Estudantes que já tiveram coronavírus devem voltar às aulas nas escolas de SP ainda em 2020, diz secretário de saúde


Segundo Edson Aparecido, retomada das aulas será gradual para alunos quem possuem anticorpos do vírus. Anúncio oficial do retorno das aulas na capital paulista será realizado em 22 de outubro, após resultado de testes sorológicos feitos em 183 mil alunos e professores de SP. O secretário municipal de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido.
Divulgação/PMSP
Os alunos que já foram infectados pelo novo coronavírus devem ser os primeiros a voltar para as escolas públicas e particulares da cidade de São Paulo ainda neste ano, segundo o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido.
De acordo com ele, a retomada das aulas na cidade será gradual. O anúncio oficial do retorno das aulas presenciais no município será feito no dia 22 de outubro pelo prefeito Bruno Covas (PSBD) e as aulas devem ser retomadas em 3 de novembro.
A decisão será anunciada após o resultado da primeira etapa do censo sorológico da rede municipal de ensino, realizada com até 183 mil alunos e professores do Ensino Médio, e do terceiro e nono ano do Ensino Fundamental.
“É evidente que quem a gente testar positivamente, e estiver imune, fica mais fácil de você ter um retorno gradual e seguro tanto para os alunos quanto para os professores”, afirmou Edson Aparecido nesta sexta-feira (16).
A suposta imunidade, que não foi confirmada pela ciência, já que há casos de reinfecção, poderia proporcionar um retorno mais tranquilo tanto para os alunos como para os professores que não pegariam e nem transmitiriam a doença, de acordo com o secretário.
Censo sorológico
O exame sorológico avalia a presença de anticorpos específicos no sangue e identifica quem já teve a doença. No entanto, a presença de anticorpos no organismo não significa que a pessoa esteja imune.
O censo sorológico da prefeitura vai realizar testes em toda a rede municipal para saber quem já teve contato com o vírus, totalizando 675 mil alunos e 120 mil professores e funcionários. A realização dos testes não é obrigatória.
O último mapeamento realizado pela Prefeitura de São Paulo em estudantes aponta a presença de anticorpos do vírus em 16% das crianças e dos adolescentes em idade escolar. A proporção de alunos assintomáticos chegou a 71,3%.
Entre os estudantes assintomáticos das escolas particulares, 31,1% moram com pessoas com 60 anos ou mais. Já entre os assintomáticos da rede pública, o percentual varia de 26% a 29%.
16% das crianças e adolescentes da rede municipal de SP testaram positivo para Covid
A cidade de São Paulo está na fase verde de flexibilização econômica. Nesta sexta (16), a cidade tinha 39% dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) ocupados, segundo Edson Aparecido.
“É o menor [índice] desde o início da pandemia, tanto que a gente já começou a reversão de alguns hospitais híbridos que tinha Covid e não Covid. A gente reverteu para atender a população que deixou de ser atendida no período da pandemia”, afirmou o secretário municipal da Saúde.
O índice de ocupação dos leitos de UTI chegou a 94% no período mais crítico da pandemia, entre os meses de abril e junho.
Camino School, na Zona Oeste de SP, teve três alunos na retomada das atividades presenciais nesta quarta-feira (7)
Celso Tavares/G1
Atividades extracurriculares
Desde o dia 7 de setembro, as escolas do estado de São Paulo podem receber alunos presencialmente, mas apenas para a realização de atividades extracurriculares nos ensinos infantil, fundamental e médio.
Na capital paulista, a retomada foi autorizada em 07 de outubro, mas a ocupação máxima deve ser de 20% da capacidade de alunos das escolas (veja as regras abaixo). As aulas regulares no município ainda não foram retomadas.
O aluno só pode frequentar a escola duas vezes por semana e pelo período de até duas horas para atividades culturais, cursos de idiomas, atividades esportivas que não sejam coletivas, aulas de música, aulas de reforço e acolhimento.
Cadeiras serão bloqueadas para uso para ampliar o distanciamento entre os estudantes
Bárbara Muniz Vieira/G1
Regras das aulas opcionais na capital
Receber até 35% da sua capacidade para alunos da Educação Infantil e Fundamental e nos anos iniciais;
Receber até 20% da sua capacidade para alunos do Ensino Médio e anos finais.
Manter o distanciamento de 1,5 metro entre os estudantes.
