Exonerações e citações: como Moisés foi parar na mira do STJ

Este é, definitivamente, um ano dramático para a política de Santa Catarina. E o personagem principal – o bombeiro aposentado que venceu as eleições embalado no discurso de Jair Messias Bolsonaro – Carlos Moisés da Silva (PSL) ganhou nesta quarta-feira, 30 de setembro, destaque crítico com a deflagração da Operação Pleumon.

Mas como o governador que ascendeu ao cargo com espírito de renovação foi parar na mira do STJ (Superior Tribunal de Justiça)? Um dos três alvos da ação da Polícia Federal nesta manhã, Moisés tem sob pando de fundo de sua crise a pandemia da Covid-19. É ela, também, que pode explicar como seu nome foi parar em suspeitas de participar de fraude à licitação, peculato, corrupção, concussão, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Governador Carlos Moisés concedeu coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira após operação da PF – Foto: Reprodução/ND

A operação desta manhã investiga a compra dos 200 respiradores fantasmas que seriam usados para tratar os pacientes infectados pelo vírus, mas que nunca chegaram. A aquisição foi feita em 26 de março, cinco horas após o processo ter sido aberto no site de compras do governo. Porém, quando a história veio à tona, as investigações levaram a crer que o processo foi mais demorado e teve grande articulação.

Trinta e dois dias depois, em 28 de abril, o site The Intercept publicou uma matéria sobre a compra, classificada depois como “desastrosa” pela cúpula do governo. Nesse mesmo dia, apontam as investigações do MPF (Ministério Público Federal), o governador compartilhou o texto e disse: “agora a SES vai precisar falar sobre o assunto”.

O trecho está no despacho de 10 de agosto, assinado pelo ministro Benedito Gonçalves, do STJ, que determinou a instauração de um inquérito para a apurar a participação de Moisés na transação. Algumas partes do documento foram reveladas com exclusividade pelo ND+.

Esse documento foi o responsável pela operação desta manhã. Na decisão, o ministro autorizou que a PF realizasse novas diligências para colher informações sobre Moisés. Segundo o ministro, “há conversas de Whastapp, interceptações telefônicas, quebras de sigilo e inúmeros depoimentos e interrogatórios a subsidiar o requerimento”.

Dois dias depois, em 1º de maio, o governo exonerou Márcia Pauli, até então superintendente de Gestão Administrativa, que teria sido responsável pela compra. Helton Zeferino também deixou a pasta da SES (Secretaria de Estado da Saúde). Ambos negam que tenham participado de algum esquema fora da lei.

Douglas Borba, até então secretário da Casa Civil do governo, foi citado no esquema como articulador do processo. Ele deixou o cargo no dia 10 de maio e, em 6 de junho, foi preso junto com outras cinco pessoas suspeitas de participação da compra fraudulenta.

Primeira citação de Moisés

Apesar dos detalhes mostrarem que Moisés sabia da compra, a primeira vez que a imprensa ouviu falar sobre a possível participação dele no esquema foi após o MPSC (Ministério Público de santa Catarina) solicitar que o STJ investigasse o esquema.

Em 22 de junho, o órgão enviou um documento ao TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina) com um trecho da conversa entre Samuel de Brito Rodovalho e Germano de Lins Lincoln, ambos citados na Operação Oxigênio. No texto, Rodovalho pressiona o colega sobre a transação e diz que “estava em linha com o governador”.

A palavra “governador” aparece pela primeira vez na investigação – Foto: MPSC/ND

Impeachment no caminho

Na Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina), o chefe do executivo briga sem força no processo de impeachment, também provocado pela compra milionária dos aparelhos, que custaram R$ 33 milhões aos cofres do Estado. E se não bastasse tudo isso, precisa governar  em meio à pandemia que deixou a economia catarinense anêmica.

Leia também:

  • “Santa Catarina não merece”, diz vice sobre operação da PF contra governador
  • Saiba o que a Polícia Federal apreendeu na casa do governador de SC
  • Fatos inéditos envergonham o Estado

Veja a nota completa do governo de SC:

“Em relação à Operação Pleumon deflagrada nesta quarta-feira, 30, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, o Governo do Estado de Santa Catarina informa que foram realizadas averiguações na Casa d’Agronômica e no Centro Administrativo, em Florianópolis.

Foram entregues às autoridades policiais um celular e um computador que já haviam sido oferecidos previamente à investigação na data de 1º de julho.

Importante destacar que o Governo do Estado apoia todas as investigações necessárias para apurar eventuais irregularidades no processo de compra de respiradores e permanece à disposição das autoridades para colaborar. Este apoio não é apenas formal, já que foi o próprio governador do Estado quem determinou, em 23 de abril, o início das investigações pela Polícia Civil.”

Tags , .Adicionar aos favoritos o Link permanente.

“As pessoas sempre escolherão uma história que as ajude a sobreviver e prosperar.”