas, por se tratar de um criminoso perigoso, os serviços de inteligência monitoraram à distância, a movimentação dele e têm a certeza de que o traficante usou um avião particular para fugir do Brasil.
STF mantém prisão
STF forma maioria a favor da manutenção da prisão de André do Rap
Na quarta-feira (14), a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal votou pela manutenção da prisão de André do Rap. Eles entenderam que não é possível soltar um criminoso considerado de alta periculosidade e que já havia fugido antes.
O promotor Lincoln Gakiya, que investiga a ação do PCC, e o delegado Fabio Pinheiro Lopes, que coordenou a operação que prendeu André do Rap em 2019, afirmaram durante a semana que será muito difícil conseguir prender o traficante novamente.
“Impossível não é, mas vai ser difícil”, afirma Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público.
“Para nós foi um banho de água fria. Ele usa várias empresas de fachada, então, para conseguir capturá-lo de novo, vamos ter uma grande dificuldade. Ele é o maior atacadista de cocaína do país”, diz Pinheiro Lopes, delegado e diretor do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa.
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