Considerada a porta de entrada da cidade de São Paulo, a Zona Norte abriga o maior terminal rodoviário da América Latina, o do Tietê. Na região, também está o Complexo do Anhembi com o Sambódromo, onde acontecem os desfiles das principais escolas de samba do Carnaval paulistano. O futuro do Anhembi é um dos principais desafios que o próximo prefeito ou a próxima prefeita vai ter enfrentar. Desde 2017, a prefeitura tenta passar o complexo para a iniciativa privada, mas um dos obstáculos é o preço mínimo estabelecido pelo Tribunal de Contas do Município (TCM). No leilão realizado em agosto do ano passado, o TCM estipulou o valor de um R$ 1,4 bilhão, mas não houve interessados. É na região também que fica um dos principais aeroportos do país. Há anos, o Campo de Marte vive uma disputa entre os governos municipal e federal. A prefeitura quer transformar o local em parque, enquanto o governo federal prefere inserir esta área de privatizações, com leilão previsto para 2022. O aeroporto é marcado pelos diversos acidentes com vítimas fatais que aconteceram nos últimos anos. O mais recente aconteceu em julho deste ano, uma aeronave de pequeno porte caiu e pegou fogo próximo ao local. Uma pessoa morreu. Na avaliação do urbanista Valter Caldana, se os impasses envolvendo o Sambódromo e o Campo de Marte forem resolvidos, a região terá um enorme potencial de crescimento. “Nós vamos ter uma revolução no uso e oculado do solo da cidade. Sendo que essa região do Campo de Marte e do Anhembi é o centro geométrico da região metropolitana de São Paulo. Ou seja, a nova centralidade de São Paulo estará lá”, avalia.

Assim como as outras regiões da capital paulista, a Zona Norte é repleta de contrastes. Ao mesmo tempo em que Santana exerce essa influência comercial e cultural na região, existem regiões carentes de infraestrutura adequada. A Carmem Praxedes, conta que no começo deste ano foi inaugurada uma Unidade de Pronto Atendimento na Vila Nova Galvão. A Upa fica dentro do Hospital São Luiz Gonzaga e estava prometida para ser entregue em 2018. “Agora que a gente conseguiu, com muita luta dos conselheiros, uma UPA. Tudo aqui é sacrifício”, afirma a moradora. Outro problema de quem mora no extremo da Zona Norte é a mobilidade, como explica o urbanista Nabil Bonduki. “A mobilidade entre bairros, porque não tem conexões diretas que ligam os bairros nos sentidos leste e oeste”, explica o especialista. É essa dificuldade que a estudante de direito Aline Ribeiro enfrenta diariamente. Ela mora na Brasilândia e gasta cerca de quatro horas por dia para se deslocar até o estágio, que fica no Butantã, Zona Oeste da capital. “Ou seja,  eu pego três ônibus, um trem e um metro. Tem um impacto muito grande porque eu ainda estou na faculdade, então depois que saio do escritório tenho que ir para a faculdade para voltar. Então se tivesse uma disponibilidade de transporte um pouquinho melhor [ajudaria], porque não é longe, só é inacessível.”

*Com informações da repórter Nicole Fusco