‘Esquerda entoou canto da sereia e Bolsonaro sucumbiu’, diz Ana Paula sobre decreto das UBS

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira, 28, que o decreto que permitia estudos sobre privatização das Unidades Básicas de Saúde (UBS) “já foi revogado”. Ele se pronunciou por meio das redes sociais nesta tarde após a possibilidade de privatizações das UBS provocar polêmica e ser criticada por profissionais da saúde, especialistas e, principalmente, pelo movimento de esquerda. Para a comentarista do programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, Ana Paula Henkel, “o presidente sucumbiu à uma falácia”. “A esquerda entoou um canto da sereia e Bolsonaro sucumbiu a isso”, disse a ex-jogadora de vôlei. Ela criticou os comentários em defesa do SUS feitos por “famosos e artistas que não utilizam o serviço”, e que “têm planos de saúde e vão a hospitais particulares”. “O nosso SUS, apesar de muita gente, inclusive os famosos, terem dito que é de graça, não é gratuito, porque pagamos por esse sistema, por um serviço de qualidade duvidosa”, disse. “Famosos que têm seus planos de saúde, que vão para hospitais particulares, e no SUS vemos a nossa sociedade, quantas horas e meses na fila para [as pessoas] serem atendidas, cirurgias que são adiadas”, acrescentou.

O também comentarista Augusto Nunes citou, por exemplo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que apesar de ter dito que “tinha vontade de ser internado quando passava por uma UPA”, “sempre foi para o Hospital Sírio Libanês”. “Não trata nem resfriado na UPA. A esquerda não pode celebrar o que não fez”, disse. Segundo ele, as críticas ao decreto de Bolsonaro foram denúncias à “algo que não aconteceu”, já que “o SUS não seria privatizado”. “Bolsonaro deve buscar formas de participação da iniciativa privada no aperfeiçoamento do sistema, que está muito longe de ser considerado bom. Todo mundo celebra as pessoas terem acesso ao SUS, mas não adianta ter acesso a um sistema ineficaz”, defendeu Augusto.

Ana Paula também elogiou a medida do presidente. De acordo com ela, “estava claro” que seriam parcerias “para algumas unidades que não estavam sendo usadas na sua totalidade”. “Temos que discutir nosso sistema de saúde de uma forma madura, e a nossa oposição não traz essa maturidade. O decreto era muito bem claro, dizia que a política era de fomento do PPI, não falava em privatizações, mas apenas em uma alternativa de parcerias”, afirmou a comentarista. Nesta tarde, o Ministério da Economia esclareceu, por meio de nota, que a decisão de incluir as unidades no PPI foi tomada após pedido do Ministério da Saúde. “A avaliação conjunta é que é preciso incentivar a participação da iniciativa privada no sistema para elevar a qualidade do serviço prestado ao cidadão, racionalizar custos, introduzir mecanismos de remuneração por desempenho, novos critérios de escala e redes integradas de atenção à saúde em um novo modelo de atendimento”, disse. Já a Secretaria-Geral da Presidência afirmou que o decreto seria só para “estudos multidisciplinares”.

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