Governadora interina de SC prega diálogo e harmonia política

A governadora interina de Santa Catarina, Daniela Reinehr (sem partido) esteve na sede do Grupo ND, nesta sexta-feira (30) e foi entrevistada, ao vivo, pelo apresentador Raphael Polito, no programa Balanço Geral. Ela também concedeu entrevista ao jornalista Paulo Alceu para o ND Notícias, que foi ao ar no mesmo dia.

Nas entrevistas, Daniela Reinehr pregou mais diálogo e comunicação entre os poderes e um contato mais próximo com a Assembleia Legislativa.

Ela defendeu o retorno gradual das aulas nas escolas públicas, mas não confirmou, por enquanto, alterações nas medidas sanitárias contra a Covid-19. A governadora interina ainda falou das mudanças que pretende fazer e as que já foram implementadas na equipe de governo.

Daniela Reinehr nos estúdios da NDTV – Foto: Mauricio Vieira/Secom/ND

A governadora comemorou a extensão dos incentivos fiscais para defensivos agrícolas e a reaproximação do governo de Santa Catarina com o governo federal. Daniela Reinehr também não se refutou a dizer que foi desprestigiada pelo governador afastado Carlos Moisés.

Segundo Reinehr, havia uma apreensão, por parte dela, referente ao que a população catarinense entenderia sobre a absolvição dela do processo de impeachment e que resultou no afastamento do governador Carlos Moisés: “Tinha uma preocupação, no início, de ser julgada de uma coisa que eu não fiz, de sair com uma pecha ruim”.

Confira trechos da entrevista ao Balanço Geral e ao ND Notícias:

A principal dúvida, o principal questionamento do momento, é se o diálogo está mais estreito realmente com a Casa Legislativa?

Realmente esse é um dos pilares que passei para o colegiado, para as pessoas que compõe o governo. Mas o diálogo e a comunicação são e estão sendo uns dos pilares. Já fui a Assembleia Legislativa, conversei com o presidente da Alesc, já fui ao Tribunal de Contas do Estado, vou ao Ministério Público, e em breve falarei com o Tribunal de Justiça, e é assim que pretendo fazer todos os setores da sociedade. Com os prefeitos estamos agendando com a Fecam (Federação Catarinense de Municípios), para conversar como todos os prefeitos, para ter um canal eficiente de comunicação. Através da comunicação, a gente vai recuperar a harmonia política e a credibilidade do Estado. A minha grande missão, no momento, é recuperar a credibilidade de SC, recuperar a economia do nosso Estado, é fazer o cidadão se sentir bem.

O cidadão esperava por isso, é visível que há uma reestruturação no Governo. Alguma visão de curto prazo, principalmente, em relação à Secretaria de Saúde?

Eu estou fazendo um contato direto com os políticos e dar essa atenção. Eu acredito que era uma necessidade. A saúde, evidentemente, tem sido uma das maiores preocupações nesse momento. As outras modificações que vou precisar fazer no governo serão feitas de forma pontual, responsável. A gente trabalhou muito essa semana, para identificar as principais dificuldades e fazer um alinhamento e, na semana que vem, apresentar medidas mais efetivas.

Governadora interina concedeu entrevista no programa Balanço Geral – Foto: Mauricio Vieira/Secom/ND

Alguma mudança específica, sinais de flexibilização em relação algumas coisas medidas sanitárias?

 Não tenho dúvidas que o maior desafio na gestão do Estado é a saúde, é a pandemia, é o verão que já está chegando, que é um atrativo de Santa Catarina. A gente tem desafios pela frente e a pandemia é o foco principal neste momento. O meu posicionamento a esse respeito sempre foi muito claro. Nunca fui a favor de lockdown, sempre entendi que a gente precisa isolar os doentes, cuidar dos doentes, e não isolar toda a população. Esse é o meu entendimento, mas agora é fazer o meu entendimento, com o que é possível, com o que já foi estabelecido judicialmente. Tem uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) e fez com que as prefeituras tivessem uma gestão maior, isso vem de encontro ao que eu acredito também. Vamos analisar com as especificidades de cada caso, a gente não pode tratar de uma forma generalista. A gente precisa ouvir o Ministério da Saúde, alinhar as pontas entre o Ministério da Saúde, Estado de Santa Catarina, prefeituras, por isso também que estamos buscando essa agenda com os prefeitos para avaliar as necessidades de cada município.
E outra circunstância que eu sempre defendi foi a prevenção. Sempre saliento o caso da H1N1, que as crianças chegavam em casa lavando a mãozinha diferente, eles continuaram indo para a escola, mas foi feita uma campanha de prevenção.

