Fundação Athos Bulcão faz calendário 2021 em homenagem aos profissionais da saúde


Publicação apresenta obras criadas pelo artista para ambientes hospitalares. Desenhos de crianças complementam calendário; saiba como participar. Painel criado por Athos Bulcão para Rede Sarah
Fundação Athos Bulcão/ Divulgação
A Fundação Athos Bulcão homenageia os profissionais de saúde com o calendário ilustrado de 2021. Na publicação, estão obras criadas pelo artista para ambientes hospitalares em várias cidades do país (saiba mais abaixo).
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Conforme a fundação, após um 2020 marcado pela pandemia do novo coronavírus, “nada mais justo do que homenagear quem colocou em risco sua vida e a de seus familiares”.
Na página do mês de janeiro, serão publicados desenhos de crianças em agradecimento a esses profissionais. Podem participar crianças de até 12 anos e a seleção dos desenhos vai até 23 de outubro, pelo Instagram da Fundação Athos Bulcão.
As obras
O arquiteto Athos Bulcão em frente ao painel da igrejinha de Nossa Senhora de Fátima em Brasília. Há 20 anos ele inspirou um grupo de admiradores a criar uma fundação para divulgar suas obras
Acervo Athos Bulcão/Divulgação
Em Brasília, foram selecionados os painéis de azulejo do Hospital Regional de Taguatinga, do Instituto de Saúde Mental, do Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (Incor) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
No Rio de Janeiro, o painel do Hospital da Lagoa representa o trabalho de Athos Bulcão. Além disso, painéis feitos para a Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, de Brasília, Salvador e Fortaleza ilustram os meses do ano de 2021.
“Athos Bulcão dedicou parte de sua vida e seu talento à integração da arte na arquitetura. Em parceria com alguns dos mais renomados arquitetos brasileiros, embelezou hospitais pelo Brasil afora. Seus painéis colaboram para suavizar os momentos de apreensão que estar doente causa”, diz a Secretária Executiva da Fundação Athos Bulcão, Valéria Cabral.
Como adquirir o calendário
Calendário 2021 criado pela Fundação Athos Bulcão homenageia quem trabalha com saúde
Fundação Athos Bulcão/ Divulgação
Para viabilizar a impressão e a distribuição dos calendários, a Fundação Athos Bulcão – que é uma instituição sem fins lucrativos – está fazendo uma campanha de financiamento coletivo. “Os recursos recebidos dos apoiadores são todos revertido para a ação, que se constitui, também, como medida de salvaguarda do patrimônio artístico de Athos, uma vez que divulga, de forma ampla, sua obra”, diz a fundação.
A partir de R$ 30, o público pode colaborar, até o dia 3 de dezembro, com a produção e distribuição de 6 mil exemplares do calendário. Em troca, o apoiador recebe exemplares da publicação e “recompensas” que reproduzem obras do artista.
São marcadores de página, ecobags, mouse pads, joias de prata, baralho e até molduras de azulejos. Para conhecer as “recompensas” e fazer as contribuições, basta entrar no site destinado à publicação.
Athos Bulcão
Athos Bulcão nasceu no Catete, no Rio de Janeiro, em 2 de julho de 1918 e passou a maior parte da infância em Teresópolis. Antes de completar 5 anos, perdeu a mãe de enfisema pulmonar e acabou sendo criado pelo pai, Fortunato Bulcão, amigo e sócio de Monteiro Lobato.
Em casa, dividia as tarefas com o irmão Jayme e as irmãs Mariazinha e Dalila. Athos era o caçula.
O interesse pelas artes se manifestou desde cedo e foi estimulado pela irmãs. Elas o levavam ao teatro, à ópera e a espetáculos de companhias estrangeiras.
Mesmo assim, ele acabou escolhendo a medicina como graduação. No entanto, aos 21 anos, Athos desistiu do curso para se dedicar às artes.
A Igreja São Francisco de Assis, também conhecida como Igreja da Pampulha, localizada nas margens da Lagoa da Pampulha em Belo Horizonte (MG)
Kadu Niemeyer e Acervo da Fundação Oscar Niemeyer
Naquele ano, eles foi apresentado a Portinari e se tornou um assistente. Os dois trabalharam juntos no painel São Francisco de Assis, na Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte.
A primeira exposição individual de Athos Bulcão ocorreu cinco anos depois, em 1944, na inauguração da sede do Instituto dos Arquitetos do Brasil, na capital carioca. Em seguida, foi morar em Paris, onde ficou até 1949.
De volta ao Brasil, foi funcionário do Serviço de Documentação do Ministério da Educação e Cultura, onde trabalhou como desenhista e artista gráfico, fazendo ilustrações. A parceria com o arquiteto Oscar Niemeyer começou em 1955, quando Athos tinha 37 anos. Dois anos depois, ele integrava a força-tarefa que construía e decorava a nova capital.
Da esquerda para a direita: Marianne Peretti, Athos Bulcão, Alfredo Ceschiatti, Oscar Niemeyer, José Sarney e Burle Max
Marianne Peretti – A ousadia da invenção/Arquivo Pessoal
Foi na capital federal que Athos Bulcão fez sua maior galeria de arte, a céu aberto. Com monumentos, prédios públicos e espaços de grande circulação de pessoas revestidos com os azulejos do artista, Brasília se tornou uma das suas mais importantes obras.
No Distrito Federal, ele se juntou a uma equipe de artistas que sustentam, juntos, o título de Patrimônio Cultural da Humanidade que Brasília recebeu da Unesco em 1997: Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Burle Marx e Lelé (João Filgueiras Lima).
Na página da Fundação Athos Bulcão, ele é descrito como “o artista de Brasília”. Alguém cujas ideias foram materializadas em benefício do convívio de quem vivia na capital e, por isso, “carregam a consideração por esta cidade e seus habitantes”.
Athos ficou no Distrito Federal até a morte, em 31 de julho de 2008. Na época, ele completava 17 anos de tratamento contra Parkinson, no Hospital Sarah Kubitschek, quando teve uma parada cardiorrespiratória.
Campanha Calendário Ilustrado Athos Bulcão 2021
Data: até 3 de dezembro
Onde: pela plataforma de financiamento coletivo Catarse
Apoios: a partir de R$ 30
Crônica da semana homenageia Athos Bulcão
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