Em menos de dois meses, 4,7 mil pessoas tiveram problemas respiratórios em Rio Branco


Unidades básicas de saúde da capital fizeram 4.740 atendimentos de doenças respiratórias entre 1 de agosto e 25 de setembro. Número é 17% maior que o contabilizado no mesmo período no ano passado. Em menos de dois meses, queimadas e fumaça levam 4,7 mil a procurarem unidades de saúde em Rio Branco
Divulgação / Prefeitura de Fernandópolis
Com o aumento no número de queimadas, devido ao período de estiagem, as unidades básicas de saúde da capital acreana, Rio Branco, registraram um total de 4.740 casos de doenças respiratórias entre 1 de agosto e 25 de setembro deste ano.
O número é 17% maior que o contabilizado no mesmo período do ano passado, quando foram atendidas 4.045 pacientes com queixas de problemas respiratórios. O levantamento foi repassado pela Secretaria Municipal de Saúde ao G1 com dados atualizados até essa sexta-feira (25).
Já no mês de maio deste ano foi registrado um aumento significativo na procura por atendimento médico por conta de doenças respiratórias. Segundo os dados, foram 3.994 atendimentos este ano, sendo que no mesmo mês em 2019 foram 1.762.
De lá para cá, os casos foram se mantendo muito acima do registrado no ano passado. Em junho deste ano foram 5.520 atendimentos e em julho 4.248, sendo que no ano passado os casos chegaram a 1.686 e 2.568, respectivamente.
No mês de agosto o aumento foi de quase 30% em relação ao ano passado. De acordo com o levantamento, as unidades atenderam 2.967 pacientes com doenças respiratórias esse ano, sendo que em agosto de 2019 foram atendidos 2.303.
O mês de setembro também apresentou um aumento dos casos. Entre 1 e 25 de setembro foram contabilizados 1.773 casos de doenças respiratórias, enquanto que no mesmo período no ano passado foram 1.742.
Fumaça de queimadas em Rio Branco
Reprodução/Rede Amazônica Acre
Poluição do ar 10 vezes acima do recomendado
A concentração de partículas poluentes no ar atinge números alarmantes neste período de estiagem no Acre. Dados dos sensores de monitoração mostram que esta semana a poluição do ar chegou a ficar 10 vezes acima do que é ideal para a respiração.
Conforme os dados do relatório da sala de situação de monitoramento hidrometeorológico do Acre, na quinta-feira (24), o índice de materiais particulados inaláveis chegou a 234,86 μg/m³, na capital Rio Branco.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê que a quantidade de material particulado por metro cúbico aceitável é de 25 microgramas. Acima disso, a qualidade é ruim para a saúde humana.
As leituras são feitas por equipamentos de monitoramento da qualidade do ar instalados na Universidade Federal do Acre (Ufac) e na sede do Ministério Público do Estado do Acre (MP-AC), no Centro da capital.
Especialista alerta
O especialista em pediatria, alergia e imunologia Guilherme Pulici alertou sobre os possíveis problemas de saúde que põem em risco a população por causa dos altos níveis de poluição no ar.
“Os poluentes que vêm das queimadas são tóxicos não só para as vias respiratórias, mas para todo o corpo. Na verdade, quando são inalados, eles entram na circulação sanguínea e podem causar efeitos no coração, no cérebro, como infartos, acidente vascular cerebral e pode agravar doenças crônicas. Além das doenças respiratórias como já conhecemos, como enfisema pulmonar, asma e doenças alérgicas, como rinite e sinusite”, disse Pulici.
O médico destacou ainda que muitos dos sintomas das doenças respiratórias são semelhantes aos da Covid-19. Com isso, acaba confundindo a população na hora do diagnóstico médico.
“Têm sintomas que são muito idênticos, como, por exemplo, dor de garganta, irritação nos olhos, coriza, tosse, obstrução nasal. Fora que tem o agravante dos hospitais se sobrecarregarem agora com a pandemia. Esse problema das queimadas a gente sabe que, tradicionalmente, pega principalmente idosos e crianças, sendo que os idosos já são do grupo de risco para a Covid-19 e aí o problema se agrava com a fumaça intensa”, explicou.
Para tentar evitar problemas por conta das queimadas e poluição, o especialista orientou que as pessoas devem ter uma alimentação saudável e rica em nutrientes e substâncias antioxidantes, como frutas, verduras e legumes e se manterem sempre hidratadas.
“Procurar evitar fazer atividades físicas nos horários em que a poluição atmosférica fica mais intensa, se hidratar bem e ter uma boa alimentação. Além disso, utilizar máscara, que já vai proteger dos dois problemas, no caso a questão da fumaça e poluição e também da contaminação pelo novo coronavírus”, concluiu.
VÍDEOS: Jornal do Acre 1ª edição de sábado, 26 de setembro
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