Em 12 anos, presença de chumbo nos dentes de crianças cai 60% em Ribeirão Preto, mas ainda é alta, diz USP


Metais pesados no organismo podem provocar alterações comportamentais e problemas neurológicos, de acordo com biólogo. Alimentos mal lavados e tinta de brinquedos carregam substância. Pesquisa da USP de Ribeirão Preto encontra chumbo no esmalte dentário de crianças
Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) constatou queda de 60% na presença de metais como chumbo nos dentes de crianças de Ribeirão Preto (SP). A quantidade, no entanto, ainda ultrapassa o limite adequado à saúde, de acordo com especialistas.
O biólogo e pesquisador Renê Seabra Oliezer, que conduziu o estudo, diz que os metais podem provocar alterações comportamentais nas crianças – como irritação – e, em casos de alta exposição, problemas neurológicos como perda de visão, audição e coordenação motora.
Oliezer explica que a presença de chumbo no esmalte dental não pode ultrapassar 300 partes por bilhão (ppb). O índice de 2020, de 514 ppb, é menor do que os 1.335 ppb encontrados em 2008, quando a pesquisa foi feita pela primeira vez pela Faculdade de Odontologia, mas ainda representa risco à saúde.
“A maioria dos brinquedos importados é pintada com tintas que podem ter uma quantidade maior de chumbo, além de alimentos com praguicidas que não são bem lavados, água poluída e tintas de pintura de residência, que ainda têm chumbo”, diz Oliezer.
Presença de chumbo no dente pode ser prejudicial à saúde, diz pesquisador de Ribeirão Preto
EPTV/Reprodução
Redução da exposição
A queda de 60% pode estar relacionada a mudanças no padrão de consumo dos seres humanos e em políticas públicas a respeito do descarte de baterias e equipamentos industriais que têm chumbo na composição, de acordo com o pesquisador.
“As crianças estão menos expostas. Antigamente, a gente tinha vários produtos à base de chumbo que eram comuns serem usados em casa, no dia a dia, como a gasolina. Hoje, com algumas mudanças em políticas públicas, teve diminuição no uso do chumbo”, diz Oliezer.
Presença de chumbo em dentes de crianças diminui em Ribeirão Preto, mas índice ainda é alto, diz pesquisa da USP
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Dentes de leite analisados
A pesquisa, conduzida na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL), analisou o esmalte de 80 dentes de leite de crianças com 7 ou 8 anos, nascidas entre janeiro de 2010 e maio de 2011. Além do chumbo, Oliezer encontrou manganês, zinco, arsênio, cádmio e mercúrio nas amostras.
O biólogo fez um recorte geográfico do estudo e constatou que as crianças que vivem em bairros das zonas Leste e Norte têm índice mais alto de contaminação nos dentes, o que pode ocorrer por meio da ingestão ou da inalação dos metais.
“A gente vê que na zona Norte tem muito ferro velho, que deixam as peças a céu aberto, e as crianças que moram nesta região acabam se prejudicando mais”, diz o biólogo.
O próximo passo do pesquisador, durante o doutorado que iniciará em breve, é relacionar os índices de contaminação por cada região da cidade a dados socioeconômicos, com objetivo de identificar quem está mais exposto à intoxicação.
Biólogo pesquisa índice de contaminação por chumbo em dentes de crianças em Ribeirão Preto
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