Governo anuncia venda de prédio onde foram lançados Noel e Caymmi

A fase pouco aquecida do mercado imobiliário não foi impedimento para o governo decidir colocar à venda o antigo Edifício de A Noite, localizado na Praça Mauá, zona portuária do Rio de Janeiro. A autorização foi publicada no Diário Oficial desta terça-feira, 29. O prédio, avaliado em R$ 90 milhões, será vendido através da modalidade de concorrência pública.

Analistas do mercado acreditam, no entanto, que este não seja um bom momento para quem deseja se desfazer de um imóvel, tendo em vista a crise provocada pela pandemia do coronavírus. Com o fechamento de empresas, aumento do desemprego e ampliação da oferta de imóveis, a realidade tem sido difícil para os proprietários que tentam negociar seus bens.

O Edifício de A Noite foi construído na década de 1920  e chegou a ser o prédio mais alto da América do Sul quando foi inaugurado, em 1929. Projetado pelo mesmo arquiteto do Hotel Copacabana Palace, Joseph Gire, o imóvel é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), trazendo consigo muita história. Já foi sede da Rádio Nacional nos tempos áureos do rádio e da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC). Do ponto de vista arquitetônico, é o principal edifício art dêco.

O prédio entrou para a história da cultura brasileira por ter sido o laboratório da música moderna brasileira, revelando Noel Rosa, os Tangarás, Dorival Caymmi, Francisco Alves, entre outros. Também foi o palco das radionovelas, lançando nomes como Fernanda Montenegro e Paulo Gracindo, ícones da dramaturgia brasileira, além de outros astros da radiodramaturgia, do jornalismo e do esporte. O cenário moderno perfeito para a época.

Não que um prédio que exerceu um papel histórico tão marcante na cultura brasileira não possa ser vendido se não estiver sendo utilizado, mas o timing não poderia ser o pior.

Além do Edifício de A Noite, o governo anunciou que pretende vender 907 imóveis da União. Em julho desde ano, já disponibilizou uma lista na internet com 109 propriedades imobiliárias à venda, por meio de concorrência pública, localizadas em sete estados. O grupo de 109 imóveis está avaliado em R$ 100 milhões e os 907 em R$ 1,7 bilhão, segundo informações da Secretaria de Patrimônio da União (SPU).

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