Em meio à pandemia, mulheres desempregadas se unem para criar associação de empreendedorismo em Ferraz de Vasconcelos


Associação de Mulheres Empreendedoras teve início com um grupo em aplicativo de mensagens e se tornou uma rede com 35 barracas e uma feira todas as semanas. Atualmente cerca de 50 mulheres participam da Associação de Mulheres Empreendedoras de Ferraz de Vasconcelos.
Joel Miranda/Divulgação
Foi no meio da crise financeira gerada pela pandemia do novo coronavírus, que um grupo de mulheres de Ferraz de Vasconcelos resolveu se juntar para conseguir uma renda vendendo diversos produtos em uma feira.
A Associação de Mulheres Empreendedoras teve início com um grupo de WhatsApp e se expandiu para as redes sociais. Agora se tornou uma rede com 50 empreendedoras, com 35 barracas e uma feira todos os sábados.
Também há uma fila de espera com aproximadamente 40 mulheres, de acordo com a presidente da associação, Márcia Andréia da Silva, o objetivo da iniciativa era ajudar as mulheres que estavam desempregadas.
“Ano passado estávamos desempregadas e, com a pandemia, a situação piorou. Então algumas amigas vieram me procurar para nos juntarmos e vendermos nossos produtos. Fiz uma busca na internet e encontrei a opção de criar a associação. Depois fizemos um grupo e vendíamos os produtos entre nós, para uma ajudar a outra e as vendas aumentarem”, conta a presidente.
Com três meses de projeto, as mulheres empreendedoras passaram a fazer várias atividades, como bingos e rifas. O objetivo era arrecadar uma quantia em dinheiro para investir nas barracas.
No dia 17 de outubro, a associação realizou uma feira de lançamento. De acordo com a presidente, cerca de 600 pessoas passaram pelo evento ao longo do dia. Para proteger contra o coronavírus, o evento foi realizado em um espaço aberto e as barracas disponibilizavam álcool, segundo a organização. O uso de máscara também era obrigatório no local.
“A grande maioria das mulheres já vendia algum produto, mas agora nos juntamos para vendermos na rua e divulgarmos mais o nosso trabalho. Para realizar o evento, fomos orientadas pela Secretaria de Saúde”, explica Márcia Andréia da Silva.
Nas redes sociais da associação, as vendedoras postam vídeos caseiros e fotos divulgando os produtos, como artesanatos, roupas, acessórios e alimentos. Já a feira é realizada todos os sábados, das 8h às 17h, na Praça Afonso Carlos Fernandes, na Vila Maria Rosa.
Feira da Associação de Mulheres Empreendedoras é realizada todos os sábados, das 8h às 17h, na Praça Afonso Carlos Fernandes.
Joel Miranda/Divulgação
O objetivo, segundo a presidente, é despertar nas mulheres o espírito empreendedor. “Eu conversava com as mulheres e elas falavam que estavam sem renda, precisando ajudar em casa. Isso mexe com a autoestima da mulher. O projeto ajuda muito as mulheres a aumentarem a autoestima, tendo uma renda própria, com a venda de seus produtos”, ressalta Márcia Andréia da Silva.
Karina Silva Burgoa, de 26 anos, gostava muito dos itens infantis. Desempregada no meio da pandemia do novo coronavírus, ela resolveu vender roupas infantis para ter uma renda e ajudar nas despesas da casa. “Eu comecei a vender quando entrei para a associação, antes eu não vendia. Agora eu compro no atacado e ofereço para os clientes”, conta.
Atualmente, ela divulga os produtos nas redes sociais, mas também nas barracas em dia de feira. “Eu estou adorando, está dando super certo. Não pagamos taxa, pois cada uma tem sua barraca e vende os seus produtos. Para conseguir as barracas, todas ajudaram e isso foi ótimo”, relata Karina Silva Burgoa.
Quem também resolveu abraçar a ideia de formar uma associação foi a jovem empreendedora Bárbara de Freitas Rodrigues, de apenas 18 anos, que vende doces caseiros. “Eu vendia doces na rua e em casa, então recebi o convite para participar. Minha mãe é cozinheira e eu sempre tive facilidade para trabalhar com os alimentos, mas me identifiquei mais com os doces e estou vendendo há 4 meses”, conta.
Para a jovem empreendedora, além de visibilidade a associação trouxe qualificação. “As associadas receberam um curso de capacitação e empreendedorismo do Sebrae. Somos muito unidas e isso motiva todo o grupo. Também tem a questão de estarmos legalizadas, no nosso espaço, sem medo da ilegalidade. Sem contar a parte da autoestima, que também é trabalhada, porque somos independentes”, ressalta Bárbara de Freitas Rodrigues.
Já Vanessa Savóia, de 42 anos, vende os produtos de pet shop há 12 anos em um estabelecimento próprio. Ao receber o convite da associação, decidiu participar e comercializar também na feira. “Achei bem bacana a ideia, pois gera emprego e renda para nós mulheres. As vantagens são muitas, porque não pagamos impostos e as vendas aumentaram”, relata.
*Texto supervisionado por Fernanda Lourenço
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