Galerias e museus celebram centenário de nascimento de Lygia Clark

A artista plástica, movida a novas experiências, inovou ao convidar o público a interagir com as obras. Galerias e museus celebram centenário de nascimento de Lygia Clark
Esta sexta-feira (23) marcou o centenário de nascimento de Lygia Clark, uma artista plástica que inovou ao convidar o público a interagir com as obras.
Artista movida a novas experiências, interessada em despertar todos os sentidos do público, Lygia Clark teve Burle Marx como seu primeiro mestre. Ela nasceu em Minas, começou os estudos no Rio, depois morou em Paris. Nos anos 1950, de volta ao Brasil, participou do movimento neoconcreto. A transição da pintura para a escultura começou nos anos 1960.
“Eu mudei a maneira de me expressar. Uma coisa que parei de fazer foi manipular e pesquisar sobre plano porque achei que o plano há muito tempo está em crise e não diz mais nada de novo”, explicou Lygia em entrevista em 5 de dezembro de 1984.
Nesta busca pelo novo, ela criou Os Bichos, esculturas em metal feitas para serem manuseadas. Foi um marco na arte moderna brasileira, promovendo esta interação com o público, hoje tão comum.
“Assume o que ela chama de uma geometria amorosa, quebra a moldura, começa a atuar no próprio espaço com Os Bichos, caminhando, desdobra o trabalho dela depois para uma relação com uma terapia experimental”, avalia Luiz Camillo Osorio, professor da PUC-Rio.
No final da carreira de quatro décadas, a artista abandonou o objeto como expressão da arte. Mergulhou na psicologia e nas trocas sensoriais para criar uma outra linguagem com o público.
As obras de Lygia Clark ganharam o mundo, estão nos principais acervos. Há seis anos, uma mostra ocupou várias salas do Museu de Arte Moderna de Nova York.
Trinta e dois anos após a morte da artista, as exposições que estavam programadas para acontecer em Portugal, na Itália e na Espanha mostram o reconhecimento internacional da obra de Lygia Clark. No Brasil, uma exposição que estava marcada em uma galeria para celebrar o centenário de nascimento da artista foi adiada para 2021.
Uma exposição no Museu Guggenheim em Bilbao, na Espanha, inaugurou em março. Foi fechada por causa da pandemia e já reabriu para a público.
A artista plástica Iole de Freitas conviveu com a artista na Europa. Ela acha que as obras de Lygia Clark têm mensagens que ainda não conseguimos decifrar.
“Eu tenho a impressão que a obra da Lygia é de uma potência tamanha que nós ainda estamos tateando dentro de tudo aquilo que ela pode despertar na nossa percepção. A obra dela em si já é uma afirmação de que a invenção vale a pena”, diz Iole de Freitas.
“Eu sou uma radical. Jamais eu soube o que vinha pela frente. Só sei o que passou e o que ficou para trás. Aberta para qualquer coisa que apareça”, definia-se Lygia Clark em 1984.
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