Estudos mostram que os níveis de anticorpos em quem já teve Covid caem rapidamente

A descoberta reforça a hipótese de que será preciso fazer campanhas anuais de vacinação, como no caso da gripe. Estudos britânicos mostram queda no nível de anticorpos meses depois da Covid
Dois estudos no Reino Unido concluíram que os níveis de anticorpos em quem já teve Covid caem rapidamente. A descoberta reforça a hipótese de que será preciso fazer campanhas anuais de vacinação, como no caso da gripe.
O Imperial College de Londres convidou mais de 360 mil pessoas para fazerem testes caseiros. O kit detecta os anticorpos acima de um determinado limite. A cada mil voluntários, 60 tinham anticorpos contra o novo coronavírus em julho. Mas, em setembro, esse número já caiu para 44. Isso significa que, em três meses, um em cada quatro curados já não tinha anticorpos detectáveis.
Um dos pesquisadores explica que há motivos, sim, para pensar em perda da imunidade com o tempo. Mas essa queda da proteção varia entre as pessoas. Os idosos perderam mais anticorpos do que pessoas mais jovens e os assintomáticos mais do que quem teve sintomas.
Só que os níveis continuaram relativamente altos em profissionais da saúde. Os pesquisadores acham que isso tem a ver com um contato recorrente com o vírus.
O King’s College de Londres tinha chegado a uma conclusão parecida em julho: quanto maior a carga viral, mais anticorpos circulariam pelo corpo e por mais tempo. Esse estudo foi revisado e publicado agora pela revista “Nature”.
O King’s College acompanhou mais de 90 funcionários e pacientes de um hospital em Londres. Os pesquisadores verificaram que o auge da produção de anticorpos é na terceira semana depois da infecção. A partir daí, a imunidade vai minguando. Depois de três meses, só 17% dos curados continuaram com uma resposta imunológica potente. Em geral, foram os que tiveram sintomas mais fortes da Covid.
As duas pesquisas reforçam a importância de uma vacina porque ela poderia injetar muito mais vírus do que uma infecção natural. O sistema de defesa teria uma resposta proporcional à dosagem. A diferença é que o vírus da vacina é enfraquecido, e ela ensinaria o corpo a enfrentar muito mais inimigos do que o normal – só que eles não atacam.
A imunização também estimula a produção de linfócitos-T, que destroem células infectadas, e de células B, uma espécie de memória celular que lembra quais anticorpos o corpo precisa produzir especificamente contra aquele invasor.
A vacina, portanto, produziria um “exército de defesa” maior do que a infecção comum. Um nível de proteção que a chamada “imunidade de rebanho” não alcançaria. A ideia de deixar a população pegar aos poucos a doença para ganhar proteção perderia o sentido.
As duas pesquisas indicam que a reinfecção seria possível. O novo coronavírus seguiria, então, o padrão de outros quatro tipos da mesma linhagem, que causam resfriados sazonalmente. Mas uma vacina, com uma ou mais doses, pode acabar com esse tenebroso inverno.
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