É possível rastrear a localização de onde mensagens do WhatsApp foram enviadas mesmo se o celular não tiver chip?


Tira-dúvidas explica a relação do WhatsApp com o número de telefone e dos serviços de internet com a localização. Se você tem alguma dúvida sobre segurança da informação (antivírus, invasões, cibercrime, roubo de dados etc.), envie um e-mail para g1seguranca@globomail.com. A coluna responde perguntas deixadas por leitores às quintas-feiras.
Rastreamento da localização de contatos pode ser realizado pelos dados cadastrais do assinante da conexão, mesmo quando informações de GPS estiverem indisponíveis.
Buffik/Pixabay
Gostaria de saber: pelo número da linha usada em um WhatsApp, mesmo que o celular não funcione chip (só funcione em Wi-Fi), tenho como saber a localidade de onde as mensagens foram enviadas? – Hans
Esta pergunta é muito confusa, então vamos separar um pouco as coisas.
Em primeiro lugar, nada será possível “só com o número” – o número é necessário para iniciar o processo de rastreamento, pois as contas no WhatsApp são identificadas pelo número do telefone.
Contudo, a conta do WhatsApp por si só não têm nenhuma relação com a linha de telefonia ou com a operadora.
Entenda o cenário em detalhes:
O ‘número’ do WhatsApp permite identificar a conta do WhatsApp: O WhatsApp registra as conexões ao serviço feitas pelos usuários (quando você baixa novas mensagens, por exemplo, isso exige uma conexão ao serviço). O endereço IP pode ser usado para identificar o assinante de internet do Wi-Fi usado para se conectar ao WhatsApp, mesmo que o celular não tenha chip ou até use um chip de um número diferente do cadastrado no WhatsApp. Como esse assinante tem um endereço cadastrado no provedor de internet, você pode chegar a um “local” aproximado de onde as mensagens foram enviadas.
A operadora pode ter informações, apesar do aparelho não ter chip: mesmo que o chip tenha sido cancelado pela operadora, ele teve que funcionar em algum momento para permitir o cadastro da conta do WhatsApp. Dessa forma, é possível resgatar as informações do dono daquele chip antes do cancelamento. Dependendo da situação, a operadora pode saber o endereço físico cadastrado pelo dono da linha.
A ‘localização’ não é identificada, mas sim a conexão: o WhatsApp não registra a localização das mensagens e é geralmente desnecessário associar informações de uso de rede móvel e WhatsApp para identificar a localização. É a identificação do serviço de internet que permite estimar o local de envio das mensagens, ou mesmo o responsável por elas.
Serviços de VPN vão dificultar esse tipo de rastreio. Serviços do tipo “VPN” adulteram o endereço IP usado nas conexões e vão impedir esse tipo de rastreamento diretamente pelo provedor. Mas alguns serviços de VPN podem ceder dados dos usuários e revelar o endereço de IP verdadeiro.
Em outras palavras, não é correto prender-se à ideia de rastrear a “localização” das mensagens. O que será identificado é o serviço de internet utilizado – e isso será feito pelos dados cadastrais mantidos pelos provedores de internet.
Nenhuma dessas informações é fácil de ser obtida. É preciso obter autorização na Justiça, com uma investigação fundamentada.
Ou seja, é preciso haver um motivo (um ato ilícito ou crime) que justifique a obtenção desses dados. Após o primeiro passo solicitando dados ao WhatsApp, será necessário obter as informações dos provedores de acesso à internet responsáveis pelos endereços de IP.
Se a operadora de telefonia tiver dados cadastrais da linha, o caminho é um pouco mais curto.
Caso você esteja recebendo ameaças ou outras mensagens que constituem crimes, denuncie à polícia.
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