Governador Moisés reitera inocência na fraude dos respiradores

A operação desencadeada hoje pela Policia Federal em Florianópolis tem efeitos demolidores sobre o governo estadual e atinge diretamente o governador Carlos Moisés da Silva.

A mobilização de 30 policiais federais e integrantes do Ministério Público Federal para cumprimento de 5 mandados de busca e apreensão dá bem uma ideia da gravidade da situação.

O fato é inédito na historia politica de Santa Catarina.  Nunca houve ação da Policia Federal na residência oficial do governador, desde sua construção no governo Irineu Bornhausen há 70 anos.

Os policiais estiveram também no Centro Administrativo da SC-401 e levantaram documentos no gabinete do governador, hoje situado no andar térreo do prédio principal, ao lado do secretário da Fazenda.

O acesso ao edifício foi bloqueado pela Policia Federal.

Os policiais cumpriram decisão do ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça, que mandou abrir inquérito na Policia Federal para apurar a participação do governador Carlos Moisés na fraude dos respiradores e pagamento antecipado de 33 milhões de reais.

Dois ex-integrantes do governo também foram alvo da operação de hoje. Como é intervenção sigilosa, na execução não houve citação oficial.

Esta operação fragiliza ainda mais a posição do governador perante a Assembleia Legislativa e a opinião pública catarinense.

E pode derrubar politicamente toda a movimentação das últimas semanas, com carreatas, carta aberta, abaixo assinado e entrevistas concedidas pelo governador para tentar reverter o cenário desfavorável.

Este inquérito e estas apreensões não tem vinculação com o pedido de impeachment que está na fase de julgamento pelo Tribunal Especial Misto e que terá primeira definição dia 7 de outubro, com o parecer do relator.

Mas vai confronta com a defesa do governador, entregue ontem na Alesc, no segundo pedido que trata exatamente da fraude dos respiradores, do hospital de campanha de Itajaí e de omissões do governo sobre outras irregularidades nas ações de combate a pandemia.

A operação foi requerida pela subprocuradora geral da República, Lenora Araújo e autorizada pelo STJ.  Ela afirma textualmente que

“as buscas são necessárias para aprofundar as investigações e para verificar se a ordem de pagamento antecipado partiu do governador Carlos Moisés.”

Durante coletiva no final da manhã, o governador considerou a operação desnecessária, que continua sendo servidor dos catarinenses e reiterou sua inocência na polemica dos respiradores.

E destacou que esta operação poderá contribuir para esclarecer a verdade e provar que não teve participação na fraude e no pagamento.

A tranquilidade e as informações prestadas esta manhã diante de

um fato tão grave e inédito revelam uma postura política enigmática do governador catarinense.

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