Como ficam às escolas, há uma ansiedade enorme, cartas de pais que querem os filhos de volta à escola foram entregues para a secretaria responsável. Algum pensamento nesse sentido?

As aulas já estão retomando esse processo. Nesse momento não podemos ter uma decisão extrema até porque as crianças vão ter que passar por essa nova adaptação. É uma retomada gradual, com cuidado, para que as cabecinhas deles consigam absorver isso da melhor forma possível, tendo esse cuidado da saúde, de acordo com o mapeamento de cada região. O segredo é observar cada região especificamente. Não podemos generalizar, temos que cuidar de cada situação especifica. Essa retomada tem que ser feita de forma responsável, cuidando de nossas crianças para que não seja feita de forma abrupta.

A senhora falou em entrevista coletiva em desenvolvimento e infraestrutura, que tipo de metas de curto, médio e, quem sabe, a longo prazo? Na comunicação houve grandes choques com dificuldades de conversa e entrevistas com secretários de governo. A outra questão é o agronegócio, com relação aos incentivos, avançamos nessas questões?

Em relação aos incentivos foi a grande notícia. Foi um tema que sempre lutei para que não findasse os incentivos fiscais nos defensivos agrícolas e o Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) acabou de decidir a prorrogação dos incentivos fiscais. Isso vai trazer um resultado, especificamente agora por estarmos em uma situação de seca e todos esperando uma chuva para plantar. Então eu entendo que agora há um ânimo a mais para o produtor. Isso agrega na receita e no desenvolvimento do nosso Estado.
Sobre a comunicação, eu tenho certeza que o principal equívoco foi a comunicação. Não foi criado, até agora, um canal de comunicação bacana. O que eu quero é, realmente, criar esse canal eficiente de comunicação, não só com a Assembleia Legislativa, mas com toda a imprensa, com a sociedade de Santa Catarina, com os prefeitos, com as federações, enfim, ouvir toda a sociedade. Existem entidades, legalmente constituídas, que precisam ser respeitadas e criando esse canal de comunicação, se recupera a harmonia política do nosso Estado, a estabilidade e a credibilidade. Minha grande missão, neste momento, é recuperar a credibilidade de Santa Catarina.

O alinhamento com o governo Federal, promessas de campanha, retomaremos os trilhos aqueles prometidos antes?

Com certeza. Esse resgate é uma dos mais importantes também. É o que a população catarinense espera. Já conversei com o Planalto, estão todos muito contentes com essa retomada, com esse alinhamento, acho que o povo de Santa Catarina também. Eu pretendo, realmente, fazer esse resgate, trazer de volta o que Santa Cataria elegeu.

Governadora interina em entrevista ao jornalista Paulo Alceu – Foto: Mauricio Vieira/Secom/ND

A senhora está governando para Santa Catarina ou está esperando o governador Moisés voltar?

Estou governando para Santa Catarina. Todas as minhas ações estão sendo feitas com muita prudência, qualquer mudança está sendo feita, de forma cautelosa, para não causar nenhum trauma e o que está dando certo pretendo não mexer, a não ser que haja uma necessidade a frente. Estou focando muito de não fazer nada de imediato. Eu não sei quanto tempo fico na interinidade, mas independente da função que eu exercer, doravante, seja de governadora ou vice-governadora, ou por quanto tempo eu ficar nessa interinidade, essas ações estão sendo programadas. Por isso que passamos essa semana estudando, resgatando algumas coisas para que, na próxima semana, podermos fazer anúncios importantes, justamente para continuidade dessas ações. Não quero fazer nada imediatista. Quero construir o que está faltando, resgatar o que ficou esquecido, é uma retomada.

Vamos supor que o governador volte, a senhora acredita em uma sintonia e a partir daí ter esse governo juntos?

Eu acredito que tudo é um processo de conhecimento e, até agora, eu tentei fazer isso. Mostrar a verdade, mostrar que aquilo que defendo pode estar certo. Isso é um desafio que eu vou ter lá na frente, vou ter ou não lá na frente. Mas o meu momento agora é de construir isso, se Santa Catarina aprovar isso permanece sim.

A senhora está conversando com o governador Moisés?

