Governadora de SC não se posiciona contra nazismo e é cobrada por associações judaicas


Daniela Reinehr foi questionada, na coletiva de imprensa de sua posse, se concordava ou discordava de seu pai sobre o nazismo. José Altair Reinehr é um professor de história que, segundo o jornalista, negaria o Holocausto judeu em sala de aula. Associações judaicas criticam governadora interina de SC por não dizer se é contra nazismo
A Confederação Israelita do Brasil (Conib) e a Associação Israelita Catarinense (AIC) pediram na quarta-feira (28) que a governadora em exercício de Santa Catarina, Daniela Reinehr (sem partido), se manifeste de forma veemente sobre o que pensa em relação ao nazismo.
Na terça-feira (27), Daniela Reinehr foi questionada, na coletiva de imprensa de sua posse, se concordava ou discordava de seu pai sobre o nazismo. José Altair Reinehr é um professor de história que, segundo o jornalista, negou o Holocausto judeu em sala de aula.
Durante coletiva de imprensa, o jornalista questionou:
“No começo da sua fala, a senhora agradeceu sua família. Seu pai, como professor de história, pregava em sala de aula o negacionismo do Holocausto judeu, inclusive utilizando livros de uma editora que foi condenada por contar mentiras sobre a Segunda Guerra Mundial. Agora que a senhora é governadora de Santa Catarina, a gente quer saber qual é a sua posição, se a senhora corrobora com essas ideias neonazistas e negacionistas sobre o Holocausto”.
Daniela deu uma longa resposta sem se posicionar sobre o nazismo. Ela afirmou que havia acabado de ser julgada por atos de terceiros e gostaria de ser responsabilizada apenas pelos próprios atos.
“Eu realmente não posso responder, ser julgada ou condenada por aquele ou esse pensamento. Eu respeito, volto a dizer, eu respeito as pessoas, independente do seu pensamento, eu respeito os direitos individuais, e qualquer regime que vá contra o que eu acredite, contra esses elementos que eu disse, eu repudio. Existe uma relação e uma convicção que move a mim e a todos os senhores que se chama família. E me cabe, como filha, manter a relação familiar em harmonia, independente das diferenças de pensamento”, afirmou.
Em outro trecho da resposta, Daniela relembrou o julgamento que sofreu e foi absolvida no caso do aumento salarial aos procuradores do Estado. No mesmo processo, o governador Carlos Moisés (PSL) foi afastado do cargo temporariamente.
‘Eu não posso ser julgada por aquilo que outro pense’, diz Daniela Reinehr, governadora interina de SC
“Eu realmente espero que eu seja julgada, novamente, que os atos sejam apartados como foi na comissão mista que eu batalhei desde o início. Eu não quero ser arrastada por atos de terceiros, por convicções de terceiros. As minhas convicções estão muito claras nas minhas redes sociais há muito tempo”, disse.
Associações e publicações
Após a resposta da governadora, a Conib e a AIC pediram que Daniela “demonstre de forma inequívoca sua rejeição às ideias que levaram ao extermínio de 6 milhões de judeus inocentes, além de outras minorias e adversários políticos e provocaram uma guerra que devastou a humanidade”.
A nota é assinada por Fernando Lottenberg, presidente da Conib, e Sergio Iokilevitc, presidente da AIC.
“A governadora deve, de forma veemente, manifestar sua repulsa ao negacionismo da tragédia que foi o Holocausto”, pede o comunicado.
O AIC reuniu em um dossiê as publicações de José Altair Reinehr. Um dos exemplos, são cartas enviadas ao jornal em que ele criticou a influência da cultura judaico-americana e outra que ele negou a existência de câmara de gás.

Carta publicada no dia 06 de outubro de 1992, no Diário Catarinense, critica cultura judaico-americana
Reprodução/ AIC
José Altair Reinehr negou a existência de câmara de gás em publicação
Reprodução/ AIC
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