Estabelecer horários de entradas e saídas que serão organizados para evitar aglomeração, e serão preferencialmente fora dos horários de pico do transporte público.
Intervalos e recreios devem ser feitos sempre em revezamento de turmas com horários alternados.
As atividades de Educação Física estão permitidas desde que se cumpra o distanciamento de 1,5 metro. Devem ser realizadas, preferencialmente, ao ar livre e cuidando da higienização dos equipamentos.
É recomendado que o ensino remoto continue em combinação com a volta gradual presencial.
O uso de máscara é obrigatório para todos dentro da instituição e no transporte escolar.
A Instituição deve fornecer equipamentos de proteção individual (EPIs) para os funcionários.
Bebedouro será proibido. Água potável deve ser fornecida de maneira individualizada. Cada um deverá ter seu copo ou caneca.
Banheiros, lavatórios e vestiários devem ser higienizados antes da abertura, depois do fechamento e a cada três horas.
Lixo deve ser removido no mínimo três vezes ao dia.
Superfícies que são tocadas por muitas pessoas devem ser higienizadas a cada turno.
Ambientes devem ser mantidos ventilados com janelas e portas abertas, evitando toque em maçanetas e fechaduras.
O distanciamento tem exceções, como no caso da educação infantil e creches, em que não há como manter essa distância entre bebês e cuidadores.
Profissional colhe amostra de sangue para teste sorológico de Covid-19 em São Paulo.
Divulgação/Governo de SP
Crianças e adolescentes
O último inquérito sorológico divulgado pela gestão municipal de São Paulo em 17 de setembro, com base em amostragem, projetou que mais de 244 mil alunos das redes pública e privada já tiveram contato com o vírus da Covid-19 na capital paulista e 66% são assintomáticos.
O mapeamento incluiu, pela primeira vez, estudantes de escolas particulares e de escolas estaduais do município de São Paulo. A primeira e segunda fase do inquérito foram feitas apenas com alunos da rede pública municipal.
O índice de prevalência das escolas particulares foi de 9,7% e de 17,2% na rede estadual. Já a pesquisa na rede municipal de ensino apontou que 18,4% dos alunos foram contaminados, quase o dobro da rede privada.
Na primeira fase do inquérito, a prevalência entre alunos da rede municipal foi de 16,1% e de 18,3% na segunda fase.
Prefeitura da capital divulga nova fase do inquérito sorológico
Assintomáticos
Dos 66% das crianças e adolescentes das escolas públicas e privadas que não apresentaram sintomas da doença, 70,3% são da rede privada. Os alunos das escolas particulares representam a maioria dos assintomáticos. Desses, 31,1% moram com pessoas com mais de 60 anos que fazem parte do grupo de risco.
Na rede estadual de ensino, 64,1% dos que apresentaram resultado positivo para o coronavírus são assintomáticos. Já na rede municipal, 66,4% dos alunos não tiveram sintomas.
Na semana passada, a Prefeitura de São Paulo também divulgou a quinta fase do inquérito sorológico realizado em adultos. A pesquisa constatou uma média de 40% de assintomáticos entre maiores de 18 anos na capital paulista que testaram positivo para a sars-cov-2.
Na ocasião, o prefeito Bruno Covas (PSDB) disse que o alto percentual de assintomáticos é um fator importante para a decisão sobre a volta do ensino presencial na cidade.
“É muito grande a preocupação da prefeitura por conta dos estudos apresentados e das recomendações da área de saúde. Estamos falando de uma contingência de 1,5 milhão de alunos. A proporção de assintomáticos é bem maior nas crianças do que quando comparado aos adultos, 70% e 40% respectivamente. A possibilidade e o receio de um segundo pico da doença caso essa atividade volte. Então, é preciso modular, ter a devida precaução com a saúde, não apenas dos nossos alunos, mas dos professores e dos familiares”, disse Covas na última quinta-feira (17).
Prefeitura da capital divulga resultado de novo inquérito sorológico
Veja mais vídeos sobre a volta às aulas:
“É o menor índiedesde o início da pandemia, tanto que a gente já começou a reversão de alguns hospitais híbridos que tinha Covid e não Covid, a gente reverteu para atender a população que deixou que ser atendida no período da pandemia”, afirmou o secretário municipal da Saúde. Os índices de ocupação dos leitos de UTI chegou a 94% no período mais crítico da pandemia, entre os meses de abril e junho.
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