Dupla que matou estudante em bloco de pré-carnaval no DF é condenada a mais de 28 anos de prisão


Matheus Barbosa, de 18 anos, foi esfaqueado em fevereiro deste ano. Cabe recurso, mas acusados não poderão recorrer em liberdade. Matheus Barbosa, jovem brasiliense morreu em bloco de pré-carnaval no DF
Instagram/Reprodução
A Justiça do Distrito Federal condenou os dois acusados de matar o estudante Matheus Barbosa, de 18 anos, durante um assalto no bloco de pré-carnaval “Quem chupou vai chupar mais”, em fevereiro deste ano. Yhorran Brunner Rodrigues Dias foi sentenciado a 29 anos e oito meses de reclusão. Já Maikon Soares Catuaba teve a pena fixada em 28 anos e quatro meses de prisão.
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A decisão é de primeira instância e cabe recurso. No entanto, o juiz determinou o cumprimento da pena em regime inicialmente fechado e negou a possibilidade de os acusados recorrerem em liberdade. Até a última atualização desta reportagem, o G1 tentava contato com a defesa da dupla.
O bloco de pré-carnaval onde o crime ocorreu foi realizado na área externa do Museu da República. Matheus foi esfaqueado no tórax e na cabeça e chegou a ser levado ao Hospital de Base do DF, mas não resistiu. Um dos suspeitos foi preso em março e o outro, em abril (relembre abaixo).
O caso foi registrado como roubo qualificado e, por isso, não foi julgado pelo tribunal do júri, como ocorre em casos de homicídio. Além do latrocínio contra Matheus, os acusados também foram sentenciados pelo roubo de celular de uma jovem, no mesmo dia, e por corrupção de menores.
Acusação e defesa
Velório de Matheus Barbosa, morto em bloco de pré-carnaval no DF
Afonso Ferreira/G1
Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público do DF, no dia do crime, os dois acusados se uniram a outros dois adolescentes de 17 anos para realizar assaltos no bloco. Primeiro, eles roubaram o celular de uma jovem, depois de ameaçá-la com um canivete.
Em seguida, de acordo com a acusação, o grupo tentou roubar a mochila de Matheus Barbosa. “O denunciado Yhorran Brunner tentou subtrair a mochila que a vítima carregava. Na ocasião, o ofendido não entregou de imediato o bem, então foi agredido por facadas, golpes de martelo e pontapés até cair ao chão desfalecido, momento em que continuou a sofrer as agressões. Após as referidas agressões, o grupo evadiu-se do local do fato”, diz a denúncia.
A Polícia Civil chegou aos suspeitos depois que foram divulgadas nas redes sociais gravações em que aparecem envolvidos em uma confusão durante a festa (assista abaixo). A jovem que teve o celular roubado também reconheceu os acusados.
Briga em bloco de pré-carnaval no DF
Em depoimento à Justiça, Yhorran Brunner confirmou ter ido ao bloco e disse que se envolveu em uma briga no local, mas negou ter tentado roubar ou matado Matheus Barbosa.
A versão é similar à apresentada por Maikon Soares Catuaba, que também disse não ter envolvimento no crime. As defesas dos dois acusados pediram a absolvição deles por falta de provas.
Decisão do juiz
Para o juiz Omar Dantas Lima, os depoimentos das testemunhas e os indícios apresentados são suficientes para indicar que os dois acusados são responsáveis pelo crime.
“As declarações da vítima e da testemunha de acusação são coerentes e uníssonas. É sabido que nos crimes contra o patrimônio a palavra da vítima possui especial relevância, especialmente quando corroborada com as demais provas dos autos, incluindo o depoimento prestado por policial, o qual possui fé pública.”
De acordo com o magistrado, a dupla agiu “com unidade de desígnios, no objetivo comum de subtrair bens alheios, mediante violência e grave ameaça, com emprego de armas brancas.”
‘Morreu por nada’
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Matheus era morador do Jardim Mangueiral, em São Sebastião, onde vivia com a mãe e o irmão. Ele estava no ensino médio e há pouco tempo havia concluído um curso de barbeiro. Segundo a família, dividia o tempo atendendo clientes na Asa Norte e competindo como atleta de jiu jitsu.
“Ele morreu por nada. Não fazia mal a uma mosca, amava a família. Queremos justiça!”, lamentou, à época, a irmã do jovem, Rayssa Barbosa.
A festa onde o crime ocorreu foi marcada por brigas e depredação de vagões do metrô. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), pelo menos seis pessoas foram esfaqueadas durante o evento. À ocasião, a Administração do Plano Piloto informou que o bloco não tinha alvará para sair às ruas.
Monitor da violência: veja todos os vídeos
Matheus Barbosa, jovem brasiliense morreu em bloco de pré-carnaval no DF
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