‘Ficou uma história para trás’, diz morador tirado de casa em 2019 por causa de risco de rompimento de barragem em Barão de Cocais


Na segunda, a Justiça determinou que a mineradora Vale continue pagando o auxílio emergencial a moradores que foram tirados de casa. Parte de talude de mina da Vale se desprende em Barão de Cocais nesta sexta-feira (31).
Reprodução/TV Globo
“Ficou uma história para trás. Eu sei que muita gente visualiza o dinheiro, mas a gente tem sentimento. Lá, nós nascemos, crescemos, fomos batizados”, lamenta o pedreiro Adil Gonçalves, um dos moradores de Barão de Cocais que foi tirado de casa há quase dois anos por causa do risco de rompimento da barragem Sul Superior, da mina Gongo Soco, da Vale.
Na última segunda-feira (26), a Justiça determinou que a Vale continue pagando, por mais um ano, o auxílio emergencial de Adil e outros moradores que foram tirados de casa. Apesar da decisão favorável, o drama das comunidades ainda está longe de terminar.
Hoje, Adil mora com a esposa Ivone numa casa alugada, bem diferente da vida que tinha em Socorro, onde a família morava próximo uns dos outros. Cada irmão foi para um lado da cidade.
“A gente tinha convivência muito grande em torno e 150 casas, ‘tudo’ próximo. Aqui não conhecemos quase ninguém, muito triste”, afirmou.
Adil e a esposa moram há quase dois anos em casa alugada pela Vale
Reprodução/TV Globo
Para muitos moradores está difícil enxergar o fim desta história. A mineradora pediu também a suspensão do pagamento do aluguel, mas a Justiça determinou que as famílias recebam por mais um ano. Os moradores e a cidade ainda não se recuperaram dos impactos.
Com quatro filhos, a dona de casa Aparecida de Paula Oliveira concordou em fazer acordo com a Vale. Mas deixou para trás os planos de trabalhar com a família em um restaurante.
“Satisfatório [o acordo] eu creio que não. Pela vida que eu tinha lá, pelo meu andamento de que tinha pela frente, porque eu tinha emprego. A gente estava com restaurante registrado, contratos com firmas. Então, aqui, vou ter que começar tudo do zero.
Muitos matam as saudades se encontrando na praça. Mas isso não devolve a tranquilidade do passado, nem os ganhos com o turismo, prejudicado ainda mais com a pandemia. Em frente à igreja, as placas de rota de fuga e um veículo de aviso sonoro de emergência mantém a lembrança diária e incômoda de que a parte da cidade está em área de risco.
“Como a comunidade tinha 300 anos de tradição, então a gente era daquela comunidade tranquila, que podia deixar as crianças soltas, porque tudo era família. Aquele papo de sentar na pracinha, com tranquilidade, não dá. Perdemos tudo. Aqui, a gente fica sentindo como se estivéssemos presos, né?”, disse a dona de casa Ana Rita de Cássia, que representa os moradores impactados.
Justiça determina que Vale continue pagando auxílio por mais um ano em Barão de Cocais
Segundo a prefeitura de Barão de Cocais, a queda de arrecadação no município chega a mais de R$ 4 milhões por mês. Sobre a decisão da Justiça, a Vale informou que vai se manifestar nos autos. O pagamento do auxílio é concedido a 156 famílias.
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