Expurgo de ‘desleais’ na Casa Branca


Trump demite funcionários com opiniões divergentes e gera incômodo tardio entre republicanos. Christopher Krebs, que foi demitido por Trump
AP Foto/Carolyn Kaster
Diretor da Agência de Segurança Cibernética dos EUA, Christopher Krebs foi demitido sumariamente pelo presidente Donald Trump por expor a verdade: classificou a eleição de 2020 como a mais segura da história americana, contradizendo os argumentos infundados de fraude eleitoral generalizada alardeados por seu chefe.
Diretor que reiterou que eleições nos EUA foram seguras é demitido por Trump
O epílogo desta Presidência tem a marca da insensatez e do expurgo. Discordância a Trump é encarada como deslealdade. No apagar das luzes, funcionários de alto escalão são substituídos.
O secretário de Defesa, Mark Esper, foi demitido, juntamente com vários integrantes do Pentágono. Em junho, ele divergiu claramente do envio de tropas às ruas para conter protestos contra o racismo e agora da redução de tropas no Iraque e no Afeganistão.
Trump demite secretário de Defesa, Mark Esper
Outros integrantes da equipe de segurança do país foram afastados. Especula-se que a diretora da CIA, Gina Haspel, e o diretor do FBI, Christopher Wray, terão destinos semelhantes. “Temos que haja uma lista de inimigos da Casa Branca e que ainda haja mais por vir”, afirmou John Bolton, ex-conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, em live promovida pelo “Washington Post”.
A demissão de Krebs, no cargo desde 2018, parece ser um ponto de inflexão entre os escudeiros de Trump. Incomodou senadores republicanos, que tardiamente começam a reagir aos seus desmandos. “É prerrogativa do presidente, mas acho que só aumenta o caos. Nem sei mais o que é normal”, resumiu o senador John Cornyn, que integra o Comitê de Inteligência do Senado.
Tudo parece anormal. Ex-aliado, hoje desafeto, Bolton descarta a possibilidade de Trump vir a aceitar a derrota para Joe Biden. As alegações de fraude desmoronam na Justiça e arrastam também a credibilidade do Partido Republicano.
De acordo com o site Axios, apenas seis senadores, sete governadores e dez deputados, num universo de 276 líderes do partido, reconheceram publicamente a vitória de Biden. A posição da maioria demonstra o quanto a popularidade do presidente entre seus partidários ainda é um ativo que justifica o alinhamento a ele.
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No cenário de tragédia, com 250 mil mortos pelo novo coronavírus, a transição está conturbada porque Trump ignora os efeitos da pandemia e ainda bloqueia o acesso de dados de saúde à equipe de Joe Biden.
Os republicanos terão que arcar os custos da conivência e da subserviência ao líder derrotado. “Quando os livros de história sobre esta eleição forem escritos, Krebs será um dos heróis”, atestou o colunista David Ignatius, do “Washington Post”. Demitido por se opor às mentiras do presidente, o diretor de segurança cibernética demonstrou com uma frase o abismo entre os dois: Defenda hoje, proteja amanhã.
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