‘Foi uma grande covardia’, desabafa morador em situação de rua que teve barraco incendiado


Por pouco, Genivaldo Souza não foi atingido pelas chamas. Caso será investigado pela 2ª Delegacia Metropolitana de Aracaju. Cinzas da barraca de lona
Pastoral do Povo da Rua
A Polícia Civil de Sergipe vai investigar uma suposta tentativa de homicídio sofrida contra um morador em situação de rua, de 63 anos, na Praça Ranulfo Prata, próximo ao Cemitério da Cruz Vermelha, na Zona Norte de Aracaju.
Na noite da quinta-feira (22), ele dormia quando atearam fogo no barraco de lona. “Uma covardia aproveitar de um miserável, que vive na rua, para fazer uma coisa dessas. Pra mim foi uma grande covardia”, desabafou Genivaldo Ferreira Souza.
O senhor contou que foi socorrido por outro colega. “Assim consegui escapar. A única coisa que eu fiz foi ficar calado, observando. A roupa todinha, que estava lá dentro, foi tudo tocado fogo. Só fiquei com essa do corpo”, lamentou.
“Um rapaz, que trabalha próximo ao local, deu sinal e eu fui ver o que estava aconteceu. Aí chamei o coroa: ‘coroa, venha pra fora’. A única coisa que eu consegui fazer foi tirar ele. O resto foi embora”, disse o homem identificado como Josivaldo, que também vivem nas mesmas condições.
Na manhã desta sexta-feira (23), a equipe da Pastoral do Povo da Rua, da Arquidiocese de Aracaju, registrou o Boletim de Ocorrência no Departamento de Atendimento à Grupos Vulneráveis (DAGV), da capital.
“Quando chegamos à praça ainda encontramos a barraca em brasas. Graças à Deus, pessoas que vivem na mesma situação de rua conseguiram tirar ele com vida. Diante do fato, procuramos o DAGV para cobrar das autoridades competentes providência para esta tentativa de homicídio evitando que outros casos não venham a acontecer”, disse o coordenador da pastoral, Marcos Correia.
Ele explicou ainda que também acionou a Defensoria Pública do Estado, a Coordenadoria de Direitos Humanos, para verificar este e outros casos de violência registrados contra a população em situação de rua.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) de Sergipe, disse que a investigação ficará a cargo da 2ª Delegacia Metropolitana, responsável pela região onde o crime ocorreu.
Genivaldo Ferreira Souza, 63 anos
Pastoral do Povo da Rua
A vítima
O senhor Genivaldo é acompanhado há mais de 2 anos pela Pastoral do Povo da Rua e durante a Pandemia da Covid-19 o contato passou a ser diário, levando alimento material e “espiritual”, para amenizar o sofrimento vivenciado nas ruas, que se transformam em camas de cimento.
Desempregado, ele sobrevive há cerca de 10 anos nas ruas da capital de Sergipe, desde que chegou da cidade de Itabuna, estado da Bahia. “Tive uma desavença com dona encrenca e tive que vir para rua”, contou.
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