Em áudio, suspeito de chefiar quadrilha de estelionatários preso em operação diz que não usa cartões de crédito básicos


Reginaldo Neuber e outras quatro pessoas foram presas nesta quinta (15) em uma operação da Polícia Civil; suspeito de Curitiba afirma que precisa de cartões gold, black e platinum. Polícia Civil prende em Curitiba um dos maiores estelionatários do país
Um homem suspeito de chefiar uma quadrilha de estelionatários diz em um áudio, obtido com exclusividade pela RPC, que não usa cartões de crédito básicos e afirma que precisa de modelos gold, black e platinum.
Reginaldo Neuber, de 35 anos, considerado pela Polícia Civil como um dos maiores estelionatários do país, foi preso na manhã desta quinta-feira (15), em Curitiba, em uma operação.
Outras quatro pessoas suspeitas de integrar a quadrilha também foram presas em São José dos Pinhais e em Goiás. Dez mandados judiciais foram cumpridos nesta quinta.
“Não precisa ser ‘full ‘ pra mim, né? Você sabe que não utilizo ‘cc full’ [cartão de crédito básico], mas o negócio que eu preciso é que seja ‘cc’ tipo top, acima de gold, platinum, black, essas coisas assim”, diz o suspeito.
O áudio do suposto chefe da quadrilha é uma resposta a outro estelionatário, segundo a polícia. Esse homem oferece cartões de crédito a Neuber. “Coloca nessa aí, patrão. Se precisar de mais algum ‘cc’ aí, alguma coisa aí, tu diz que eu tô com umas aqui, filé”, afirma em áudio.
De acordo com a polícia, Neuber é um programador experiente que montava sites falsos para todo tipo de negócio. Ele ficava com o dinheiro e com os dados dos cartões, que eram usados pela quadrilha e negociados em um mercado paralelo.
A polícia identificou vítimas do esquema país afora. A maioria dos cartões usados indevidamente já foi cancelada. O grupo deve responder por lavagem de dinheiro, associação criminosa, falsificação de documentos, estelionato e invasão de dispositivos.
Mandados foram cumpridos em Curitiba, São José dos Pinhais e em Goiás
Divulgação/Polícia Civil
Segundo a polícia, o suposto chefe da quadrilha havia sido preso em abril e respondia em liberdade por fraude na venda de produtos médicos. Na época, em meio à pandemia, ele matinha um site falso em que oferecia respiradores, máscaras e álcool em gel.
Curso para estelionatários
A perícia nos computadores e no celulares dele revelou que ele também passou a ensinar o ofício. Neuber montou um curso na internet para ensinar os golpes que aplicava. Dois dos presos na operação foram alunos dele, em Goiás, informou a polícia.
“Teve muitos interessados, sobretudo porque ele cobrava um valor baixo para ministrar o curso, mas ele cobrava uma porcentagem de 30% para cada golpe bem sucedido desse novo estelionatário”, afirmou o delegado Guilherme Luiz Dias.
Conforme a investigação, a organização criminosa obteve ao menos R$ 100 mil de vantagem indevida em cima de empresas e pessoas físicas do Paraná, São Paulo e Santa Catarina.
Os demais investigados são suspeitos de gerenciar o suporte a outros estelionatários, vítimas e sites fraudulentos criados pelo líder do bando, com apoio de estelionatários de São Paulo e Ceará.
A reportagem não localizou a defesa de Reginaldo Neuber.
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