Conversamos na terça-feira (27) quando recebi o governo, ainda não deu tempo. Estou tentando aproximar mais, entender melhor, fazer essa leitura prévia do governo. Até porque ele está afastado e antes eu estava afastada do processo. Então existe um delay de informação que eu estou resgatando da forma mais ágil possível.

Havia uma dissintonia com o parlamento, a senhora reconhece, a senhora está querendo quebrar, já esteve conversando com o presidente da Alesc, deputado Julio Garcia. Nessa conversa, a senhora sentiu uma reaproximação ou acredita que ainda há erros que foram cometidos e que continuam latentes?

Acredito que continua latente esse é um dos maiores desafios. Eu fiz essa visita institucional, eu respeito muito as instituições, a competência de cada uma, e agora já estou conversando com outros deputados. Eu, particularmente, conheço os 295 municípios de Santa Catarina, mas eu não conheço como o deputado que passou sua vida ali, que recebe as demandas da região. Eu quero deixar muito claro que as portas estão abertas, eles têm meu telefone, eu atendo o telefone sempre.

Governadora disse que deverá ocorrer mudanças na equipe de governo – Foto: Mauricio Vieira/Secom/ND

O que a senhora não quer que se repita nesse período como governadora, dentro do que a senhora considera que foram erros cometidos nesse governo desde que ele assumiu?

O ideal é que não haja ruídos de comunicação, não haja desrespeito, não haja desprestigio, também sentir na pele isso, uma série de circunstancias que precisam ser avaliadas politicamente.

A senhora se sentiu desprestigiada dentro do próprio governo que a senhora integra?

Bastante, bastante… isso era público e notório. Enfim, não é o momento de ficar remoendo o que passou, tem que olhar para frente. O que preciso é ter a credibilidade dos mandatários, ter essa confiança dos mandatários, que a gente consegue sim reunir todos os esforços para o bem do nosso Estado. Essa é a grande missão que eu vejo no momento. É o que faltou, esse contato, essa atenção, respeitando a independência que os poderes devem ter entre si.

Vocês foram eleitos por mais de 70% dos votos, ou seja, a confiança foi colocada na senhora e no governador Moisés, e de repente essa confiança começou a diluir. Como recuperar a confiança e a credibilidade junto à população?

Através da comunicação, através do diálogo. Estou fazendo agenda com a Fecam, construindo agenda com os prefeitos. Eu preciso chegar na ponta, o que cada prefeito precisa. Eu estou demandando todos os meus esforços para recuperar esse diálogo. Uma coisa que me deixou muito forte nesse processo foi o apoio da população catarinense. Eu sempre tive muito respeito por essa confiança que Santa Catarina depositou na gente, em mim também, e sempre defendi a retomada do projeto que SC elegeu. A gente apresentou uma proposta para Santa Catarina, alinhados com o presidente da República. Existiu um projeto que foi apresentado a SC e que gerou essa falta de crédito, mas eu sempre procurei resgatar isso e agora, mais do que nunca, o apoio do catarinense a minha pessoa me deixou forte e segura.
Tinha uma preocupação, no início, de ser julgada de uma coisa que eu não fiz, de sair com uma pecha ruim. E o apoio da população catarinense, que eu percebi que era público e notório, que Santa Catarina entendeu o que estava acontecendo, que eu era inocente nesse processo, foi o que me deixou mais forte para seguir em frente.

Gostaria de saber se a senhora poderia adiantar se vai mudar na Celesc, sei que na Secretaria da Saúde vai ter mudanças. Aonde mais terão mudanças?

Adoraria contar uma novidade, mas eu não quero gerar especulações. Mas tenho uma novidade para contar. Anunciei a permanência do colegiado de Segurança Pública e a Secretaria de Administração Prisional. Tudo que a gente fala: segurança, credibilidade. Eu quis, realmente entregar esse recado para Santa Catarina, de que que a segurança está indo bem, permanece, não necessidade de fazer mudanças nesse sentido, dei um novo foco nesse sentido. A chefia da Casa Civil, através do general Miranda (general da reserva Ricardo Miranda Aversa), o nome foi muito bem recebido. E semana que vem eu trago novidades efetivas, de uma forma harmônica…
Outra novidade é que a PGE (Procuradoria-Geral do Estado) também foi anunciada, o novo procurador geral do Estado, é o Dagoberto Brião, o homem que tem caráter conciliador, experiência muito grande e que tenho certeza vai me ajudar em todas as decisões.

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